Arquivo do autor:Perci Marrara

Reunião da Frente Brasil Popular hoje, às 15h

golpe nunca mais

Na quadra dos bancários, em São Paulo

Começa a acontecer uma mobilização em todo o país para defender o ex-presidente Lula preso hoje pela Polícia Federal e lutar contra o golpe de estado.

A direita finalmente conseguiu o que queria. Prendeu o maior líder popular do país, uma referência para esquerda nacional e internacionalmente.

É preciso que toda a população se organize para participar de todas as frentes de mobilização. Está em jogo os direitos democráticos, o estado de direito e o poder do estado. É preciso lutar contra o golpe, nas ruas, por todos os meios necessários.

A Frente Brasil Popular está convocando para acontecer hoje, em São Paulo, na Quadra dos Bancários, às 15h. A Quadra dos Bancários fica na Rua Tabatinguera, próximo ao metrô Sé, São Paulo.

CUT convoca militância a lutar contra o golpe

cut nao ao golpe

Sindicatos e sedes da CUT nacionalmente farão vigília

Diante da prisão do ex-presidente petista Lula, a Central Única dos Trabalhadores está convocando nacionalmente a mobilização para lutar contra o golpe de estado.

“É o golpe que vem sendo construído pela direita há meses, sendo colocado em prática com a parceria dos grandes meios de comunicação do país, de parte da PF, do Ministério Público e da oposição”.

A direção da CUT chama a unificação de todos os movimentos e construir uma ação organizada.

“Vamos começar com uma vigília permanente no lugar mais apropriado em cada uma das cidades – pode ser a sede da CUT, um sindicato -, enfim, um local onde a militância possa demonstrar que está unida em defesa de Lula, enquanto aguarda orientações sobre os próximos passos.

É importante ter em mente que: 1) temos de organizar a luta; 2) fazer a vigília; 3) ação permanente será comunicada durante o dia de hoje”.

Aborto: Uma afirmação contra o besteirol e a hipocrisia

“O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia”

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À BBC Brasil, o médico Drauzio Varella deu uma entrevista na qual faz afirmações importantes, que tratam de maneira precisa o problema no aborto no Brasil.

Por aqui a interrupção da gestação é a quarta causa de morte materna. Isso considerando os casos registrados como o aborto tendo sido a causa da morte. Sendo que muitos podem ter como causa o aborto, mas serem registrados como qualquer outro problema, seja infecção, hemorragia etc.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, todos os anos são registrados mais de 100 mil casos de internações que têm relação com aborto. Esses casos são, em sua maioria, de mulheres que realizaram abortos clandestinos, geralmente em situação de risco, sem condições mínimas de higiene etc., e acabam tendo de ser internadas, seja por problemas como hemorragias, seja para a realização de procedimentos como a curetagem.

Essas internações além de serem onerosas para o estado significam que as mulheres estão realizando abortos em condições inadequadas e correndo riscos desnecessários, uma vez que o aborto feito em condições ideais sequer necessita de internação da paciente.

Para quem tem dinheiro, o aborto já é livre no Brasil

Uma palavra de ordem do movimento de mulheres diz: “essa hipocrisia gera hemorragia”. Mas que mulheres acabam nos hospitais com sequelas de um aborto clandestino? Em sua grande maioria, mulheres pobres que recorreram a métodos diversos (chás abortivos, introdução de instrumentos pontiagudos no útero ou que se submeteram a açougues humanos que são boa parte das clínicas de aborto no país; isso quando não é feito simplesmente no fundo do quintal por pessoas sem qualquer preparo para realizar o procedimento).

É nesse sentido que a afirmação de Drauzio Varella é uma verdade incontestável.  O médico diz que a forma como a questão do aborto é tratada no País é uma grande hipocrisia e que para quem tem dinheiro a prática já é legalizada. “O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia”, disse.

Mesmo com a ofensiva reacionária, que tem feito a polícia agir perseguindo mulheres por aborto, o alvo são as mais pobres. Nos últimos anos em vários estados do país clinicas foram fechadas. Mulheres foram presas. Dificilmente isso ocorre nas clínicas de luxo, onde pode-se cobrar até 15 mil reais por um aborto.

“A mulher rica faz normalmente e nunca acontece nada. Já viu alguma ser presa por isso? Agora, a mulher pobre, a mulher da favela, essa engrossa estatísticas. Essa morre”, diz Varela, que conclui: “Proibir o aborto é punir quem não tem dinheiro”.

É interessante notar que esse posicionamento progressista do médico não tenha tanto espaço nas mesmas TVs em que fala sobre tantos outros assuntos.

Hipocrisia de toda sociedade

Segundo pesquisa realizada em 2010, “uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida, o equivalente a uma multidão de 5 milhões de mulheres”. Na faixa etária entre “35 e 39 anos a proporção é ainda maior: uma em cada cinco mulheres já fez um aborto”. A imensa maioria ilegais e inseguros. O perfil dessas mulheres foi o que mais chamou a atenção: tem filhos é casada e se definiam como religiosas, cristãs. Do “total de mulheres que declaram na pesquisa já terem feito pelo menos um aborto, 64% são casadas e 81% são mães. Pouco menos de dois terços das mulheres que fizeram aborto são católicas, um quarto protestantes ou evangélicas”.

Esses números mostram que a hipocrisia é de toda a sociedade e passa inclusive pelas diversas religiões que proíbem o aborto. E principalmente das autoridades que mantém a ilegalidade do aborto diante dessa realidade, misturando fé e legislação; pecado e crime.

Para transformar essa realidade, conceder direitos democráticos às mulheres e garantir o estado laico é passada a hora de o Brasil legalizar o aborto.

Daí que mais uma declaração de Drauzio Varella faça também todo sentido: “se não está de acordo, não faça, mas não imponha sua vontade aos outros.”

Pela imediata legalização do aborto

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A gravidade da situação do aumento de mulheres infectadas com o zika vírus demonstrou que o Brasil tem fugido de um tema inevitável, a questão da legalização do aborto.

O país cujo Código Penal remonta o Estado Novo (1940) permite o aborto em casos de gestação resultado de estupro e quando oferece risco de morte para a mãe. Em 2010, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) também ficou autorizada a interrupção da gestação em casos de feto com anencefalia. Algo muito restrito diante de uma realidade cada vez mais complexa.

A decisão do STF foi específica. Apenas casos de anencefalia, comprovados com laudos médicos. Mas a complexidade da realidade mostra a limitação dessa decisão e da legislação brasileira. A questão da microcefalia é um exemplo disso.

Milhares de mulheres, provavelmente picadas pelo mosquito aedes aegypti tiveram filhos com microcefalia. Provavelmente picadas, por que está sendo descoberto que a transmissão pode ocorrer por meios diversos, como pela saliva e a própria relação sexual.

Essas infecções têm aumentado o número de mulheres que estão recorrendo ao aborto clandestino. É importante destacar que isso se agrava entre as camadas proletárias, já que não apenas a transmissão ocorre mais entre as trabalhadoras (bairros operários, sem saneamento básico, por exemplo, são onde a proliferação do mosquito é maior), mas também porque são elas que não têm recursos para pagar por um aborto em clínicas etc. Um exemplo disso é que o Nordeste é a origem da epidemia que nesse momento se espalha por todo o país.

É necessária uma imediata mudança na legislação do aborto. Não dá mais para negar que o aborto é uma realidade e que essa realidade deve se impor diante de restrições meramente morais, motivadas por crenças religiosas que não podem mais se impor sobre a população e definir as normas legais de um país que se pretende laico.

É necessário legalizar o aborto no Brasil. Garantir às mulheres o direito de decidir sobre a manutenção ou não de uma gestação. Somente a própria mulher grávida pode julgar sua capacidade de levar adiante a gestação.

Esse é o melhor momento para defender a mudança na legislação e garantir esse direito elementar às mulheres. É o momento de o governo petista atender a esta reivindicação histórica e manifestar-se diante desse problema contemplando uma necessidade material, garantindo o direito das mulheres.

Aborto e zika: a hipocrisia vai resistir à epidemia?

 

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Internacionalmente, a campanha contra o aborto é permanente por parte da Igreja Católica e encontra eco em muitas outras igrejas cristãs, no espiritismo etc. Pura hipocrisia.

Na política não é muito diferente. Nesse caso, reina o cinismo. Às vezes recheado de demagogia. Quando é de esquerda, diante dos movimentos sociais vale o tapinha nas costas e a defesa do direito da mulher, e na televisão diante de milhões de pessoas a negação do aborto. Quando é a direita, nem demagogia. Para eles, aborto deve ser crime hediondo como defende, por exemplo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

Tudo isso mistifica, cria uma cortina de fumaça sobre uma questão que diz respeito a direitos e saúde pública (agora mais do que nunca).

O zika vírus chegou em meio a esta realidade. E o vírus que ao contaminar mulheres grávidas pode causar microcefalia no feto, está se tornando o motor de um amplo debate sobre este problema e, quem sabe, levar a ações concretas como a legalização do aborto.

A epidemia

Começou no Nordeste. A razão inegável: as precárias condições de saúde pública e infraestrutura. O mosquito, aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya, é típico de áreas onde falta saneamento básico, por exemplo. Falta prevenção. Daí que as mulheres pobres estejam mais expostas ao vírus, às picadas.

Para evitar a contaminação o Ministério da Saúde e especialistas orientam que as mulheres grávidas, ou que queiram engravidar, evitem ser picadas; como? Usando roupas que cubram a maior parte do corpo. Ou evitem ficar grávidas.

Ignoram que a maioria das gestações não é planejada e que no país são altos os índices de estupro, portanto, são altas as chances de uma gestação indesejada também por isso. Além do que, pesquisas recentes afirmam que a transmissão do zika pode se dar também pela saliva e relação sexual. Ou seja, todas as mulheres correm o risco de, grávidas, contrair o zika e ter fetos que desenvolvam a microcefalia ou outras malformações relacionadas.

Até agora autoridades afirmam que chegam a quatro mil os casos suspeitos de microcefalia causadas pelo zika.

O direito das mulheres

Há anos que o movimento de mulheres luta pelo direito ao aborto. Muitas mulheres, sozinhas em sua decisão de interromper a gestação em um verdadeiro ato de desobediência civil, também estão de alguma maneira fazendo o mesmo.

Agora todo o país está discutindo o tema. Ainda com muita hipocrisia e cinismo. Ainda sem ouvir as mulheres, mas é inegável que o assunto veio à tona, está nos jornais e nas conversas.

É o momento de aproveitar a mobilização em torno do problema da microcefalia e legalizar o aborto e tirar, ao menos nesse aspecto, o país do atraso.