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O caso Wikileaks uma vez mais traz à tona a hipocrisia da imprensa capitalista

E se ao invés do Império Americano fossem os subdesenvolvidos esquerdistas burgueses como Hugo Chavez, Evo Morales, Rafael Correa ou Lula que estivessem perseguindo e tentando colocar na cadeia com acusações forjadas de estupro o fundador do Wikileaks, Julian Assange?
Não, não é preciso imaginar nada. Quando Hugo Chavez decidiu não renovar a concessão pública de TV a um dos monopólios capitalistas da comunicação na Venezuela, os céus caíram. Quem não se lembra? A palavra monstro não era suficiente para descrever o perigoso e alucinado “ditador” venezuelano, ameaça para a sagrada liberdade de toda a América Latina e de todo o mundo. Até mesmo o impoluto e democrático Congresso Nacional brasileiro realizou uma sessão especial para protestar contra tal vileza.
A imprensa capitalista nacional está obrigada a dizer algumas piedosas palavras em defesa de Julian Assange, até porque a “liberdade de imprensa” já foi escolhida como um das suas principais armas na oposição ao governo do PT pelos próximos anos. Mas a ninguém escapa a completa falta de entusiasmo dos direitistas que, em outras ocasiões, enchem a boca com a expressão “liberdade de imprensa. Particularmente, não escapa que, a julgar pela imprensa capitalista no Brasil, que coloca o tema como muito secundario, para encobrir as denúncias contra o seu patrão, o governo imperialista norte-americano, pareceria que Assange não está sendo perseguido pelo governo norte-americano em conluio com os demais governos imperialistas mundiais, mas pelas Fúrias da mitologia grega.
Que cinismo! Que capacidade para a dissimulação! Que talento para manipulação! Como tudo isso descreve perfeitamente esta carcomida instituição que é grande imprensa capitalista nacional!
E no estrangeiro? A única diferença está em que a capacidade de dissimulação é maior. Mesmo os jornais, como o New York Times norte-americano, o Guardian britânico, o Le Monde francês equilibram as denúncias feitas por Assange como as denúncias feitas contra Assange, estas últimas produto claro de uma perseguição assustadora a um único homem.
Sutis, eles não acusam, levantam indagações. Não será que Assange, apesar de todas as suas excelentes intenções democráticas, não estaria servindo como um instrumento cego ao neo-cons norte-americanos que querem utilizar as denúncias como arma contra o governo Obama e a própria internet? Não podemos simplesmente deprezar as acusações de estupro contra Assange, tudo precisa ser esclarecido. É preciso ver todos os lados da questão! As pobres moças que denunciaram Assange estão sofrendo mais que ele, declara de maneira ainda mais cínica, os advogado das acusadoras convenientíssimas para o imperialismo. O governo da Suécia declara que não é instrumento de intrigas políticas internacionais. A poderosa Suécia dobrar-se-ia aos EUA? Liberdade para Assange? Esta reivindicação e os movimentos que suscitam não parecem ser um bom assunto para matérias jornalísticas sérias. É a camuflagem perfeita. Mais ainda, é o crime perfeito!
Aguém declarou que o caso Wikileaks é o 11 de setembro da diplomacia norte-americana. É oportuno completar dizendo que colocou em xeque a imprensa capitalista mundial cuja reivindicação cínica da liberdade de imprensa foi usada milhares de vezes para atacar governos que de um modo ou de outro resistiam ao imperialismo. A maior perseguição e a mais pérfida realizada contra um jornalista pelo maior poder sobre a face da terra dá lugar a tímidos arrulhos em torno da liberdade de imprensa. Que fracasso político!
Nada disso deve espantar. A grande imprensa capitalista, o monopólio capitalista no terreno das comunicações, são um dos maiores obstáculos para aliberdade e não só da imprensa. A imprensa capitalista mundial é o complemento indispensável da ditadura genocida implantada pelos governos imperialistas sobre o mundo e seu complemento necessário. Avançar na compreensão deste fato é mais um serviço prestado pelo Wikileaks de Julian Assange.

A revolução surge da crise

Quando do início da atual crise, quatro anos atrás, a burguesia mundial e seus costumeiros apologistas no mundo intelectual trataram de minizar seus efeitos, em particular, seus efeitos revolucionários inevitáveis. Buscaram demonstrar que a crise capitalista é um simples problema de administração financeira. Despejaram bilhões nos bancos para evitar a falência e prevenir o colapso econômico fulminante. O choque apocalíptico foi evitado, mas a crise continuou a se desenvolver sob novas formas.
O Estados capitalistas foram empurrados pela “simples operação contábil” de transferir dinheiro para os bancos para a beirada do precipício da falência. Daí surgiram os planos de austeridade, inclusive no país que, a acreditar nos políticos, jornalistas e intelectuais brasileiros, manteve-se à margem da crise. Dos planos de austeridade saíram as gigantescas mobilizações que estamos assistindo neste momento na Europa, onde a própria moeda européia está ameaçada de liquidação.
Espanha, Portugal, França, Itália, Grécia, Irlanda, Grã-Bretanha estão convulsionados por mobilizações para resistir aos ataques dos governos imperialistas contra as condições de vida dos povos.
O que leva estes governos a desafiar as populações mais desenvolvidas do mundo e que trabalharam tanto para manter pacificadas? A crise capitalista, que atua acima da vontade dos governos. Da crise nasce a revolução.
Estas mobilizações não são a revolução? Muito bem. Admitamos que são os primeiros passos na longa caminhada que conduz aos desmoronamento completo dos Estados. No entanto, os primeiros passos são parte inegável de um processo revolucionário. Ou não?
Uma parte da esquerda negou a tese de que a revolução nasce da crise porque, segundo ela, não há partido revolucionário. Um esquematismo evidente. O partido revolucionário deveria ser criado antes da crise. Seria, portanto, não um produto da evolução da massas e sim uma criação intelectual ou de laboratório. Os partidos revolucionários criam-se como parte do processo revolucionário e, mais, são a expressão mais sintomática da própria existência desse processo. À medida em que a crise evolui, pequenos grupos de teóricos apresentam, se a sua política corresponder em alguma medida ao processo em marcha, a tendência se transformar em grandes organizações com capacidade de dirigir o movimento revolucionário. Há uma relação recíproca de intercãmbio permanente entre a consciência e a organização cuja base, ou seja, cujo princípio e motor é, não obstante, a evolução da contradição entre as relações sociais estabelecidas e perimidas e o desenvolvimento permanente das forças produtivas da sociedade, o seu desenvolvimento material e não espiritual. Qualquer outra relação é impossível. Os partidos social-democratas conquistaram uma liderança através de diversas lutas revolucionárias e mantiveram a sua coesão relativamente no período pacífico das últimas décadas do século XIX. O partido de Lênin, normalmente tido como um modelo, construiu-se através de sucessivas ondas revolucionárias prévias a 1917, incluindo a significativa experiência de 1905. Tanto a revolução como o partido somente podem ser obra das massas, em uma medida muito maior e muito mais decisiva do que se pode dizer que a revolução é obra do partido. Só os partidários de filosofias idealistas podem acreditar que um partido possa ser construído à margem de uma revolução. Se assim fosse, seria uma obra metafísica, do espírito e não do mundo material.
Esta não é uma questão acadêmica, mas de política. A luta pela construção de um partido da classe operária capaz de guiar os passos desta classe em um período revolucionário tem que se apoiar sobre o próprio desenvolvimento do processo revolucionário e da experiência das massas.
Esta é a tarefa que está colocada para o próximo período para todos que acreditam que o socialismo é o resultado inevitável da “agonia mortal do capitalismo”, como muito apropriadamente descreveu Trótski.

Julian Assange recebe sua lição em democracia, segundo o imperialismo

A perseguição desencadeada pelo conjunto dos governos imperialistas contra Julian Assange , e que levou a que se entregasse para evitar o pior, é uma lição mundial em democracia, segundo os guardiães do regime supostamente democrático mundial, os países imperialistas.
Em nome da democracia, invadiram, mataram, roubaram e cometeram genocídio. Agora, a dita democracia revela-se uma farsa, uma ficção. Ela existe apenas e tão somente na medida em que a oposição, mesmo de dentro da burguesia, seja inócua.
Os que decidem tomar armas para desafiar o monstro imperialista são implacavalmente perseguidos e massacrados. São sequestrados em qualquer lugar do mundo e torturados em uma das muitas bases secretas do imperialismo espalhadas pelo mundo. Os governos se unem para perseguir os que lutam desta forma em todos os lugares. Quando são encontrados, como vimos em Israel, na Colômbia e em várias partes do mundo, são exterminados sem complacência.
A muitos, essa ferocidade tipicamente imperialista parece justificada, porque os que estão sendo exterminados são violentos, como se não estivessem apenas reagindo de maneira muito desigual à extrema violência dos seus inimigos, dos seus opressores.
Agora, no entanto, vemos um jornalista, cuja arma é computador, que substitui a metáfora do pena, que luta com a palavra contra o imperialismo, ser caçado como um animal feroz.
Primeiro foi acusado de estupro, uma falsificação policialesca que somente os idiotas ou os muito mal intencionados podem admitir. A farsa ampliou-se quando um acusado de estupro foi colocado no topo da lista dos mais procurados da Interpol. Finalmente, o próprio Wikileaks foi atacado pelo imperialismo, despejado das grandes empresas de comunicação a mando do governo norte-americana e empresas como a administradora de cartões Visa, decidiram suspender as contribuições numerosas que chegavam em apoio à ação do Wikileaks.
Julian Assange entregou-se à justiça e, contra qualquer senso, foi-lhe negado o direito à fiança. Assange denunciou que sua vida corria perigo. Quem pode duvidar?
O cerco fechou-se de todos os lados. Todos os instrumentos a serviço do grande capital internacional foram colocados serviço do esmagamento de um inimigo.
Muitos alimentam nos trabalhadores e no povo a idéia de que é possível mudar o mundo por meios não revolucionários, por reformas graduais, sem destruir este poder monstruoso que controla o mundo. O caso Wikileaks vem uma vez mais demonstrar que isso não passa de uma doce e tola ilusão. O imperialismo nunca cedeu terreno senão diante da violência que ele mesmo desencadeou com a sua selvageria ou diante da ameaça palpável de violência. O último e mais significativo exemplo foi o Iraque. A reação popular à ocupação militar e à devastação econômica do país colocaram um freio à ofensiva violenta do imperialismo. O mesmo deve ser dito do Afeganistão.
O caso Assange mostra, ao lado de muitos exemplos, que somente a organização e a mobilização do povo para uma dura luta poderá derrotar o imperialismo e que a democracia nada mais é do que uma fachada da ditadura mais poderosa e brutal que já existiu no planeta

Julian Assange e a diplomacia secreta

O caso Wikileaks surpreendeu a muitos. Considera-se, por uma espécie de senso comum que cumpre um papel retógrado na política, que seria um ato que viola os direitos do governo norte-americano. Trata-se de um engano, mais um nesta história cheia de enganos e confusões estimuladas propositalmente pela imprensa e pelos políticos imperialistas.
O ataque ao Wikileaks e suas revelações é a defesa da diplomacia secreta, uma tradicional arma do imperialismo contra os povos do mundo, em particular contra o povo do seu próprio país.
O governo democrático, um conceito cujo sentido foi perdido, é aquele controlado pelo povo, pelos cidadãos. A democracia secreta, por sua vez, é o governo realizado pelas costas do povo. O governo articula guerras e tratados que, se revelados, deixariam claro o verdadeiro sentido da guerra. O povo é mantido no escuro, mas é arrastado para a carnificina sem ter o conhecido de quais são os verdadeiros objetivos daquela guerra. Se soubessem de antemão, não iriam, simplesmente.
O povo norte-americano tem sido sistematicamente arrastado, contra a sua vontade para diferentes aventuras militares do imperialismo norte-americano a partir da década de 1930. Roosevelt foi eleito com uma plataforma contrária à participação dos EUA na guerra. O episódio de Pearl Harbour, em grande medida uma armação do próprio governo dos EUA, serviu como pretexto para suberter a decisão popular. A escala do imperialismo norte-americano no Vietnã foi impingida aos norte-americanos com uma notória fraude, o incidente com barcos norte-americanos no Golfo de Ton-Kin.
As recentes guerras do Iraque e do Afeganistão são fraudes ainda mais escandalosas onde, em nome de proteger o cidadão do terror, foram atrás de uma posição econômica e política, sem falar do petróleo, no Oriente Médio.
A diplomacia secreta não é o governo do povo, pelo povo e para o povo, como gostam os liberais burgueses de descrever a democracia capitalista, mas o governo de uma minoria, às costas do povo e contra o povo. O sangue derramado será sempre do povo, os espólios, das grandes companhias que dividem entre si o mundo, cada vez menor.
Quaisquer que sejam os interesses e articulações por detrás da revelações do Wikileaks e de Julian Assange – e as há, com certeza, porque empreendimentos desta envergadura e consequência, nunca são obra de cidadãos isolados com boa intenção -, o fato é que está sendo prestado um enorme serviço à luta tanto contra o imperialismo em geral, como para desmascarar a farsa que é a democracia imperialista.
Os povos do mundo devem exigir, como o fez Lênin diante da I Guerra Mundial – reivindicação depois executada pelo governo bolchevique, que sejam publicados todos os tratados secretos e ações secretas e submetidas ao escrutínio popular. Naquele momento, Lênin denunciou que, como hoje, os prextestos sagrados e morais para a guerra, ou seja, impedir a ditadura deste ou a agressividade daqueles, escondiam uma política de verdadeiros assaltantes à mão armada à procura de matérias-primas e mercados para os seus capitalistas em concorrência com os capitalistas da nação inimiga.
A conduta de Julian Assange e do Wikileaks deve ser defendida como uma ação democrática contra o imperialismo e ampliada em escala nacional com a denúncia dos tratados e ações secretas da diplomacia e dos países imperialistas e seus lacaios como Lula que está tirando as castanhas do fogo no Haiti no lugar do imperialismo norte-americano.
Todos estes acontecimentos, em particular a perseguição brutal a Assange, estão colocando às claras para todo o mundo, a completa falência e apodrecimento das democracias imperialistas. Os direitos dos cidadãos e dos povos, está cada vez mais claro, passa à mãos dos trabalhadores do mundo e somente poderá subsistir no socialismo, com o fim da propridade privada e do Estado dominado pelos capitalistas.

Atenção para a declaração dos juízes para a democracia sobre o RJ

Publicamos aqui a declaração da AJD, associação dos juízes para a democracia, que assinala o que vimos dizendo neste blog: a ação do governo no Rio é um atentado contra o Estado de direito e não a sua defesa como quer cinicamente o governo e a direita oposicionista, que nisso estão unidos

À MARGEM DA LEI TODOS SÃO MARGINAIS

A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, fundada em 1991, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, em consideração às operações policiais e militares em curso no Rio de Janeiro, vem manifestar preocupação com a escalada da violência, tanto estatal quanto privada, em prejuízo da população que suporta intenso sofrimento.

Para além da constatação do fracasso da política criminal relativamente às drogas ilícitas no país, bem como da violência gerada em razão da opção estatal pelo paradigma bélico no trato de diversas questões sociais que acabam criminalizadas, o Estado ao violar a ordem constitucional, com a defesa pública de execuções sumárias por membros das forças de segurança, a invasão de domicílios e a prisão para averiguação de cidadãos pobres perde a superioridade ética que o distingue do criminoso.

A AJD repudia a naturalização da violência ilegítima como forma de contenção ou extermínio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional.

O monopólio da força do Estado, através de seu aparato policial, não pode se degenerar num Estado Policial que produz repressão sobre parcela da população, estimula a prestação de segurança privada, regular e irregularmente, e dá margem à constituição de grupos variados descomprometidos com a vida, que se denominam esquadrões da morte, mãos brancas, grupos de extermínio, matadores ou milícias.

Por fim, a AJD reafirma que só há atuação legítima do Estado, reserva da razão, quando fiel à Constituição da República.