Psol: dividido entre duas variantes da burguesia: a Frente Popular e a direita

Cada vez mais à direita

O ingresso do senador Randolfe Rodrigues na base de apoio ao governo mostra que toda a campanha de que o Psol é um partido de oposição ao PT não passa de uma grande fraude política

No mês passado, o senador Randolfe Rodrigues, do Psol, ingressou no bloco que faz parte da base de apoio ao governo, formado por PT, PDT, PSB, PCdoB e PRB.

Para ingressar no bloco do governo, Randolfe

Rodrigues alegou que somente o fez para não ser impedido de participar de comissões importantes do Senado. O Psol entregou toda a suposta ideologia socialista do partido e seu objetivo de se constituir supostamente como uma alternativa ao PT por algumas comissões no Congresso. Toda a propaganda deste partido está baseada em que a Frente Popular no governo é corrupta, o que ainda mais excluiria a participação em um bloco parlamentar do governo.

O fato é que não se trata de uma mudança na política do partido, pelo contrário, demonstra que o partido sempre foi um partido burguês, adaptado ao regime político da burguesia e só que só se diferencia do PT pelo número de votos nas eleições.  Mais ainda, que toda a oposição consiste apenas em uma forma de exploração eleitoral da propaganda que a imprensa de direita faz contra o governo justamente no tema da corrupção.

O senador do Psol, assim como o partido de conjunto, tem oscilado entre apoiar a direita e apoiar o governo. Na última eleição para a presidência do Senado, Randolfe retirou sua candidatura e apoiou o candidato do PDT, apoiado por sua vez por toda a direita contra o candidato do governo, Renan Calheiros (PMDB).

Em nome do “combate à corrupção”, o Psol retirou sua candidatura para apoiar o candidato do DEM e do PSDB. Uma política direitista e reacionária.

Essa aliança com a direita vêm de longa data. Em 2008, o Psol já havia realizado 21 coligações com partidos burgueses que são em sua maior parte do PSDB e DEM, ou seja, os apoiadores da ditadura militar.

As eleições municipais: um ensaio

Nas eleições municipais o Psol fez um ensaio de qual será sua política nas eleições daqui pra frente.

Em Macapá, o Psol se aliou ao DEM e ao PSDB em uma “aliança pela moralidade”, como declarou o candidato o DEM, Davi Alcolumbre, admitindo que seu partido aceitou “acolher algumas propostas programáticas do programa” “socialista” de Clécio Santos, um ex-policial que gostaria de receber dinheiro de empresários e capitalistas durante seu governo, conforme declarou em entrevista logo após a eleição.

Na ocasião, Randolfe Rodrigues, que costurou o acordo, declarou que se tratava de uma aliança para “governar em conjunto” com o DEM e o PSDB. Mostrando a identidade entre o partido e a direita e que o “socialismo” do Psol está cada vez mais distante da realidade.

A aliança com os partidos que são ferrenhos opositores da libertação da classe operária, são os assassinos de sem-terra no campo, comandam a repressão aos jovens e que, no caso do DEM (ex-PFL, ex-Arena) instaurou um regime militar e assassinou centenas de militantes de esquerda mostra que o partido perdeu – se é que alguma vez já a teve – qualquer ideologia de esquerda ou mesmo progressista.

Em Belém, o Psol fez aliança com o PT e o PCdoB junto com o PSTU. Ministros do governo gravaram programa eleitoral pela eleição do candidato do Psol.

No Rio de Janeiro, a candidatura de Marcelo Freixo foi apoiada por uma candidata a vereadora do PSDB.

Dentro do Psol, as duas correntes que comandam o partido possuem uma política burguesa e direitista. O partido está rachado no meio, de um lado aqueles que querem manter a aliança a direita, em particular o MES de Luciana Genro e de outro aqueles que estão indo para fazer parte do governo, a APS dirigida por Ivan Valente e Randolfe. O curioso disso tudo é que para a esquerda nenhum das alas se dirige. A base do partido assiste a tudo bestificada e, como sempre, impotente para intervir até mesmo minimamente em um processo dominado pelos parlamentares que utilizam a sua posição no interior do Estado capitalista para impor a sua política a todo o partido.

No bloco mais direitista está o MES, com Luciana Genro, Heloísa Helena e Plínio de Arruda Sampaio, que anunciou seu ingresso nessa corrente recentemente. Plínio revelou na eleição municipal passada publicamente a sua preferencia pelo direitista José Serra, a cabeça da direita fascistóide de S. Paulo.

Luciana Genro teve sua campanha financiada por um dos principais empresários brasileiros, dono da multinacional Gerdau e era a principal apoiadora da candidatura presidencial da direitista Heloísa Helena, uma figura pública da extrema direita religiosa contra os direitos das mulheres e outras políticas direitistas como o aumento da repressão. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter é um dos financiadores do Instituto Millenium, a principal tentativa de reorganização ideológica da direita brasileira.

Um grande empresário como Gerdau, com laços óbvios com o imperialismo, certamente não financiou Genro apenas por esperar receber em troca benefícios políticos em uma futura prefeitura sua, mas por acreditar que sua eleição não só não atrapalharia os planos da burguesia para o estado gaúcho, mas favoreceria.

Heloísa Helena, por sua vez, é principal liderança dos setores reacionários e de extrema direita na campanha contra o direito de aborto das mulheres no Brasil, além de ser uma das entusiastas do novo partido ainda mais direitista de Marina Silva, uma estratégia eleitoral de vários setores da burguesia.

Plínio de Arruda Sampaio sempre foi uma figura política de direita. Tendo sido dentro do PT um dos que mais perseguiu as correntes que faziam oposição à política burguesa tomada pela direção do partido desde seu surgimento. Não por acaso, Plínio declarou nas eleições para a prefeito de São Paulo preferir Serra à Haddad, pela “competência”.

Do outro lado, há a ala ligada a Randolfe Rodrigues e a Ivan Valente, que ingressa agora na Frente Popular.

O recente ingresso de Randolfe à base do governo depois de toda campanha ética e de denúncia do “governismo” mostra que se tratava apenas de uma política de fachada.

Por trás da campanha de denúncia do  “governismo” do PT estava a vontade de fazer parte da sua base de apoio.

Vale a pena lembrar que o Psol foi formado de uma ruptura com o PT supostamente para combater a corrupção deste partido e os seus “desvios oportunistas”, apesar de que apoio a aliança com grandes empresários de direita que levou Lula ao poder em 2002, mas eis que agora ingressa formalmente no bloco de apoio ao governo.

Como o partido não possui uma política e um programa para a situação política é completamente arrastado por esta.

Isso explica o fato de que no momento em que dava uma impressão de que a direita estava se erguendo para derrotar o PT, como por exemplo durante o julgamento do “mensalão” e toda a campanha feita em torno da corrupção dos seus dirigentes, o Psol se inclinou à direita.

Agora que a situação política mostra claramente o fiasco da direita, uma ala do partido dá uma guinada brusca para apoiar o PT.

Esse deslocamento brusco do partido, que seus dirigentes não estavam prevendo, pode conduzir a um racha no seu interior, entre aqueles vinculados à direita e aqueles vinculados à Frente Popular.

O Psol demonstra cabalmente que nunca foi nem nunca poderá ser uma alternativa à classe operária, à juventude e demais oprimidos.

A independência política da classe operária é tarefa primordial para um partido operário revolucionário. O que o Psol está realizando não é apenas uma política de conciliação de classes, mas um ingresso formal à Frente Popular no governo. O que rompe com qualquer perspectiva de constituição de um partido operário revolucionário. Nesse sentido, o partido não passa de mais uma legenda da burguesia brasileira com uma coloração vermelha, como o são PCdoB, PT, PSB etc.

publicado no Diário Causa Operária Online – 6 de abril de 2013

http://www.pco.org.br

 


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