LEVY FIDELIX E A LIBERDADE PARTIDÁRIA

 

O ataque do candidato do PRTB aos gays no debate presidencial causou uma enorme comoção e, como sempre, o que menos se viu foi qualquer tentativa de defender os direitos dos homossexuais e mais que tudo um ataque aos direitos democráticos de todos.

Os partidos da esquerda pequeno-burguesa trataram de pedir prisão, processo e cassação do candidato. O PSol levantou uma lei que prevê entre outras coisas a punição ao “ódio de classe”, lei que nenhum partido democrático poderia ver senão com total rejeição.

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Levy Fidelix, candidato a presidente pelo PRTB

O ataque aos direitos democráticos mais contundente veio, como se era de esperar do monopólio capitalista que logo passou pelo ataque aos gays para capitalizar a comoção no sentido de atacar os “partidos nanicos”.  Segundo a BBC Brasil, que publicou matéria com o título “Por que partidos ‘nanicos’ têm tanto espaço no debate eleitoral?”, o problema estaria em que “segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, isso só pode acontecer por causa de uma falha no sistema eleitoral brasileiro. É ela que permite que partidos com pouca representação na sociedade tenham acesso ao fundo partidário e espaço em debates e no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão.”

Traduzindo, a solução para o ataques dos partidos de direita aos direitos dos homossexuais estaria em promover um ataque generalizado aos partidos políticos que não fazem parte da confraria sustentada pelo grande capital pela imprensa capitalista nacional e internacional (como a BBC). É importante notar que os três partidos “nanicos” que não participaram do debate são todos da esquerda e defensores dos direitos dos homossexuais.

A realidade aqui é exatamente o oposto do que desonestamente prega o órgão da imprensa imperialista britânica. Se os partidos “nanicos” tivessem participado do debate, a tirada fascista de Levy Fidelix teria sido respondida à altura ali mesmo e denunciada diante de todo o público, o que seria mil vezes mais eficaz do que se calar diante de milhões de pessoas para depois utilizar uma lei antidemocrática para dar poder ao judiciário de direita e à polícia (precisa dizer que é de direita?) se fortalecerem com o escândalo, ganharem apoio popular para atacar trabalhadores, negros, jovens, mulheres e… gays.

Uma parte da esquerda tem pregado, de maneira histérica, uma política de defesa do Estado capitalista como instrumento de defesa dos oprimidos, pedindo penas de prisão e as mais diversas punições para expressões verbais, criando um clima propício para a perseguição à opinião em geral.

Esta política é visivelmente uma política de frente única com a direita, com o Estado capitalista, ou seja, com os próprios capitalistas que controlam o Estado. Uma política de frente popular e de conciliação de classes que em nada fica a dever à política de colaboração de classes do PT no governo.

Movimentos libertários de defensa dos negros, mulheres, homossexuais e outros têm sido envolvidos nesta política de fortalecimento do poder repressivo do Estado, que se apoia na ilusão de que o Estado é neutro diante da luta de classes e que pode ser inclinado para qualquer posição. Uma fantasia que ignora completamente o caráter antidemocrático do Estado em geral e do Estado nacional brasileiro em particular.

O caminho para a defesa de minoria e maiorias não é o do fortalecimento do poder repressivo do Estado e da colaboração de classes, ou seja, fortalecimento da legislação repressiva seja contra quem for, da usurpação de direitos, do judiciário reacionário e da sanguinolenta polícia brasileira.

Em uma sociedade de classes, o poder punitivo do Estado age apenas e tão somente em favor da burguesia, mesmo quando aparenta punir a burguesia.

O único caminho real, efetivo, para defender os oprimidos é a organização própria dos oprimidos, com total independência política dos opressores, em particular do Estado dos opressores, e a sua aliança com o setor mais importante, mais numeroso, mais organizado e mais poderoso dos oprimidos, que é a classe operária, em uma ampla frente social de luta por um governo próprio dos operários e do povo explorado e oprimido.

“Cría cuervos, que te comerán los ojos”, diz um provérbio espanhol. A esquerda pequeno-burguesa, navegando na ilusão da democracia de pura aparência que existe no Brasil, faz questão de ignorar esta sábia advertência e, como tudo de ruim, o faz na melhor das intenções. Como diz um outro provérbio popular: “a estrada para o inferno está pavimentada pelas boas intenções”.

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