SP: Alckmin faz “reorganização” por debaixo do pano

Apesar de derrotado pela mobilização social em 2015 e proibido pela justiça de colocar em prática a reorganização escolas, Geraldo Alckimin (PSDB) pode fechar mais de mil e quinhentas salas de aulas colocando em prática, por debaixo do pano, seus planos de cortes para a educação

reorganização

Várias denúncias vêm sendo recebidas a respeito do fechamento de salas, turnos e até mesmo ciclos em escolas estaduais. Isso significa, na prática, que a reorganização tucana planejada para cortar gastos com a educação no ano de 2016 está em andamento.

No final de 2015, uma ampla mobilização de professores, estudantes, pais, movimentos sociais e ocupação de escolas, finalmente adiou os planos do governo de reorganizar as escolas por ciclos, o que proporcionaria o fechamento de dezenas de escolas (a princípio), fechamento de turnos, superlotação de salas, demissão de milhares de professores temporários, deslocamento dos alunos para escolas distantes e transferência compulsória dos mesmos.

O TJ-SP, além de negar por duas vezes os pedidos de liminar propostos pelo governo de Geraldo Alckmin, teve ainda de reiterar a decisão de suspender a reorganização das escolas estaduais, para que a distribuição da rede permanecesse como no ano de 2015.

Entretanto, na prática, as denúncias apontam que a reorganização vem se consolidando as escondidas, em escolas que, por exemplo, fazem os alunos se matricularem em outra unidade, estadual ou municipal, ou ainda as escolas que não aceitam matrículas para determinado ciclo ou série, como muitas escolas que, pretendendo não mais oferecer Ensino Médio, não aceitam matrículas para o primeiro ano desse ciclo, entre outras manobras do governo para impor à força sua vontade.

As salas do noturno, em levantamento inicial, são as mais atingidas pela política de fechamento, impedindo assim que o aluno trabalhador tenha acesso à educação.

De acordo com o levantamento da Apeoesp (sindicato de professores do Estado de São Paulo), quase 600 salas foram fechadas, isso apurado em apenas 33, das mais de 90 subsedes. Se a situação se repetir no levantamento das demais subsedes do sindicato o número de salas fechas ultrapassará 1500.

Na prática já se nota os efeitos do fechamento de salas durante a atribuição, onde milhares de professores temporários não foram atendidos, e mesmo docentes efetivos tiveram que escolher duas, três ou mais escolas para conseguir compor a jornada de trabalho.

Outro fato que demonstra as consequências da política tucana para a educação são várias listas de alunos que vieram a público por meio de denúncias, sobretudo de pais, onde o número de estudantes por sala ultrapassa os 80. Resultado natural, afinal, fechando mais de mil salas de aula, a superlotação das que ainda funcionam não pode ser considerada surpresa.

O que o governo tucano queria com a reorganização escolar era, na prática, cortar “gastos” com a educação. Como a medida foi barrada pela mobilização popular, mas os interesses do governo não mudaram, foi necessário improvisar, fazendo com que a reorganização acontecesse em outros moldes, mas com consequências tão graves quanto as que viriam se fosse colocado em prática o projeto inicial.

Contra o desrespeito do governo pela educação e pela população é necessário mobilizar novamente professores, estudantes e comunidade escolar a fim de impedir que, com as medidas adotadas, a educação pública em São Paulo consiga ter qualidade ainda pior que a encontrada atualmente.

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