Trump: o perigo de fora do “establishment”

Candidato avulso lidera as pesquisas eleitorais e expressa crise do Partido Republicano e do sistema político norte-americano

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Nesta terça-feira, 9 de fevereiro, Donald Trump, pré-candidato à presidência pelo Partido Republicano, venceu a segunda etapa das eleições primárias. Depois de ficar em segundo lugar no estado de Iowa na semana passada, Trump confirmou seu favoritismo nas pesquisas em Nova Hampshire. Com 35% dos votos, Trump ficou muito à frente do segundo colocado no estado, John Kasich, governador de Ohio, que ficou com 16%.

Na semana passada, Trump acusou Ted Cruz, candidato do Tea Party para concorrer à presidência pelos republicanos, de ter fraudado a votação no Iowa. Trump, um bilionário do ramo imobiliário e celebridade televisiva, é um candidato avulso, que tem aparecido nas pesquisas eleitorais como o republicano com mais chances de vencer as primárias e ser candidato à presidência. Em Iowa, terminou em segundo lugar, surpreendido pela votação de Cruz. Seu favoritismo, dessa confirmado com ampla vantagem em Nova Hampshire, expressa uma crise no Partido Republicano, parte de uma crise do sistema político norte-americano em geral.

Enquanto Trump lidera as pesquisas rumo à candidatura pelos republicanos à presidência, o candidato de Wall Street, Jeb Bush, governador da Florida, ficou com apenas 11% dos votos em Nova Hampshire, terminando em 4º lugar entre os pré-candidatos de seu partido. Na votação anterior, em Iowa, Jeb Bush ficou em sexto, com apenas 3% dos votos. Bush é de muito longe o candidato republicano com a campanha mais cara. Assim como Hillary Clinton do lado democrata, o irmão do ex-presidente George W. Bush é o candidato do mercado financeiro.

Desde o momento em que Trump começou a liderar as pesquisas a imprensa capitalista norte-americana tratou de fazer uma forte campanha contra o candidato. Mesmo a Fox News, canal de televisão que representa a extrema-direita, faz uma violenta campanha para tentar freiar a candidatura de Trump. Sua candidatura foi lançada para dividir os eleitores e evitar a ascensão de Scott Walker. A manobra saiu de controle.

Trump não representa a ala de extrema-direita dos republicanos, mas tem feito propostas de extrema-direita durante sua campanha, como proibir a entrada de muçulmanos no País e fazer um muro na fronteira com o México para que “imigrantes ilegais” não possam mais entrar nos EUA. Uma possível disputa entre Trump e Bernie Sanders, pelo Partido Democrata, nas eleições presidenciais do ano que vem, será uma disputa com uma enorme polarização. Sanders, pelos democratas, também expressa uma crise de seu partido (e do sistema político norte-americano de conjunto) e está muito à esquerda de Hillary Clinton.

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