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Julian Assange e a diplomacia secreta

O caso Wikileaks surpreendeu a muitos. Considera-se, por uma espécie de senso comum que cumpre um papel retógrado na política, que seria um ato que viola os direitos do governo norte-americano. Trata-se de um engano, mais um nesta história cheia de enganos e confusões estimuladas propositalmente pela imprensa e pelos políticos imperialistas.
O ataque ao Wikileaks e suas revelações é a defesa da diplomacia secreta, uma tradicional arma do imperialismo contra os povos do mundo, em particular contra o povo do seu próprio país.
O governo democrático, um conceito cujo sentido foi perdido, é aquele controlado pelo povo, pelos cidadãos. A democracia secreta, por sua vez, é o governo realizado pelas costas do povo. O governo articula guerras e tratados que, se revelados, deixariam claro o verdadeiro sentido da guerra. O povo é mantido no escuro, mas é arrastado para a carnificina sem ter o conhecido de quais são os verdadeiros objetivos daquela guerra. Se soubessem de antemão, não iriam, simplesmente.
O povo norte-americano tem sido sistematicamente arrastado, contra a sua vontade para diferentes aventuras militares do imperialismo norte-americano a partir da década de 1930. Roosevelt foi eleito com uma plataforma contrária à participação dos EUA na guerra. O episódio de Pearl Harbour, em grande medida uma armação do próprio governo dos EUA, serviu como pretexto para suberter a decisão popular. A escala do imperialismo norte-americano no Vietnã foi impingida aos norte-americanos com uma notória fraude, o incidente com barcos norte-americanos no Golfo de Ton-Kin.
As recentes guerras do Iraque e do Afeganistão são fraudes ainda mais escandalosas onde, em nome de proteger o cidadão do terror, foram atrás de uma posição econômica e política, sem falar do petróleo, no Oriente Médio.
A diplomacia secreta não é o governo do povo, pelo povo e para o povo, como gostam os liberais burgueses de descrever a democracia capitalista, mas o governo de uma minoria, às costas do povo e contra o povo. O sangue derramado será sempre do povo, os espólios, das grandes companhias que dividem entre si o mundo, cada vez menor.
Quaisquer que sejam os interesses e articulações por detrás da revelações do Wikileaks e de Julian Assange – e as há, com certeza, porque empreendimentos desta envergadura e consequência, nunca são obra de cidadãos isolados com boa intenção -, o fato é que está sendo prestado um enorme serviço à luta tanto contra o imperialismo em geral, como para desmascarar a farsa que é a democracia imperialista.
Os povos do mundo devem exigir, como o fez Lênin diante da I Guerra Mundial – reivindicação depois executada pelo governo bolchevique, que sejam publicados todos os tratados secretos e ações secretas e submetidas ao escrutínio popular. Naquele momento, Lênin denunciou que, como hoje, os prextestos sagrados e morais para a guerra, ou seja, impedir a ditadura deste ou a agressividade daqueles, escondiam uma política de verdadeiros assaltantes à mão armada à procura de matérias-primas e mercados para os seus capitalistas em concorrência com os capitalistas da nação inimiga.
A conduta de Julian Assange e do Wikileaks deve ser defendida como uma ação democrática contra o imperialismo e ampliada em escala nacional com a denúncia dos tratados e ações secretas da diplomacia e dos países imperialistas e seus lacaios como Lula que está tirando as castanhas do fogo no Haiti no lugar do imperialismo norte-americano.
Todos estes acontecimentos, em particular a perseguição brutal a Assange, estão colocando às claras para todo o mundo, a completa falência e apodrecimento das democracias imperialistas. Os direitos dos cidadãos e dos povos, está cada vez mais claro, passa à mãos dos trabalhadores do mundo e somente poderá subsistir no socialismo, com o fim da propridade privada e do Estado dominado pelos capitalistas.

Rio de Janeiro: revela-se a inexistência do Estado de direito

Os apologistas “democráticos” do governo Lula, diante do banho de sangue e das arbritrariedades nos morros do Rio de Janeiro, saíram-se com esta pérola: “agora, o Estado e o Estado de direito chegaram às comunidades do Rio de Janeiro”. O Estado talvez, o Estado de direito, certamente não.
O Estado de direito, segundo a tradição bárbara da direita nacional, que remonta aos tempos da escravidão, é aquele estado que esmagada o oprimido de acordo com a vontade do opressor, sem lei alguma, porque o oprimido simplesmente não entra da categoria, já não digamos de cidadão, mas mesmo de ser humano.
Isto ficar claro quando um dos órgãos de imprensa mais típicos da direita nacional, a revista Veja, suposta defensora da “lei e da ordem“ bem como “moral e dos bons costumes” faz a defesa rasgada do “super-herói brasileiro”, o capitão Nascimento do filme ”Tropa de Elite.” Ocorre que o “herói” não passa de uma criminoso fardado e amparado pelo Estado. Uma pessoa que executa friamente e tortura nada mais é que um criminoso, principalmente se estiver usando um uniforme de policial. A defesa do “herói”, nesse sentido, nada mais é que a apologia do crime e, pior, do crime cometido pelo Estado contra a parcela mais pobre da população.
Não sabemos se o Estado chegou à favelas cariocas na invasão militar da última semana. Nos consta que a rede de corrupção nas favelas envolve, em grande escala os representantes do Estado como políticos, membros do judiciário e policiais e, nesse sentido, o Estado sempre esteve lá, aparentemente, e a situação ali existente, de pobreza, de opressão e exploração sem limites daquela população operária bem como o próprio tráfico de drogas é garantida e abençoada pelo Estado capitalista. Em todo caso, uma coisa é absolutamente inconstestável, se o Estado chegou ali agora, não foi certamente o Estado de direito.
A utilização das Forças Armadas, a política de guerra civil, o estabelecimento do Estado de Sítio, a completa eliminação de todos os direitos constitucionais de uma população de quase um milhão de pessoas,não é o Estado de direito, mas ditadura, o Estado da arbitrariedade.
A tradição de selvageria nacional é a de que a função do direito é a de liquidar toda a liberdade do cidadão, amordaçá-lo, manietá-lo, torná-lo um refém do Estado, ou seja, das grandes corporações que o dominam. Por este motivo, todos os dias, um órgão ou um representante político da direita nacional se levanta para aprovar uma lei para castrar mais um fragmento da liberdade residual do cidadão brasileiro em nome de conceitos morais que lhes são próprios. Assim, a corrupção foi usada para roubar ao eleitor a maior parte dos seus direitos, a começar pelo direito de constituir partidos. O direito de greve foi aniquilado e, até mesmo, o direito de organização sindical. A liberdade de expressão tornou-se pouco mais que uma piedosa ficção. Poderíamos dar milhares de exemplos.
Ocorre que isto não é o “império da lei”, apesar de ser feito formalmente através aparência legal, mas o império da mais completa arbitrariedade. Nesse sentido, a ideologia democrática brasileira é a ideologia de qualquer ditadura, que também tem leis, para proteger o Estado (da classe dominante) do cidadão e não para garantir a liberdade do cidadão diante da opressão e, em particular, diante da opressão maior que é a opressão de um Estado não colocado sob a limitação da lei.
O Estado de direito – que os ideólogos cínicos ou ignorantes do governo afirmam ter entrado nos morros cariocas – só é Estado de direito quando o Estado, perdoem-nos a tautologia, está baseado no direito, na lei, quer dizer, cumpre a lei. Quando o Estado e o império da lei estão representados pelo capitão Nascimento e pela ditadura militar no Rio de Janeiro, é tão Estado de direito como o Estado nazista ou como as monarquias medievais. Se o Estado não cumpre a lei – o que se tornou a regra não apenas no Brasil como no mundo – não é um Estado de direito, mas o reino da arbitrariedade e da selvageria, o bellum omnium contra omnes , a tirania desbridada.
Os acontecimentos do Rio de Janeiro não colocam em pauta o fim do Estado de direito porque este, na realidade, nunca existiu de fato no Brasil.
A ditadura foi derrubada pela ação do povo, em particular dos estudantes e da classe operária brasileira que saíram às ruas para eliminar a organização política dos mesmos que estão pregando a necessidade da ocupação das favelas. O que foi colocado no seu lugar não foi um regime constitucional, um Estado de direito, mas um regime de arbitrariedade, a mesma ditadura com um verniz constitucional que seria utilizado como instrumento para anestesiar a mobilização operária e popular. À medida em que esta mobilização foi cedendo diante das derrotas e das manobras dos seus líderes, a velha ditadura foi atravessando o verniz e vem se restabelecendo claramente, plenamente. Os trabalhadores não conquistaram o direito de greve no Congresso Nacional, mas nas fábricas, nas próprias greves. As greves e não a lei escrita estabeleceram o direito de greve e, justamente por isso, este e todos os demais direitos somente poderiam sobreviver por meio da mobilização que o impunha de facto e o sustentava. Quando a mobilização operária não foi mais capaz de sustentá-lo, ele foi abolido e as greves estão à mercê do arbítrio dos juízes, ou seja, dos patrões.
A maioria dos brasileiros considera que o PT é o partido democrático no Brasil, enquanto que PSDB e outros seriam os partidos antidemocráticos. Isso não corresponde à realidade. O PSDB é um partido antidemocrático, sem qualquer dúvida, mas sua política, que nada mais é que a tentativa de restabelecer plenamente a ditadura militar, foi derrotada pelas massas mobilizadas. O maior inimigo da democracia é, justamente, o PT e seus aliados na esquerda como o PcdoB, porque, em troca de sua ascensão aos principais postos no Estado capitalista, trabalhou para liquidar a mobilização popular para torná-la passível de ser controlada como instrumento eleitoral no marco do regime existente. Ocorre que o regime existente só mantem uma aparência democrática devido ao medo que a burguesia tem da mobilização popular, ou seja, da revolução dos explorados contra os exploradores. O estrangulamento da luta e da organização operária e popular com a corda das eleições vem fazendo com que a direita levante cada vez mais a cabeça.
O Rio de Janeiro é mais um exemplo dessa política que conduz diretamente à derrota e ao esmagamento de qualquer mobilização democrática. Lula, o PT e o PcdoB justificam a ditadura militar, defendem a anarquia que se estabeleceu no Rio de Janeiro porque este é o desejo dos que efetivamenente controlam o Estado, os grandes capitalistas nacionais e estrangeiros. Fazendo isso, servem como cobertura para a direita, paralisam o protesto popular contra a política da direita.
Ocorre também que a política da direita tem um sentido estratégico, a do PT não. O PT, na realidade, não tem política alguma. A sua política é conciliar os interesses dos grandes capitalistas e da direita, ou seja, dos agentes diretos do imperialismo dentro do Brasil, e as reivindicações e necessidades das massas populares, o que só pode levar a uma política que vive do dia a dia. No final, a recompensa da esquerda oportunista a serviço da burguesia, que são as posições ocupadas no Estado, serão retiradas também como culminação do processo de liquidação de qualquer possibilidade de intervenção política das massas.
A luta contra a direita e a ditadura requer a mais completa independência do PT, da sua política e uma renovação completa das organizações de massa no Brasil, a começar pela construção de um partido operário.
Chama a atenção, também, o caráter profundamente despolitizado da esquerda nacional em geral que mal protesta contra esta política e que, certamente, não tem uma concepção de conjunto sobre a questão. Atuam como se imposição sistemática desta ditadura fosse uma questão de importância secundária, senão totalmente desimportante.

Eleja o PT contra Serra e ganhe a ditadura militar que o PSDB quer

Uma parte do eleitorado, desconfiado, não votou nem em Dilma Roussef nem em José Serra. Mas quase 50 milhões votaram no PT e com qual objetivo: ter um governo mais democrático, que atendesse as reivindicações populares ou pelo menos, não ter o governo do PSDB, da direita violenta e ditatorial, dos privatizadores etc.
Foi um completo engano.
Dilma Roussef nem mesmo tomou posse e a situação não poderia ser pior.
A presidenta eleita anunciou sua equipe econômica, anunciando, ao mesmo tempo, um plano de austeridade. A imprensa de direita, que tanto a combate durante a campanha eleitoral, nada disse em contrário. O motivo? É a política da própria direita que está sendo colocada em prática. No início do ano, ressaltamos que José Serra tinha um plano de austeridade, que este era uma exigência dos bancos internacionais e que, se Dilma ganhasse, como tudo já indicava, colocaria em prática um plano semelhante. Nada disso sequer foi objeto de discussão durante a campanha eleitoral, excetudando-se as denúncias do PCO.
Ao mesmo tempo, foi anunciada a privatização total dos aeroportos e a privatização dos correios, escondida durante a campanha eleitoral, foi, como prevíamos, retomada, colocando-se um dos articulares da entrega da ECT como ministro das comunicações.
Enquanto Dilma Roussef mostrava ao eleitorado de do PT e do PSDB como foram ambos feitos de idiotas (sim, porque a política de Dilma é a política de Serra e nem Dilma nem Serra esclareceram seus eleitores sobre os seus verdadeiros objetivos) Lula decidiu colocar em marcha uma operação para estabelecer uma ditadura militar, rasgando a Constituição e pisoteando todos os direitos de centenas de milhares de cidadãos brasileiros, nos morros do Rio de Janeiro.
A população operária do Rio de Janeiro está sob Estado de Sítio não declarado. Foi nisso que os eleitores do PT votaram? Na volta dos militares que foram expulsos do poder pela mobilização do povo?
Direitistas do PSDB e esquerdistas do PT, nas redes sociais , nas ruas, locais de trabalho e bares, se digladiaram para provar que o seu candidato estava mais certo do que outro e era a salvação do Brasil contra tudo o que há de mau no País. Agora, Dilma e Serra, PSDB e PT se unem para aprovar privatizações, austeridade e a ditadura militar, contra os eleitores dos dois partidos que nunca ouviram falar que nenhum dois iria fazer coisa semelhante.
A única força da direita é a presença da esuerda no governo servindo para encobrir a sua política antipopular. Sem Lula, sem José Dirceu, sem os sindicalistas do PT, sem a direção da UNE, sem a direção do MST e da CUT, o massacre que está sendo realizado no Rio pelos militares e o Estado de Sítio seriam absolutamente impossíveis. A direita precisa de uma esquerda para segurar o povo para ela bater.
Lula mandou esses militares ao Haiti para massacrar o povo haitiano. Em todos os momentos denunciamos mais esta barbaridade e ignomínia de colocar o País para fazer o serviço sujo do imperialismo norte-americano e mundial. Agora, a feras treinadas em ferocidade contra os nossos irmãos haitianos, estão matanto da população operária e negra dos morros do Rio de Janeiro.
A direita é fraca. Precisa do PT, de quem empresta o apoio popular, decrescente, para levar adiante a sua política. O PT, apesar de todo o discurso eleitoral, não tem política própria, exceto na sua grande capacidade de fazer demagogia e cooptar as lideranças populares para a politica da direita.
Os apoiadores do PT e do PSDB são, agora, obrigados a enfrentar a liquidação das suas ilusões políticas.

O terrorista e o jornalista

Qual a diferença entre um terrorista e um jornalista? Qual a diferença entre um Osama Bin Laden e um Julian Assange? Qual a diferença entre um homem que combate os invasores da sua pátria de armas na mão e um homem que, em nome da democracia, os combate com a palavra escrita?
Para os líderes do imperialismo, nenhuma.
Julian Assange, editor da página informativa na internet Wikileaks está sendo caçado como um animal feroz, como um cão rábido pela Interpol, pelos governos imperialistas e pelos governos vassalos do imperialismo, da mesma forma que Osama Bin Laden há vários anos.
O imperialismo dito democrático é uma força totalitária, disfarçada detrás de uma fachada democrática. Muitos jovens, que vivem este período de crise e defensiva do imperialismo, podem se equivocar, devido ao seu mimetismo, sobre a sua natureza, mas o que viveram a experiência das ditaduras colocadas en place pelo imperialismo na América Latina não têm com o que se enganar. Pinochet, Videla, Médici, Banzer são nomes que evocam um período de terror que supera qualquer fantasia psicótica. Estes regimes monstruosos foram cria direta e dileta do imperialismo, que alguns teimam em chamar de “democracias ocidentais” ou até mesmo de países “civilizados”. Estes países civilizados e democráticos ou, mais particulamente, seus governos são o comitê da ditadura mundial, a pior ditadura, mais monstruosa que já existiu na face do mundo, a ditadura de poderosos monopólios que dominam a economia não de um país isolado, mas do mundo todo.
A perseguição contra Julian Assange não é uma exceção ou um caso isolado, mas é a demonstração cabal do caráter totalitário da dominação desses países ou, deveríamos mais propriamente denominar do domínio das corporações que controlam esses países e governos sobre os povos que sofrem nos cinco continentes.
Os terroristas que lutam contra estes monstros estão, apesar de toda a mentira venenosa destilada pela imprensa capitalista, plenamente justificados na sua luta. Nenhum povo tem a obrigação de sofrer a dominação terrível, espoliadora e aviltante de governos que representam grandes negócios, apenas porque eles são capazes de fazer uma intensa propaganda a favor deles mesmos. Esta ditadura produziu o pesadelo que ninguém nunca imaginou sonhar de um bilhão de miseráveis. A Osama Bin Laden, o Talibã, o Hamas, o Hezbolah, as FARC e muitos outros grupos pode-se-lhes negar o apoio integral a sua idéias e mesmo a determinadas ações de luta, mas nunca o direito de lutar com os meios necessários e mesmo o apoio geral a esta luta.
A imprensa reacionária e saudosista dos genocidas psicopatas das ditaduras derrotadas na América Latina pela luta do povo, ocultam que todos os lutadores, em todos os lugares, que tiveram a coragem de lutar com armas na mão foram tachados de terroristas. Não precisamos evocar o exemplo dos terroristas da resistência francesa e italiana que, de bomba na mão lutaram contra os respeitáveis Hitler e Mussolini, que foram apoiados na sua ascensão pelos democratas da época, porque nós temos, nós latino-americanos, uma linhagem inigualável de revolucionários que enfrentaram a exploração e a opressão estrangeira ou de cara nacional de armas na mão de Zumbi dos Palmares a José Marti e de José Marti a Ernesto Che Guevara.
Cabe aqui lembrar, no entanto, as belíssimas estrofes do Canto dos Partisans, chamando atenção para o seu chamado ao terror:

Ohé saboteur, attention à ton fardeau, dynamite!
Sabotador, atenção à tua carga, dinamite!

O imperialismo não é apenas o inimigo dos malevolentes terroristas, mas também de governos de centro-esquerda, eleitos de acordo com as regras de um jogo eleitoral viciado como Hugo Chavez, Rafael Correia, Evo Morales e, pasmem, inclusive o moderadíssimo Lula, de que o imperialismo quer ver a queda. Para o imperialismo, o Irã não tem o direito de levar adiante a sua própria política e os países podem ser ocupados de acordo com as suas conveniências econômicas e políticas.
O caso de Julian Assange vem mostrar que não há qualquer limite para o imperialismo e que não há senão uma fachada de liberdade sob o seu domínio de terror absoluto.
O cinismo, a perfídia e a mais absoluta falta de escrúpulos mostra-se na tentativa desajeitada do imperialismo de ocultar seus verdadeiros motivos, acusando o editor do Wikileaks de estupro para poder persegui-lo com o apoio dos tolos de todos os países. Logicamente, não faltarão os defensores da moral e dos bons costumes para dizer que se trata de um caso grave, embora a trama e a conspiração contra esse homem sejam mais que óbvias, gritem aos céus! Mesmo que houvesse causa para pensar que Julian Assange é capaz ao mesmo tempo de arriscar a sua existência por uma causa política e de estuprar, não caberia um julgamento sumário como o que está sendo feito e a caçada humana internacional. Seria prioridade levar em consideração o caso político em questão em qualquer avaliação do suposto caso criminal. É por fatos exatamente como estes que os democratas de antanho instituíram a imunidade do mandato parlamentar, para que criminosos no governo não acusasem os seus opositores de crimes reais ou inventados para calar a voz de uma oposição política com um ataque moral abaixo da linha da cintura. Neste exato momento, o imperialismo e os direitistas estão convencendo os tolos de sempre, que servem de platéia para esta pantomima política macabra, de que devem violar todos os direitos democráticos, inclusive a imunidade parlamentar, em função da corrupção. Os vigaristas e trambiqueiros sinistros, defensores da moral e dos bons costumes e os tolos de sempre que lhes dão ouvidos querem que a moral seja colocada acima da política e os que direitos dêem lugar a uns dez mandamentos forjados nas oficinas dos assustadores fazedores de guerra e destruidores de países. O pretexto, tipicamente facistóide, para ocupar militarmente os bairros operários do Rio de Janeiro não é a luta contra o narcotráfico?
É preciso, sem maiores considerações, defender Julian Assange e o Wikileaks destes criminosos, destes que são os piores criminosos e genocidas que já pisaram a terra do planeta terra. É preciso denunciar a manobra, a conspiração e a trama, urdida em conjunto pelo democrático governo dos EUA e os demais países imperialistas contra o direito dos povos de saber dos seus crimes monstruosos e cotidianos. São tarefas mais que urgentes.
Como corolário e garantia dessa luta, é preciso derrotar o imperialismo e, para derrotá-lo de maneira efetiva, definitiva, é preciso que o mundo venha a ser socialista.

Le chant des partisans

Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines?

Ami, entends-tu les cris sourds du pays qu’on enchaîne?

Ohé partisans, ouvriers et paysans, c’est l’alarme!
Ce soir l’ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes.



Montez de la mine, descendez des collines, camarades,

Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades;

Ohé franc tueurs, à la balle et au couteau tuez vite!

Ohé saboteur, attention à ton fardeau, dynamite!



C’est nous qui brisons les barreaux des prisons, pour nos frères,

La haine à nos trousses, et la faim qui nous pousse, la misère.

Il y a des pays où les gens au creux des lits font des rêves,

Ici, nous vois-tu, nous on marche et nous on tue, nous on crève.



Ici chacun sait ce qu’il veut, ce qu’il fait, quand il passe;

Ami, si tu tombes, un ami sort de l’ombre à ta place.

Demain du sang noir séchera au grand soleil sur les routes,
Sifflez, compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute

A cobertura do PT é essencial para a guerra civil contra o povo

A guerra civil, estabelecida unilateralmente pelo Estado contra o povo do Rio de Janeiro, a pretexto de combater o tráfico, revela de uma maneira indisputável o verdadeiro papel do governo de “esquerda” do PT e do PCdoB.
A brutal, para não dizer selvagem, intervenção militar no Rio de Janeiro jamais seria possível, com a complacência de todas as organizações operárias, de esquerda e democráticas, não fosse a cobertura que o governo federal, encabeçado por Lula e formado pelo PT e pelo PCdoB, lhe dá.
O que está ocorrendo no Rio, sob o governo direitista de Sérgio Cabral, é um verdadeiro golpe militar localizado, colocando a cidade sob estado de sítio e promovendo um massacre contra a população pobre. Se fôssemos acreditar na imprensa capitalista, o massacre seria apenas de capitalistas, assim como as mais de 100 mil vítimas dos exércitos imperialistas no Iraque seriam todos terroristas. Na realidade, é um ataque contra a população pobre do Rio de Janeiro, uma guerra civil contra a população operária.
Esta guerra civil é levada adiante com entusiasmo pelos opositores do PT e de Dilma Roussef nas eleições. Seus porta-vozes são a Rede Globo, revista Veja, revista Época, os grandes jornais etc.
Na eleição, o PT, o PCdoB, ou seja, a Frente Popular de colaboração com a burguesia e seus apologistas apontavam que era para derrotar a direita. Agora, vemos que a direita dá as cartas e o papel dos vitoriosos na eleição, a esquerda, é servir de fachada, de camuflagem, de para-choques diante da maioria da população.
Esta tem sido a realidade nacional há pelo menos duas décadas. Nem o governo Collor, nem os dois mandatos de FHC teriam sido possíveis, nem as privatizações, sem o apoio sistemático que o PT e seus aliados de esquerda, como o PCdoB, lhe forneceram todo o tempo nas organizações de luta dos trabalhadores e do povo em geral, nos parlamentos e nos governos estaduais e municipais.
O Rio de Janeiro ilustra que a idéia de votar em Dilma Roussef e no PT para conter a direita é pura ilusão. A função desta esquerda é justamente permitir a ação daqueles que, com todo o apoio da imprensa e do grande capital, conseguiram menos de 25% dos votos do eleitorado, ou seja, aqueles que não têm apoio algum do povo para realizar estas matanças e outros crimes. O fazem sob a cobertura de quem tem esse apoio, embora o venha perdendo gradativamente.
Os oito anos de governo de Lula acentuaram a paralisia das organizações operárias, estabelecida desde o início dos anos 90. Permitiram que a matança dos sem-terra aumentasse. Sob a fachada de esquerda, os mesmos que governaram sob os militares, sob o governo Sarney, Collor e FHC continuam intensificando os seus ataques contra o povo.
Os políticos do PT e PCdoB, colocados completamente a serviço da burguesia e da direita têm a função de levar muita gente que combateu e até mesmo combate esta direita a servir como um meio de contenção da luta popular contra a direita e a burguesia.
É preciso deixar absolutamente claro que, sem a mobilização popular contra a burguesia, com a contenção e desorganização permanente dos movimentos operários e populares, que são necessários para a política de conciliação com a direita, a direita avança cada vez mais no estabelecimento da sua ditadura contra o povo politicamente desarmado.
O caso do Rio de Janeiro mostra que a reação popular depende da ruptura da política de colaboração de classes, de colaboração com a direita contra o povo, que levam adiante PT e PCdoB.
O caso do Rio de Janeiro é um estridente alerta de que se torna necessário um amplo movimento contra a ditadura virtual que se estabeleceu no País sob a fachada do rosto sorridente de Lula e da estrela vermelha do PT.