POR UM GOVERNO TRIPARTITE PARA AS UNIVERSIDADES

Aniversários e cerimônias de posse são momentos especiais para a demagogia da burocracia universitária. Quando se completam os 80 anos da Universidade de São Paulo neste 25 de janeiro, ao mesmo tempo da posse do novo reitor Marco Antonio Zago temos aí um bom exemplo.

O centro da demagogia é reivindicar saudosamente as origens da USP, de seus fundadores e seus objetivos norteadores, tais como: formação profissional de elevada qualidade; ser um instituto de pesquisa de ponta; formação de lideranças intelectuais capazes de influenciar os rumos do País e preservação, compreensão e transmissão da cultura.

Tanto o editorial do Estadão, quanto matéria publicada neste mesmo jornal assinada pelo novo reitor mostram contradições fundamentais entre a crise que passa a Universidade, a crise política interna, a incompatibilidade entre as expectativas da população e as soluções que estes divulgam. Como os dois artigos correspondem a uma mesma política não achamos necessário diferencia-los a todo o momento.

Segundo o próprio Zago, ele assume o cargo num momento de fortes pressões: de um lado crescentes demandas sociais; desequilíbrio financeiro (que poria em risco a autonomia universitária) e “corrosão do tecido mesmo da universidade, tanto por movimentos de protesto que têm se transformado em agressões ao patrimônio público”.

Quanto às demandas “sociais” o Reitor defende “ampliar relação com os setores produtivos e governamentais, participar da articulação e implantação de parques tecnológicos”,  ao mesmo tempo que diz que a pesquisa, embora a passos lentos, se mantém devido ao “estímulo” das agências de fomento e defende uma menor burocratização e descentralização nos processos decisórios objetivando uma maior internacionalização da universidade.

Retirando seu caráter confuso e abstrato, aliado aos supostos problemas financeiros propagados  (isso porque a USP tem um PIB maior que vários estados da federação) e o processo real pelo que passa a USP nas últimas décadas, não restam dúvidas  sobre o interesse de aprofundar ainda mais o processo de privatização da universidade entregando este enorme patrimônio aos capitalistas em crise.

Quantidade versus qualidade: uma falsa oposição

Segundo o Estadão “A inclusão social é decerto uma das missões da universidade, mas está longe de ser a única, tampouco a principal. Não é pelo número de alunos que se mede o sucesso de uma universidade e sua capacidade de influenciar os rumos do País, e sim, pelo seu grau de compromisso com os mais altos padrões científicos”. E acrescenta como um dos problemas um “desconfortável aumento de alunos em relação ao número de professores” (!!!) Dizendo que se há 20 anos atrás a proporção era de 10 alunos por professor, em 2012 chegou a 15 por professor.

São ainda mais explícitos: uma das tarefas fundamentais neste momento seria resistir “ao apelo populista” para afrouxar as exigências técnicas para facilitar o ingresso de alunos.

Mais claro impossível: a política do Estadão e seu correligionário Zago é abertamente contra a expansão e universalização do ensino, focando o problema no aumento de alunos e não na falta de contratação de professores. Mostrando ai, uma concepção não apenas elitista, mas retrógrada e equivocada inclusive do ponto de vista “dos mais altos padrões científicos”.

De onde são os melhores jogadores e futebol, senão do País que mais joga futebol? De onde são os melhores enxadristas senão do país com maior número de praticantes? De onde são os melhores cientistas senão onde a média da população alcança de conjunto determinada condição cultural?  Qualquer filósofo da ciência mostra a relação entre fases de desenvolvimento e toda uma luta teórica e cooperação entre diversos membros…

Reconstruir as relações entre professores e alunos, mas como?

Outra contradição gritante está entre a citação feita por Zago de Karl Jasper que diz: “a universidade é uma escola de tipo muito especial. Não deve ser vista apenas como local de instrução; ao contrário, o estudante deve participar ativamente da pesquisa e, desta experiência, ele deve adquirir a disciplina intelectual e a educação que permanecerão com ele pelo resto de sua vida.  Idealmente, os estudantes pensam de modo independente, ouvem criticamente e são responsáveis por si mesmos. Eles têm liberdade de aprender”.

Enquanto na realidade Zago é continuação da ditadura das agências de fomento, que privilegiam sempre interesses econômicos externos ao desenvolvimento próprio da ciência. Enquanto Zago está ai para resistir aos interesses “populistas” de aumentar o número de estudiosos e acelerar o processo de desenvolvimento intelectual do país; enquanto Zago e o Estadão criminalizam os estudantes que buscam participar ativamente de todo o processo educacional, enquanto criminalizam aqueles que pensam de modo independente e almejam se expressar diretamente nos rumos de sua aprendizagem, ou seja, nos rumos da universidade que estudam: que apenas pode se realizar através de uma democracia real, proporcional, dando voz a maioria estudantil que enquanto estudante deve lutar, criticar, decidir sobre o seu processo de aprendizagem de modo a formar uma disciplina intelectual e educação para toda a vida.

Enquanto isso Zago não consegue ultrapassar a arcaica relação separada de ordem-submissão entre professores e alunos, quando diz que  é preciso: “reconstruir as relações entre estudantes e professores, em todas suas dimensões: somos educadores e seremos julgados pelo êxito que alcançarmos”. Ou seja, aos estudantes caberia apenas julgar o leite derramado….

De nosso lado, e a experiência dos 80 anos demonstram a necessidade imperiosa de acabar com esta relação autoritária na Universidade, que apenas poderá se realizar através da extinção do cargo de reitor e a formação de um governo tripartite entre estudantes, funcionários e professores de modo proporcional, garantindo aos estudantes a responsabilidade sobre si mesmos e quebrando o poder dos grandes monopólios, dos governos burgueses sobre os rumos da Universidade e o eterno desvio de verbas para fins particulares.

 

Do Diário Causa Operária Online de 31 de janeiro de 2014

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DÉFICIT COMERCIAL HISTÓRICO NO JAPÃO

O Japão registrou um déficit em sua balança comercial de 112 bilhões de dólares no ano passado. Foi o pior déficit do País desde que começaram a registrar esses dados, em 1979. O principal fator para esse desempenho foram as importações de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural), que ficaram mais caras para os japoneses devido à desvalorização da moeda, o iene.

O recorde anterior era de 2012, o que mostra que a economia do Japão está indo indo ladeira abaixo desde o colapso capitalista de 2008. Com a bancarrota do neoliberalismo, a saída buscada pela burguesia agora é implementar políticas de força para fazer as populações pagarem pela crise. O governo direitista do PDL (Partido Democrático Liberal) tenta agora pressionar a inflação para cima, para impulsionar as exportações, arrochando os salários dos trabalhadores. A crise leva a cada dia a um maior acirramento das contradições sociais pelo mundo.

A política econômica tem como principal objetivo manter os lucros dos monopólios, o que somente pode ser viabilizado por meio de ataques em larga escala contra as condições de vida da classe operária japonesa. Estão colocadas à ordem do dia medidas tais como o aumento dos impostos sobre o consumo e sobre os salários, a escalada ainda maior da monetização da dívida pública, como instrumento para viabilizar a versão japonesa dos planos de austeridade, sob a propaganda demagógica de “combater a deflação” e “promover o crescimento”. O governo direitista busca dobrar o índice de inflação (oficial) atual, de 1% para 2%, e desvalorizar o iene, com o objetivo de evitar a continuidade da queda das convalidas exportações e arrochar os salários dos trabalhadores por meio da erosão inflacionária.

A tentativa da burguesia imperialista de impôr uma saída de força

A saída colocada pelos fascistas para a crise é tornar o Japão uma potência militar, construir a bomba atômica e reativar a indústria armamentista, vendendo armas, em primeiro lugar para os países vizinhos. Como essa saída levaria inevitavelmente ao choque com o imperialismo norte-americano e ao acirramento da luta de classes no interior do País. Devido à necessidade de controlar a classe operária a ferro e fogo, o imperialismo japonês optou por uma alternativa mais “suave”, mas que prepara o caminho no sentido fascista.

Em dezembro de 2012, o direitista PDL (Partido Democrático Liberal) derrotou o governo liderado pela ala esquerda do imperialismo japonês, o PDJ (Partido Democrático Japonês), nas eleições gerais de dezembro, em cima de um programa pautado pela ultradireita, no sentido do ressurgimento do militarismo fascista japonês, do acirramento das contradições militares com a China e o nacionalismo japonês. A ultradireita passou de nenhum deputado para 33. Em 2013, o PDL passou a controlar também o Parlamento.

A crise capitalista avança a passos largos em direção ao coração do imperialismo em escala mundial. Sobre esta base está colocada a mobilização revolucionária das massas nos principais países capitalistas, o que representa a base para a revolução proletária mundial.

Do Diário Causa Operária Online de 29 de janeiro de 2014

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NAS RUAS, CAUSA OPERÁRIA Nº 778

778-10001

JÁ NÃO É BALA DE BORRACHA

Dissolução da PM já!
Já não é bala de borracha
Polícia Militar atira com balas de chumbo contra estudante de 22 anos indefeso, que protestava contra a chamada Lei Geral da Copa imposta pelo imperialismo, que instaura estado de sítio contra a população

Neste último sábado, em manifestação contra a chamada Lei Geral da Copa imposta pelo imperialismo que instaura estado de sítio contra a população, o estudante Fabrício Proteus de 22 anos foi alvejado por dois (!!) tiros e corre perigo de vida.

Desde então Fabrício está internado em estado grave, mesmo após cirurgia, na UTI da Santa Casa, no bairro de Santa Cecília no Centro de São Paulo. Um dos tiros atingiu o tórax provocando hemorragia interna e outro na virilha.

Segundo a PM, Fabrício era adepto da tática “black bloc” e acusam-no de ter TENTADO atingir um policial com um estilete… Em reposta balas de chumbo! O fato aconteceu quando após longa perseguição, os PMs encurralaram os manifestantes na Rua Sabará e segundo moradores que registraram o ocorrido em vídeo divulgado na rede, teriam sido três a quatro tiros ao todo, tendo dois deles atingido Fabrício.

A Tropa de Choque atuou na repressão e também disparou contra manifestantes após realizar cerco em um hotel na Rua Augusta. Mais 135 manifestantes foram detidos pela polícia.

Vê-se claramente uma evolução desde as manifestações de junho. Embora se saiba que a atuação da PM sempre foi esta nas periferias e nos morros contra a população negra e pobre, além da repressão aos movimentos políticos e sindicais. Há um visível aumento da truculência policial contra a população, mostrando que o recuo em junho foi apenas uma manobra diante a enorme mobilização que se levantou contra esta barbárie, que agora destina-se não apenas a dissipar mas matar manifestantes.

A crise econômica continua avançando a passos largos, a inflação cresce, os levantes nas periferias são a constantes. Trata-se da tendência cada vez maior ao ascenso revolucionário das massas trabalhadoras que está empurrando o estado burguês e seus representantes políticos a adotarem medidas desesperadas fadadas que somente podem conduzir a inflamar mais os ânimos das massas. Como ficou visível para todo País em junho do ano passado, quanto maior a repressão maior será a revolta popular, maior será o aumento da consciência política das massas aobre a inviabilidade de manter-se a situação atual. A campanha pela dissolução de todo o aparato policial criado pela ditadura militar torna-se cada vez urgente.

Desmilitarizar e outras medidas parciais, como certos setores pequeno-burgueses defendem apenas servirão para encobrir a situação, sem modifica-la minimamente. O que é necessário é extinguir completamente esta organização de cima abaixo. Extinção e demissão de todos os quadros. O que deve preceder a criação e organização de uma milícia popular, de trabalhadores da cidade e do campo submetidos ao controle direto da população.

Do Diário Causa Operária Online de terça-feira, 28 de janeiro de 2014

 

CURSO O CAPITAL, AULA 1, O MATERIALISMO HISTÓRICO

Curso O capital, aula 1 – o materialismo histórico