Militares torturaram Frei Tito, denuncia Procuradoria

Frei teria se suicidado pelas sequelas deixadas pela tortura sofrida durante a ditadura militar

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O Ministério Público Federal denunciou dois militares responsáveis pela tortura de Frei Tito de Alencar. Homero César Machado, capitão da artilharia do Exército na época e Maurício Lopes Lima, então capitão de infantaria, ambos denunciados por chefiar equipes de interrogatório da Operação Bandeirantes (criado pelo II Exército, foi órgão que reuniu as três forças militares para organizar a repressão e a tortura dos opositores à ditadura, passando a se chamar DÓI-CODI, mais tarde).

A Procuradoria da República requere a Justiça que reconheça o abuso de poder cometido pelos soldados, que sendo um crime contra a humanidade isto se qualifica como crime sem direito de anistia, que os envolvidos tenham as aposentadorias cortadas e perca as medalhas e condecorações, caso sejam condenados.

O frade católico brasileiro tinha assumido a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963, após isso se mudou para São Paulo para estudar filosofia na USP (Universidade de São Paulo). Em outubro de 1968 foi preso por participar do 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), após ser fichado pela polícia começou a ser perseguido.

Foi preso em novembro de 1969 em São Paulo sob a denúncia de estar apoiando Carlos Marighella, também perseguido na época pelos militares por integrar a organização ANL (Ação Libertadora Nacional) uma guerrilha que lutava contra a implantação do regime militar no país.

Após ter sido mantido nos porões do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e depois transferido para o presídio Tiradentes, Tito foi levado para a sede da Operação Bandeirante. Durante todo esse período compreendido entre 17 a 27 de fevereiro de 1970, Tito foi torturado com diversas pancadas em sua cabeça, queimaduras pelo corpo, choques elétricos (sendo principalmente na língua) tudo isso preso no pau de arara de cabeça para baixo. Não suportando as torturas tentou se suicidar, sendo socorrido e retornado ao presídio.

Incluído na lista de presos políticos para a troca com o embaixador suíço que tinha sido sequestrado, o frei foi expulso do Brasil, passando pelo Chile, Itália, finalmente se instalando na França sendo acolhido pelos católicos franceses, pouco tempo depois não suportando o trauma das torturas sofridas comete suicídio novamente enforcando-se numa árvore, em setembro de 1974.

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