Porque incendiam-se ônibus?

onibus-queimadoA direita e a esquerda burguesa e pequeno burguesa procuram a todo o momento desmoralizar a população dizendo que esta é irracional e apenas se prejudica quando incendeia ônibus. Do mesmo modo, quando diz que os governos seriam ruins por falta de “consciência” nas “escolhas”. Nada mais hipócrita, quando se sabe que as eleições, pelo menos, desde a República Velha é um jogo de cartas marcadas envolvendo bilhões.

Com um mínimo de imparcialidade ,não é difícil entender os vários motivos para as explosões populares, e ainda mais: porque não são ainda maiores esses levantes. Já que a situação da vida da ampla maioria da população é insustentável. A educação, a saúde, as condições sanitárias e alimentícias, são degradantes, senão humilhantes há anos.

A situação estressante dos passageiros por si só não poderia explicar porque ônibus e não hospitais.

Esta resposta só pode ser encontrada levando-se em conta o conteúdo de classe da sociedade capitalista, à luz da contradição entre as forças produtivas e as relações de produção.

A função primordial do transporte público é levar a mercadoria força de trabalho e seu portador ao local de exploração pelo capitalista. Ou seja, o transporte de trabalhadores faz parte do processo produtivo de extração de mais-valia (trabalho não pago); entra-se num ônibus para ser explorado, destruído no processo produtivo, enquanto, quando se entra nas longas filas dos hospitais procura-se manter-se vivo.

De um lado, a explosão demográfica e a urbanização a partir da década de 1970 no País, o surgimento das metrópoles intensificou a luta de classes empurrando as massas trabalhadoras para a periferia das cidades aumentando em dezenas de quilômetros a distância entre a moradia e os locais de trabalho. Por outro lado, os interesses dos monopólios do setor automobilístico (GM, Ford, Fiat, etc.) e sua estreita ligação com o estado impede a substituição desta forma arcaica de transporte (os carros) por um sistema racional e rápido. O resultado visível é o caos urbano com efeitos diferentes sobre as diferentes classes. São Paulo tem uma das maiores frotas de helicópteros do mundo que garantem à burguesia rápida locomoção. Já para os trabalhadores, este caos significou o aumento da jornada de trabalho de 4 a 6 horas diárias, ou 80 a 120 horas mensais. Sem nenhuma contrapartida salarial.

Deste modo a revolta contra os ônibus é uma manifestação primária da revolta da classe operária contra as relações de produção capitalistas, similar ao ludismo do início do século XIX.

Está em andamento uma significativa evolução desde as manifestações da juventude contra a repressão policial em junho rumo a um levante generalizado da classe operária através das greves no próximo período (sendo essas revoltas na periferia uma etapa intermediária), confirmando uma das principais leis da política esboçada por Lênin: não há nada mais revolucionário que a inflação, que apesar de todo discurso e manobras da burguesia, mostra-se cada vez mais inconsolável.

editorial do Diário Causa Operária Online de domingo, 26 de janeiro de 2014

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