RJ: Para Marcelo Freixo a luta contra as milícias é a defesa do Estado capitalista

Em ano eleitoral, deputado do Psol se lança na disputa pela prefeitura do Rio como paladino da integridade do Estado antidemocrático.

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Em artigo publicado nesta terça-feira (9), o deputado estadual do Psol no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, se dedica a criticar a “vertente do crime organizado” que são as milícias.

Segundo ele, esse “modelo de negócio surgido no Rio” já atua como quadrilha em “São Paulo, Bahia, Ceará, Pará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul”; e seria a “principal ameaça à democracia”.

Num país onde o dito Estado Democrático de Direito vem sendo cotidianamente atacado por instituições e agentes do próprio estado, o deputado do Psol afirma que são as “quadrilhas” de milicianos a maior ameaça à “democracia”.

Primeiro, Freixo deveria explicar onde ele enxerga a democracia no Brasil. Respondido isso teria de esclarecer como e porque “grupos armados formados principalmente por agentes de segurança pública” em atividade paralela à própria atuação oficial é mais ameaçador do que sua ação como agente fardado, armado pelo Estado para fazer exatamente o que faz quando miliciano “através da violência controlar áreas pobres”. A alternativa seria, logicamente, que os “agentes da ordem” controlassem essas áreas.

E as quadrilhas que já tomaram conta do estado? Aquelas que atuam em nome da grandes empresas internacionais, dos bancos, do imperialismo? E que tem na polícia seu braço armado para manutenção do status quo?

Neste momento em que o estado com toda sua força, como organização oficial dos interesses da burguesia, ataca toda a esquerda, em uma perseguição implacável através, principalmente, dos ataques contra o PT; quando direitos democráticos elementares estão ameaçados pela própria Justiça, por ações da Polícia Federal, do Ministério Público etc. Freixo faz uma apologia do Estado supostamente democrático que é o berço de todas as monstruosidades reacionárias como a Polícia Militar e a as mílícias (formadas por integrantes da PM).

Como oportunista que é, Freixo deixa clara sua verdadeira preocupação: eleitoral.

O problema mais grave e a verdadeira ameaça dos milicianos é o fato de que passaram a atuar políticamente e com isso ocuparam um espaço de disputa que é de interesse do Psol e particularmente do deputado, pré-candidato do partido à prefeitura do Rio, na disputa eleitoral com os candidatos oficiais da burguesia.

Não é o fortalecimento do estado repressivo, da sua polícia assassina que justamente pela força conseguida através da atuação como braço armado do estado atua através de milícias que preocupa Freixo. Sua preocupação é a disputa nas eleições municipais do Rio de Janeiro que neste ano ocorre em momento de crise da ala do PMDB que domina o estado e alimenta a ilusão do Psol de administrar a segunda maior e mais importante cidade do país.

O deputado do PSol tornou-se conhecido justamente pela sua denúncia das milícias às quais opôs em determinado momento a defesa das UPPs, ou seja, da violência estatal contra a população pobre. Agora, novamente, como candidato a prefeito, embora cauteloso em relação à sua habitual defesa da polícia, defende o Estado como solução. Contra este programa abertamente reacionário é preciso levantar um verdadeiro programa democrático, ou seja, revolucionário: dissolução da PM e de todo o aparato repressivo corrupto.

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