O Psol contra o povo palestino: não foi acidente, não é por acaso

A vez de Vladimir Safatle

Rafael Dantas

Depois da candidata a deputada federal pelo Psol, Solange Pacheco, ter divulgado um vídeo defendendo o sionismo, no massacre do povo palestino promovido por Israel, foi a vez do ex-candidato ao governo de São Paulo, e professor da USP, Vladimir Safatle atacar a liderança da resistência palestina em Gaza defendendo as posições da direita brasileira e do imperialismo

Um artigo publicado na edição de ontem do Diário Causa Operária retratou as posições de uma das candidatas a deputada federal do Psol no Rio de Janeiro sobre o massacre em andamento na Palestina.

Em um vídeo divulgado em seu perfil no Facebook a candidata do Psol, Solange Pacheco, acusa o Hamas de “terrorista”, repetindo as calúnias do imperialismo norte-americano.

Pois chegou a vez do ex-candidato ao governo de São Paulo, o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle, emprestar seus talentos à justificação da mesma política.

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Vladimir declarou-se impressionado pelas posições do músico judeu argentino (e “mensageiro de paz” da ONU) Daniel Barenboim, expressas no artigo “Podemos viver juntos”. Ele comenta o artigo do músico pró-conciliação e assina embaixo do apelo a que Israel negocie com os “terroristas”, referindo-se nos mesmos termos que Israel ao Hamas, que dirige a Faixa de Gaza.

Guarda o melhor para o final: “Trata-se de um grupo que representa o que há de pior no mundo árabe, com um projeto autoritário, destrutivo e demente de sociedade religiosa. Mas seu destino será, provavelmente, o mesmo de grupos muçulmanos como a Irmandade Muçulmana ou o Nahda tunisiano: serão expulsos do poder pelo próprio povo que eles julgam representar”.

Safatle: um “liberal” ao estilo do Partido Democrata norte-americano

Safatle foi descartado como candidato ao governo de São Paulo pela direção do partido às vésperas do registro das candidaturas. Mas vê-se por meio dessa declaração que o professor da USP está mais do que qualificado para o cargo. É direitista o suficiente para defender as posições do imperialismo norte-americano e da direita pró-imperialista brasileira sem perder o “rebolado” esquerdista.

Safatle é terminantemente contra o Hamas, afinal o grupo representa, segundo ele, “o que há de pior no mundo árabe”. Pior até mesmo do que o massacre promovido pelo governo israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza? Pior do que a ditadura no Egito, do que o governo da Arabia Saudita?

Pior por quê? Será o “projeto autoritário, destrutivo e demente de sociedade religiosa” o que assusta o filósofo uspiano? Em nome da liberdade e da construção da paz, Safatle condena o Hamas em defesa da democracia. Nessa sim, não há autoritarismo, não há destruição e muito menos pode-se dizer que a democracia é compatível com a religião… Muito pelo contrário!

Vejamos o que o governo do país “mais democrático do mundo”, os verdadeiros campeões da democracia mundial, os Estados Unidos da América, tinha a dizer sobre o Hamas quando era dirigido pelo Partido Republicano:

“O Hamas deixou claro que não é favorável ao direito de Israel existir. E eu deixei claro que enquanto sua política for esta, não apoiaremos um governo palestino encabeçado pelo Hamas. Queremos trabalhar com um governo que seja um parceiro na paz, não com um governo cujas intenções declaradas sejam a destruição de Israel”, disse George W. Bush em 2006. (portal de notícias da Casa Branca, 30/1/2006).

Safatle e Bush são contra o Hamas. E, muito bem, podem trabalhar juntos já que defendem os mesmos princípios abstratos: a democracia, a “construção da paz”.

Trabalham juntos, de fato, tal como Democratas e Republicanos nos EUA, já que não existe a “democracia ideal”, pairando no éter, defendida por Safatle. Existe apenas o que o imperialismo determina ser “democrático” e aquilo que, na medida de suas possibilidades, podem fazer os governos dos países atrasados contra a dominação imperialista.

Psol: “socialismo” à moda do liberalismo burguês

Com a aparição do artigo do ex-candidato e a declaração da candidata a deputada federal, o Psol mostra que tem, apesar das diferentes tendências que o compõem, uma política clara sobre a questão palestina: no confronto entre o imperialismo e seus representantes (Israel) e a resistência da população oprimida nos países atrasados, submetidos ao imperialismo, tomar partido da “democracia”, e alinhar-se com o imperialismo na luta contra os “terroristas”, ou, como bem o disse Safatle, “o que há de pior no mundo árabe”.

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