Arquivo do autor:Rui Costa Pimenta

Julian Assange recebe sua lição em democracia, segundo o imperialismo

A perseguição desencadeada pelo conjunto dos governos imperialistas contra Julian Assange , e que levou a que se entregasse para evitar o pior, é uma lição mundial em democracia, segundo os guardiães do regime supostamente democrático mundial, os países imperialistas.
Em nome da democracia, invadiram, mataram, roubaram e cometeram genocídio. Agora, a dita democracia revela-se uma farsa, uma ficção. Ela existe apenas e tão somente na medida em que a oposição, mesmo de dentro da burguesia, seja inócua.
Os que decidem tomar armas para desafiar o monstro imperialista são implacavalmente perseguidos e massacrados. São sequestrados em qualquer lugar do mundo e torturados em uma das muitas bases secretas do imperialismo espalhadas pelo mundo. Os governos se unem para perseguir os que lutam desta forma em todos os lugares. Quando são encontrados, como vimos em Israel, na Colômbia e em várias partes do mundo, são exterminados sem complacência.
A muitos, essa ferocidade tipicamente imperialista parece justificada, porque os que estão sendo exterminados são violentos, como se não estivessem apenas reagindo de maneira muito desigual à extrema violência dos seus inimigos, dos seus opressores.
Agora, no entanto, vemos um jornalista, cuja arma é computador, que substitui a metáfora do pena, que luta com a palavra contra o imperialismo, ser caçado como um animal feroz.
Primeiro foi acusado de estupro, uma falsificação policialesca que somente os idiotas ou os muito mal intencionados podem admitir. A farsa ampliou-se quando um acusado de estupro foi colocado no topo da lista dos mais procurados da Interpol. Finalmente, o próprio Wikileaks foi atacado pelo imperialismo, despejado das grandes empresas de comunicação a mando do governo norte-americana e empresas como a administradora de cartões Visa, decidiram suspender as contribuições numerosas que chegavam em apoio à ação do Wikileaks.
Julian Assange entregou-se à justiça e, contra qualquer senso, foi-lhe negado o direito à fiança. Assange denunciou que sua vida corria perigo. Quem pode duvidar?
O cerco fechou-se de todos os lados. Todos os instrumentos a serviço do grande capital internacional foram colocados serviço do esmagamento de um inimigo.
Muitos alimentam nos trabalhadores e no povo a idéia de que é possível mudar o mundo por meios não revolucionários, por reformas graduais, sem destruir este poder monstruoso que controla o mundo. O caso Wikileaks vem uma vez mais demonstrar que isso não passa de uma doce e tola ilusão. O imperialismo nunca cedeu terreno senão diante da violência que ele mesmo desencadeou com a sua selvageria ou diante da ameaça palpável de violência. O último e mais significativo exemplo foi o Iraque. A reação popular à ocupação militar e à devastação econômica do país colocaram um freio à ofensiva violenta do imperialismo. O mesmo deve ser dito do Afeganistão.
O caso Assange mostra, ao lado de muitos exemplos, que somente a organização e a mobilização do povo para uma dura luta poderá derrotar o imperialismo e que a democracia nada mais é do que uma fachada da ditadura mais poderosa e brutal que já existiu no planeta

Julian Assange e a diplomacia secreta

O caso Wikileaks surpreendeu a muitos. Considera-se, por uma espécie de senso comum que cumpre um papel retógrado na política, que seria um ato que viola os direitos do governo norte-americano. Trata-se de um engano, mais um nesta história cheia de enganos e confusões estimuladas propositalmente pela imprensa e pelos políticos imperialistas.
O ataque ao Wikileaks e suas revelações é a defesa da diplomacia secreta, uma tradicional arma do imperialismo contra os povos do mundo, em particular contra o povo do seu próprio país.
O governo democrático, um conceito cujo sentido foi perdido, é aquele controlado pelo povo, pelos cidadãos. A democracia secreta, por sua vez, é o governo realizado pelas costas do povo. O governo articula guerras e tratados que, se revelados, deixariam claro o verdadeiro sentido da guerra. O povo é mantido no escuro, mas é arrastado para a carnificina sem ter o conhecido de quais são os verdadeiros objetivos daquela guerra. Se soubessem de antemão, não iriam, simplesmente.
O povo norte-americano tem sido sistematicamente arrastado, contra a sua vontade para diferentes aventuras militares do imperialismo norte-americano a partir da década de 1930. Roosevelt foi eleito com uma plataforma contrária à participação dos EUA na guerra. O episódio de Pearl Harbour, em grande medida uma armação do próprio governo dos EUA, serviu como pretexto para suberter a decisão popular. A escala do imperialismo norte-americano no Vietnã foi impingida aos norte-americanos com uma notória fraude, o incidente com barcos norte-americanos no Golfo de Ton-Kin.
As recentes guerras do Iraque e do Afeganistão são fraudes ainda mais escandalosas onde, em nome de proteger o cidadão do terror, foram atrás de uma posição econômica e política, sem falar do petróleo, no Oriente Médio.
A diplomacia secreta não é o governo do povo, pelo povo e para o povo, como gostam os liberais burgueses de descrever a democracia capitalista, mas o governo de uma minoria, às costas do povo e contra o povo. O sangue derramado será sempre do povo, os espólios, das grandes companhias que dividem entre si o mundo, cada vez menor.
Quaisquer que sejam os interesses e articulações por detrás da revelações do Wikileaks e de Julian Assange – e as há, com certeza, porque empreendimentos desta envergadura e consequência, nunca são obra de cidadãos isolados com boa intenção -, o fato é que está sendo prestado um enorme serviço à luta tanto contra o imperialismo em geral, como para desmascarar a farsa que é a democracia imperialista.
Os povos do mundo devem exigir, como o fez Lênin diante da I Guerra Mundial – reivindicação depois executada pelo governo bolchevique, que sejam publicados todos os tratados secretos e ações secretas e submetidas ao escrutínio popular. Naquele momento, Lênin denunciou que, como hoje, os prextestos sagrados e morais para a guerra, ou seja, impedir a ditadura deste ou a agressividade daqueles, escondiam uma política de verdadeiros assaltantes à mão armada à procura de matérias-primas e mercados para os seus capitalistas em concorrência com os capitalistas da nação inimiga.
A conduta de Julian Assange e do Wikileaks deve ser defendida como uma ação democrática contra o imperialismo e ampliada em escala nacional com a denúncia dos tratados e ações secretas da diplomacia e dos países imperialistas e seus lacaios como Lula que está tirando as castanhas do fogo no Haiti no lugar do imperialismo norte-americano.
Todos estes acontecimentos, em particular a perseguição brutal a Assange, estão colocando às claras para todo o mundo, a completa falência e apodrecimento das democracias imperialistas. Os direitos dos cidadãos e dos povos, está cada vez mais claro, passa à mãos dos trabalhadores do mundo e somente poderá subsistir no socialismo, com o fim da propridade privada e do Estado dominado pelos capitalistas.

Atenção para a declaração dos juízes para a democracia sobre o RJ

Publicamos aqui a declaração da AJD, associação dos juízes para a democracia, que assinala o que vimos dizendo neste blog: a ação do governo no Rio é um atentado contra o Estado de direito e não a sua defesa como quer cinicamente o governo e a direita oposicionista, que nisso estão unidos

À MARGEM DA LEI TODOS SÃO MARGINAIS

A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, fundada em 1991, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, em consideração às operações policiais e militares em curso no Rio de Janeiro, vem manifestar preocupação com a escalada da violência, tanto estatal quanto privada, em prejuízo da população que suporta intenso sofrimento.

Para além da constatação do fracasso da política criminal relativamente às drogas ilícitas no país, bem como da violência gerada em razão da opção estatal pelo paradigma bélico no trato de diversas questões sociais que acabam criminalizadas, o Estado ao violar a ordem constitucional, com a defesa pública de execuções sumárias por membros das forças de segurança, a invasão de domicílios e a prisão para averiguação de cidadãos pobres perde a superioridade ética que o distingue do criminoso.

A AJD repudia a naturalização da violência ilegítima como forma de contenção ou extermínio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional.

O monopólio da força do Estado, através de seu aparato policial, não pode se degenerar num Estado Policial que produz repressão sobre parcela da população, estimula a prestação de segurança privada, regular e irregularmente, e dá margem à constituição de grupos variados descomprometidos com a vida, que se denominam esquadrões da morte, mãos brancas, grupos de extermínio, matadores ou milícias.

Por fim, a AJD reafirma que só há atuação legítima do Estado, reserva da razão, quando fiel à Constituição da República.

Julian Assange e a diplomacia secreta

O caso Wikileaks surpreendeu a muitos. Considera-se, por uma espécie de senso comum que cumpre um papel retógrado na política, que seria um ato que viola os direitos do governo norte-americano. Trata-se de um engano, mais um nesta história cheia de enganos e confusões estimuladas propositalmente pela imprensa e pelos políticos imperialistas.
O ataque ao Wikileaks e suas revelações é a defesa da diplomacia secreta, uma tradicional arma do imperialismo contra os povos do mundo, em particular contra o povo do seu próprio país.
O governo democrático, um conceito cujo sentido foi perdido, é aquele controlado pelo povo, pelos cidadãos. A democracia secreta, por sua vez, é o governo realizado pelas costas do povo. O governo articula guerras e tratados que, se revelados, deixariam claro o verdadeiro sentido da guerra. O povo é mantido no escuro, mas é arrastado para a carnificina sem ter o conhecido de quais são os verdadeiros objetivos daquela guerra. Se soubessem de antemão, não iriam, simplesmente.
O povo norte-americano tem sido sistematicamente arrastado, contra a sua vontade para diferentes aventuras militares do imperialismo norte-americano a partir da década de 1930. Roosevelt foi eleito com uma plataforma contrária à participação dos EUA na guerra. O episódio de Pearl Harbour, em grande medida uma armação do próprio governo dos EUA, serviu como pretexto para suberter a decisão popular. A escala do imperialismo norte-americano no Vietnã foi impingida aos norte-americanos com uma notória fraude, o incidente com barcos norte-americanos no Golfo de Ton-Kin.
As recentes guerras do Iraque e do Afeganistão são fraudes ainda mais escandalosas onde, em nome de proteger o cidadão do terror, foram atrás de uma posição econômica e política, sem falar do petróleo, no Oriente Médio.
A diplomacia secreta não é o governo do povo, pelo povo e para o povo, como gostam os liberais burgueses de descrever a democracia capitalista, mas o governo de uma minoria, às costas do povo e contra o povo. O sangue derramado será sempre do povo, os espólios, das grandes companhias que dividem entre si o mundo, cada vez menor.
Quaisquer que sejam os interesses e articulações por detrás da revelações do Wikileaks e de Julian Assange – e as há, com certeza, porque empreendimentos desta envergadura e consequência, nunca são obra de cidadãos isolados com boa intenção -, o fato é que está sendo prestado um enorme serviço à luta tanto contra o imperialismo em geral, como para desmascarar a farsa que é a democracia imperialista.
Os povos do mundo devem exigir, como o fez Lênin diante da I Guerra Mundial – reivindicação depois executada pelo governo bolchevique, que sejam publicados todos os tratados secretos e ações secretas e submetidas ao escrutínio popular. Naquele momento, Lênin denunciou que, como hoje, os prextestos sagrados e morais para a guerra, ou seja, impedir a ditadura deste ou a agressividade daqueles, escondiam uma política de verdadeiros assaltantes à mão armada à procura de matérias-primas e mercados para os seus capitalistas em concorrência com os capitalistas da nação inimiga.
A conduta de Julian Assange e do Wikileaks deve ser defendida como uma ação democrática contra o imperialismo e ampliada em escala nacional com a denúncia dos tratados e ações secretas da diplomacia e dos países imperialistas e seus lacaios como Lula que está tirando as castanhas do fogo no Haiti no lugar do imperialismo norte-americano.
Todos estes acontecimentos, em particular a perseguição brutal a Assange, estão colocando às claras para todo o mundo, a completa falência e apodrecimento das democracias imperialistas. Os direitos dos cidadãos e dos povos, está cada vez mais claro, passa à mãos dos trabalhadores do mundo e somente poderá subsistir no socialismo, com o fim da propridade privada e do Estado dominado pelos capitalistas.

Rio de Janeiro: revela-se a inexistência do Estado de direito

Os apologistas “democráticos” do governo Lula, diante do banho de sangue e das arbritrariedades nos morros do Rio de Janeiro, saíram-se com esta pérola: “agora, o Estado e o Estado de direito chegaram às comunidades do Rio de Janeiro”. O Estado talvez, o Estado de direito, certamente não.
O Estado de direito, segundo a tradição bárbara da direita nacional, que remonta aos tempos da escravidão, é aquele estado que esmagada o oprimido de acordo com a vontade do opressor, sem lei alguma, porque o oprimido simplesmente não entra da categoria, já não digamos de cidadão, mas mesmo de ser humano.
Isto ficar claro quando um dos órgãos de imprensa mais típicos da direita nacional, a revista Veja, suposta defensora da “lei e da ordem“ bem como “moral e dos bons costumes” faz a defesa rasgada do “super-herói brasileiro”, o capitão Nascimento do filme ”Tropa de Elite.” Ocorre que o “herói” não passa de uma criminoso fardado e amparado pelo Estado. Uma pessoa que executa friamente e tortura nada mais é que um criminoso, principalmente se estiver usando um uniforme de policial. A defesa do “herói”, nesse sentido, nada mais é que a apologia do crime e, pior, do crime cometido pelo Estado contra a parcela mais pobre da população.
Não sabemos se o Estado chegou à favelas cariocas na invasão militar da última semana. Nos consta que a rede de corrupção nas favelas envolve, em grande escala os representantes do Estado como políticos, membros do judiciário e policiais e, nesse sentido, o Estado sempre esteve lá, aparentemente, e a situação ali existente, de pobreza, de opressão e exploração sem limites daquela população operária bem como o próprio tráfico de drogas é garantida e abençoada pelo Estado capitalista. Em todo caso, uma coisa é absolutamente inconstestável, se o Estado chegou ali agora, não foi certamente o Estado de direito.
A utilização das Forças Armadas, a política de guerra civil, o estabelecimento do Estado de Sítio, a completa eliminação de todos os direitos constitucionais de uma população de quase um milhão de pessoas,não é o Estado de direito, mas ditadura, o Estado da arbitrariedade.
A tradição de selvageria nacional é a de que a função do direito é a de liquidar toda a liberdade do cidadão, amordaçá-lo, manietá-lo, torná-lo um refém do Estado, ou seja, das grandes corporações que o dominam. Por este motivo, todos os dias, um órgão ou um representante político da direita nacional se levanta para aprovar uma lei para castrar mais um fragmento da liberdade residual do cidadão brasileiro em nome de conceitos morais que lhes são próprios. Assim, a corrupção foi usada para roubar ao eleitor a maior parte dos seus direitos, a começar pelo direito de constituir partidos. O direito de greve foi aniquilado e, até mesmo, o direito de organização sindical. A liberdade de expressão tornou-se pouco mais que uma piedosa ficção. Poderíamos dar milhares de exemplos.
Ocorre que isto não é o “império da lei”, apesar de ser feito formalmente através aparência legal, mas o império da mais completa arbitrariedade. Nesse sentido, a ideologia democrática brasileira é a ideologia de qualquer ditadura, que também tem leis, para proteger o Estado (da classe dominante) do cidadão e não para garantir a liberdade do cidadão diante da opressão e, em particular, diante da opressão maior que é a opressão de um Estado não colocado sob a limitação da lei.
O Estado de direito – que os ideólogos cínicos ou ignorantes do governo afirmam ter entrado nos morros cariocas – só é Estado de direito quando o Estado, perdoem-nos a tautologia, está baseado no direito, na lei, quer dizer, cumpre a lei. Quando o Estado e o império da lei estão representados pelo capitão Nascimento e pela ditadura militar no Rio de Janeiro, é tão Estado de direito como o Estado nazista ou como as monarquias medievais. Se o Estado não cumpre a lei – o que se tornou a regra não apenas no Brasil como no mundo – não é um Estado de direito, mas o reino da arbitrariedade e da selvageria, o bellum omnium contra omnes , a tirania desbridada.
Os acontecimentos do Rio de Janeiro não colocam em pauta o fim do Estado de direito porque este, na realidade, nunca existiu de fato no Brasil.
A ditadura foi derrubada pela ação do povo, em particular dos estudantes e da classe operária brasileira que saíram às ruas para eliminar a organização política dos mesmos que estão pregando a necessidade da ocupação das favelas. O que foi colocado no seu lugar não foi um regime constitucional, um Estado de direito, mas um regime de arbitrariedade, a mesma ditadura com um verniz constitucional que seria utilizado como instrumento para anestesiar a mobilização operária e popular. À medida em que esta mobilização foi cedendo diante das derrotas e das manobras dos seus líderes, a velha ditadura foi atravessando o verniz e vem se restabelecendo claramente, plenamente. Os trabalhadores não conquistaram o direito de greve no Congresso Nacional, mas nas fábricas, nas próprias greves. As greves e não a lei escrita estabeleceram o direito de greve e, justamente por isso, este e todos os demais direitos somente poderiam sobreviver por meio da mobilização que o impunha de facto e o sustentava. Quando a mobilização operária não foi mais capaz de sustentá-lo, ele foi abolido e as greves estão à mercê do arbítrio dos juízes, ou seja, dos patrões.
A maioria dos brasileiros considera que o PT é o partido democrático no Brasil, enquanto que PSDB e outros seriam os partidos antidemocráticos. Isso não corresponde à realidade. O PSDB é um partido antidemocrático, sem qualquer dúvida, mas sua política, que nada mais é que a tentativa de restabelecer plenamente a ditadura militar, foi derrotada pelas massas mobilizadas. O maior inimigo da democracia é, justamente, o PT e seus aliados na esquerda como o PcdoB, porque, em troca de sua ascensão aos principais postos no Estado capitalista, trabalhou para liquidar a mobilização popular para torná-la passível de ser controlada como instrumento eleitoral no marco do regime existente. Ocorre que o regime existente só mantem uma aparência democrática devido ao medo que a burguesia tem da mobilização popular, ou seja, da revolução dos explorados contra os exploradores. O estrangulamento da luta e da organização operária e popular com a corda das eleições vem fazendo com que a direita levante cada vez mais a cabeça.
O Rio de Janeiro é mais um exemplo dessa política que conduz diretamente à derrota e ao esmagamento de qualquer mobilização democrática. Lula, o PT e o PcdoB justificam a ditadura militar, defendem a anarquia que se estabeleceu no Rio de Janeiro porque este é o desejo dos que efetivamenente controlam o Estado, os grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. Fazendo isso, servem como cobertura para a direita, paralisam o protesto popular contra a política da direita.
Ocorre também que a política da direita tem um sentido estratégico, a do PT não. O PT, na realidade, não tem política alguma. A sua política é conciliar os interesses dos grandes capitalistas e da direita, ou seja, dos agentes diretos do imperialismo dentro do Brasil, e as reivindicações e necessidades das massas populares, o que só pode levar a uma política que vive do dia a dia. No final, a recompensa da esquerda oportunista a serviço da burguesia, que são as posições ocupadas no Estado, serão retiradas também como culminação do processo de liquidação de qualquer possibilidade de intervenção política das massas.
A luta contra a direita e a ditadura requer a mais completa independência do PT, da sua política e uma renovação completa das organizações de massa no Brasil, a começar pela construção de um partido operário.
Chama a atenção, também, o caráter profundamente despolitizado da esquerda nacional em geral que mal protesta contra esta política e que, certamente, não tem uma concepção de conjunto sobre a questão. Atuam como se imposição sistemática desta ditadura fosse uma questão de importância secundária, senão totalmente desimportante.