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Psol e Frente de Esquerda: um programa abertamente burguês

A clara direitização da esquerda pequeno-burguesa com o Senador Randolfe Rodrigues do Psol

O pré-candidato da chamada Frente de Esquerda, o Senador Randolfe Rodrigues do Psol, concedeu recentemente uma entrevista ao Portal R7 onde apresentou o programa de governo. Trata-se de uma reprodução do que tem acontecido nas campanhas da esquerda pequeno-burguesa. Esses partidos desenvolvem atividades de aparência democrática. Depois o candidato valendo-se do acesso à imprensa burguesa, impõe o próprio programa.

Deixando de lado as palavras socialismo, o candidato é um candidato burguês como outro qualquer. Não apresenta qualquer proposta de reformas.

Para Randolfe, em primeiro lugar viria a luta contra a corrupção, que supostamente seria vencida criando-se mecanismos de fiscalização da população. Isso é impossível de acontecer porque a população nem sequer tem qualquer controle do processo. A maioria no Congresso é controlada pelos grandes capitalistas. Os órgãos não eleitos são controlados diretamente pelos setores diretamente ligados ao imperialismo.

Randolfe não fala em botar abaixo as estruturas atuais,  mas fica em promessas ilusórias caso ele seja eleito.

Há uma acentuada guinada à direita da esquerda pequeno-burguesa, o que reforça que se trata de uma mera operação eleitoral que visa iludir a população sobre o regime. Não há nenhuma crítica sobre o fato de tratar-se de um oligopólio.

Não há uma única palavra sobre revolução nem socialismo. Esse palavreado chegou a fazer parte da demagogia eleitoral do PT. Quando chegou ao governo, foi deixada de lado e passou a fazer aliança e a submeter-se aos monopólios e aos latifundiários.

Ir a uma campanha eleitoral iludindo sobre as possibilidade é um crime contra as massas, como se o estado não tivesse caráter de classe e estivesse esperando para um iluminado tomar conta. Agora, os candidatos anteriores da frente de esquerda que eram direitistas serão superados por um programa ainda mais à direita. A campanha eleitoral da esquerda pequeno-burguesa deve ser denunciada para evitar que dissemine confusão entre os militantes combativos, os sindicalistas e os que participam nas lutas.

Um programa abertamente burguês

Randolfe declara abertamente que não irá reverter nenhuma das privatizações. Essa política significaria apenas a continuidade do neoliberalismo de FHC e da política do PT que o próprio Psol critica.

Fala em criar uma candidatura republicana e que não será refém da governabilidade instaurada. Ou seja, governará sozinho sem alianças. A “fórmula mágica” seria o uso das novas tecnologias para se comunicar com o povo.

É evidente que a  critica que a esquerda pequeno-burguesa faz ao PT é superficial, sem entender o que levou o PT a cair no abraço de urso dos partidos burgueses. Supostamente, apenas bastaria da boa vontade, sem liquidar nada do regime, para fazer mudanças.

A resposta à pergunta se iria reverter as privatizações foi taxativa: “claro que não”. As empresas privatizadas continuariam a ser controladas por meio das agências regulatórias, que se encontram sobre o controle dos grandes capitalistas que dominam cada setor.

Sobre como controlar a inflação, a resposta foi que não a toa que estamos celebrando os 50 anos do golpe militar de 1964, como se os militares tivessem a receita.

Randolfe apresenta um programa de paraíso capitalista no Brasil, onde a solução seria simplesmente, criar um freio no “capital volátil”. O grande problema seria a especulação financeira , que quer lucrar “sem o suor do trabalho”. O capital industrial, as empresas que exploram os trabalhadores seriam bem vindos. O capital especulativo não seria bom para o capitalista, como se não fosse o coração do capitalismo. Essa “solução” não passa de pura bobagem, inclusive porque nos dias de hoje é impossível separar o capital especulativo do industrial.

A política de reforma agrária seria a continuidade dos assentamentos feitos pelo governo, que ajudaria a conter a inflação o que não passa de uma fantasia total. Ranfolfe não defende a reforma agrária, mas a continuidade da demagogia dos governos anteriores e atuais.

A proposta da redução dos impostos para as empresas, é abertamente reacionária, pois o que acontece é que os recursos vão parar na maioria dos casos, nos paraísos fiscais.


ANÁLISE POLÍTICA DA SEMANA, SEGUNDA, DIA 27/01/14 – O PROGRAMA DA FRENTE DE ESQUERDA

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Porque incendiam-se ônibus?

onibus-queimadoA direita e a esquerda burguesa e pequeno burguesa procuram a todo o momento desmoralizar a população dizendo que esta é irracional e apenas se prejudica quando incendeia ônibus. Do mesmo modo, quando diz que os governos seriam ruins por falta de “consciência” nas “escolhas”. Nada mais hipócrita, quando se sabe que as eleições, pelo menos, desde a República Velha é um jogo de cartas marcadas envolvendo bilhões.

Com um mínimo de imparcialidade ,não é difícil entender os vários motivos para as explosões populares, e ainda mais: porque não são ainda maiores esses levantes. Já que a situação da vida da ampla maioria da população é insustentável. A educação, a saúde, as condições sanitárias e alimentícias, são degradantes, senão humilhantes há anos.

A situação estressante dos passageiros por si só não poderia explicar porque ônibus e não hospitais.

Esta resposta só pode ser encontrada levando-se em conta o conteúdo de classe da sociedade capitalista, à luz da contradição entre as forças produtivas e as relações de produção.

A função primordial do transporte público é levar a mercadoria força de trabalho e seu portador ao local de exploração pelo capitalista. Ou seja, o transporte de trabalhadores faz parte do processo produtivo de extração de mais-valia (trabalho não pago); entra-se num ônibus para ser explorado, destruído no processo produtivo, enquanto, quando se entra nas longas filas dos hospitais procura-se manter-se vivo.

De um lado, a explosão demográfica e a urbanização a partir da década de 1970 no País, o surgimento das metrópoles intensificou a luta de classes empurrando as massas trabalhadoras para a periferia das cidades aumentando em dezenas de quilômetros a distância entre a moradia e os locais de trabalho. Por outro lado, os interesses dos monopólios do setor automobilístico (GM, Ford, Fiat, etc.) e sua estreita ligação com o estado impede a substituição desta forma arcaica de transporte (os carros) por um sistema racional e rápido. O resultado visível é o caos urbano com efeitos diferentes sobre as diferentes classes. São Paulo tem uma das maiores frotas de helicópteros do mundo que garantem à burguesia rápida locomoção. Já para os trabalhadores, este caos significou o aumento da jornada de trabalho de 4 a 6 horas diárias, ou 80 a 120 horas mensais. Sem nenhuma contrapartida salarial.

Deste modo a revolta contra os ônibus é uma manifestação primária da revolta da classe operária contra as relações de produção capitalistas, similar ao ludismo do início do século XIX.

Está em andamento uma significativa evolução desde as manifestações da juventude contra a repressão policial em junho rumo a um levante generalizado da classe operária através das greves no próximo período (sendo essas revoltas na periferia uma etapa intermediária), confirmando uma das principais leis da política esboçada por Lênin: não há nada mais revolucionário que a inflação, que apesar de todo discurso e manobras da burguesia, mostra-se cada vez mais inconsolável.

editorial do Diário Causa Operária Online de domingo, 26 de janeiro de 2014

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