Bradley Manning: preso político do imperialismo norte-americano

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Manning foi o responsável pelo vazamento de milhares de documentos secretos sobre a guerra do Iraque e do Afeganistão que foram publicados no site Wikileaks. Isso ele mesmo admitiu.

Mas se isso é crime, de que tipo de crime se trata?

Esse único fato, que viola normas militares e tantas outras, poderia ter rendido ao soldado 20 anos de prisão. Mas o governo norte-americano quer mais: quer acusá-lo de “conluio com o inimigo” e condená-lo à prisão perpétua.

Mais que uma condenação por seus “crimes”, o governo quer uma condenação moral de Manning.

Se de fato for o responsável pelo vazamento, o soldado é, em realidade, um verdadeiro herói dos tempos modernos. Arriscou sua vida e sua liberdade para expor a brutalidade do exército norte-americano, ou seja, por um problema de consciência.

Assim, deu um presente à população norte-americana e ao mundo: a revelação das atrocidades de uma guerra de expoliação conduzida pelos Estados Unidos; uma guerra repudiada pelo mundo inteiro.

Sem nenhuma legitimidade para conduzir a invasão e ocupação dos países do Oriente Médio, o governo do então presidente George W. Bush reforçou a campanha “contra o terror”, na tentativa de encontrar uma boa justificativa para a atrocidade imperialista.

O “terrorismo” é um bom álibi moral. Não se trataria de mandar soldados invadirem um país para matar e morrer em defesa do lucro das empresas de petróleo. Não: se trataria de salvar o mundo do “terror” e estabelecer a “democracia” nos países “incivilizados”. Uma farsa completa.

A farsa foi justamente exposta por Manning, ao divulgar os documentos no Wikileaks. Esse é o motivo da condenação de Bradley Manning. Para ser inocentado, Manning terá que provar que não sabia que os documentos poderiam parar nas mãos dos “inimigos”. Na realidade, o correto seria a acusação mostrar quais os danos causados pela publicação dos documentos. Tendo por base o que foi noticiado pela imprensa norte-americana, o prejuízo teria sido… nenhum.

Vale a pena ressaltar que nessa guerra não há “um inimigo” no sentido em que se quer dar à palavra. Nem é uma guerra no verdadeiro sentido do termo. Diferentemente da Segunda guerra mundial por exemplo, onde os exércitos aliados se confrontavam com os exércitos do eixo, ou seja, onde de fato se enfrentava um país contra o outro, o que existe nesse caso é o país com maior poderio bélico do mundo invadindo um país atrasado, que não teve sequer condições de resistir. O “inimigo” é a população iraquiana e afegã e os tão falados “terroristas” não passam de grupos guerrilheiros muito mal armados que resistem à invasão do seu país, algo totalmente legítimo.

Manning já ficou preso mais de 100 dias sem julgamento e sofreu maus tratos por parte dos militares: ficou em celas isoladas e teve roupas e óculos confiscados.

Mais de um milhão de pessoas assinaram petições para acabar com o isolamento do soldado e estão sendo organizados protestos em frente o tribunal onde ocorre o julgamento pedindo liberdade para ele.

Quando o governo acusa de Mannning de ter “ajudado o inimigo”, que na realidade esconder que o maior inimigo, o que deve permanecer iludido e desinformado é em primeiro lugar a própria população norte-americana e, em segundo lugar, o resto da população mundial. O verdadeiro crime de Manning, do ponto de vista do imperialismo, foi ter revelado a verdade sobre a invasão dos países do Oriente Médio e a farsa da “guerra ao terror”.

Editorial do Diário Causa Operária Online de 5 de junho de 2013

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