A hipocrisia do discurso de Obama em mesquita

Enquanto se apresenta em público como defensor da tolerância, presidente dos EUA mantém ocupações e bombardeios de países muçulmanos

obama speech

Nesta quarta-feira, 3 de fevereiro, o presidente dos EUA, Barack Obama, fez um discurso em uma mesquita no estado de Baltimore contra o preconceito que atinge os muçulmanos. Obama afirmou que há uma “retórica imperdoável” contra os muçulmanos nos EUA que associa o conjunto da religião muçulmana ao terrorismo. “Recentemente, ouvimos uma imperdoável retórica contra os muçulmanos norte-americanos, declarações que não têm lugar no nosso país, declarou.

Afirmações como essa, entre outras afirmações demagógicas feitas por Obama durante o discurso, não passam de hipocrisia. Os EUA aproveitaram os ataques de 11 de setembro como pretexto para invadir e destruir completamente dois países, Iraque a e Afeganistão, em sua tentativa de manter o controle do Oriente Médio. Parte dos ataques a essas dois países muçulmanos foi uma campanha diária na imprensa capitalista para justificar essas guerras, uma campanha que alimentou sistematicamente o preconceito contra os muçulmanos em geral.

Obama herdou essas guerras de George W. Bush e as continuou, apesar de suas promessas de desocupar o Iraque e o Afeganistão. O discurso demagógico desta quarta-feira foi alardeado pela imprensa capitalista como um grande ato humanitário. No entanto, o imperialismo está usando novamente um pretexto para bombardear muçulmanos no Oriente Médio. Os atentados de Paris estão sendo usados como justificativa para o bombardeio da Síria, outro País que foi destruído pela intervenção imperialista. Apresentar Obama como um defensor da tolerância é mais uma demonstração de supremo cinismo do imperialismo e de sua imprensa.

 

Destruição do Oriente Médio

Desde a Guerra do Golfo contra o Iraque no começo dos anos 1990, durante a presidência de Bush pai, a intervenção imperialista já deixou 4 milhões de mortos no Oriente Médio. Para controlar o Oriente Médio, o imperialismo derrubou uma série de governos, seja por meio de conspirações, seja simplesmente por meio de guerras. Em 1953, no Irã, o primeiro-ministro Mohammad Mosaddegh foi derrubado, dois anos depois de eleito, por ter nacionalizado o ramo do petróleo. O golpe foi armado pela CIA e pela agência de inteligência britânica, que jogou lideranças religiosas e estimulou protestos de massa contra o governo. Mais de 25 anos depois, em 1979, a revolução iraniana tiraria o País do controle imperialista. Mas o método continua até hoje, levando à destruição do Oriente Médio.

Desde 1982, o Líbano, até então um País próspero na região, está dividido pela guerra civil, depois de sofrer ataques de Israel, enclave imperialista no Oriente Médio, com um pretexto falso preparado pelo próprio imperialismo, o assassinato do embaixador de Israel em Londres por um opositor de Saddam Hussein no Iraque, atribuído aos palestinos. Além de Israel, os EUA também apoiam a Arábia Saudita, principal pilar da dominação imperialista no Oriente Médio, uma monarquia reacionária que executa pessoas em público e impede mulheres até mesmo de dirigir.

A destruição não parou por aí. Nesse momento a Síria está indo para o quinto ano de guerra civil, com um saldo de mais de 600 mil mortos por enquanto. Uma guerra civil em que o imperialismo atirou o País, financiando e armando o que os países imperialistas chamavam de “rebeldes moderados”. O País ficou dividido entre milícias diversas, entre elas o Estado Islâmico (EI), enquanto o governo controla apenas uma pequena parte da Síria, próxima ao litoral. Com a ajuda dos russos, o governo tem recuperado partes do terreno. Em situação pior ficou a Líbia, onde o imperialismo deu apoio à oposição com bombardeios aéreos, com a França à frente dos ataques. A queda de Khadaf na Líbia deixou o País sem um governo central e dividido entre milícias. Outro País muçulmano destruído pelo imperialismo.

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