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CAUSA OPERARIA – ÚLTIMA EDIÇÃO

CAUSA OPERÁRIA Nº 887, DE 13 A 19 DE FEVEREIRO DE 2016
Arquivo do autor:Rui Costa Pimenta
ImagemA permanência da ditadura: ABIN investiga movimentos sociais e políticos
O Gabinete de Segurança Institucional, da Presidência da República, e a ABIN (o temível SNI do regime militar com outro nome) são usados para espionar possíveis protestos e greves pelo país
O Governo Federal está usando a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN; sucessora do SNI, criado pelos militares em 1964) para espionar a atuação de organizações populares e de trabalhadores. A medida seria conduzida pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que coordena as investigações e é subordinado ao Palácio do Planalto.
Até o momento, dois casos de espionagem envolvendo estas agências e tendo como alvo organizações populares foram revelados. O primeiro envolvia grupos que protestam contra a construção da Usina de Belo Monte e o segundo, em relação ao movimento sindical dos trabalhadores do Porto de Suape.
O Movimento Xingu Vivo, que é contra a construção da Usina de Belo Monte e foi protagonista em diversas manifestações contra esta barragem que afeta milhares de indígenas e ribeirinhos, identificou um homem infiltrado em uma de suas reuniões, em janeiro deste ano, que filmava o encontro com uma caneta-espiã. Quando foram questionar o araponga, ele afirmou ter sido contratado pelo Consórcio Construtor de Belo Monte e que o material seria analisado pela ABIN.
Em resposta, a Agência afirma que não possui registros específicos sobre o caso, mas que o material referente à construção da usina é sigiloso. “Não foram encontrados nos arquivos da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), documentos relativos especificamente ao ‘Movimento XINGU Vivo para Sempre (MXPVS) e seus integrantes e parceiros’. Os documentos relativos à Estrutura Estratégica UHE Belo Monte encontram-se sob restrição de acesso, por classificação em grau de sigilo, conforme a legislação vigente.”, afirma a nota divulgada pela ABIN.
Pouco tempo depois de divulgar a notícia, o Movimento Xingu Vivo recebeu um e-mail de um suposto agente da ABIN que confirma a presença da agência no local. Ele afirma ainda que “o material apreendido pelos advogados é coerente com o que a ABIN utiliza em suas ações” e “é muito provável que a ABIN tenha bancado, total ou parcialmente, a remuneração do mesmo através de verba secreta ou outra rubrica semelhante, pois é exatamente assim que a agência age em situações semelhantes”.
Em relação ao movimento sindical dos trabalhadores da Usina de Suape, acredita-se que a espionagem começou em março deste ano. O objetivo é investigar uma possível greve dos trabalhadores contra a Medida Provisória dos Portos, que retiraria o poder dos governos estaduais de licitar novos terminais de carga e reduz direitos trabalhistas.
As denúncias apontam para um fato importante: a intervenção clandestina do governo nas organizações populares e sindicais com o objetivo de defender os interesses dos grandes consórcios e empresários envolvidos em obras públicas como o consórcio Belo Monte e operações comerciais milionárias como em Suape.
A espionagem dos movimentos populares e sindicais não é exclusividade dos regimes militares. Em realidade, nunca foi erradicada, já que a “transição democrática” de 1985 manteve a maior parte dos privilégios dos militares e políticos ligados à ditadura. De uma só vez, a serviço dos empresários e do imperialismo, o governo do PT dá espaço para a ala direita da burguesia, que sempre esteve no comando dos órgãos de repressão, fazer o que bem entende contra o povo trabalhador.
do Causa Operária Online número 3416, de 9 de abril de 2013
Outra blogueira, outro tratamento
Na quarta-feira, dia 3, começou a circular na internet a notícia de que uma blogueira cubana foi impedida de entrar nos Estados Unidos.
Elaine Díaz Rodríguez, blogueira, jornalista e professora da Universidade de Havana, foi impedida de ir aos Estados Unidos para participar de um dos maiores eventos de Ciências Sociais do mundo, o XXXI Congresso Internacional de Estudos Latino-Americanos.
O governo norte-americano não concedeu o visto a Elaine, mesmo ela tendo seu trabalho aprovado pela Associação de Estudos Latino-Americanos, que é organizadora do evento e que também lhe concedeu uma bolsa para a viagem.
A blogueira chegou a declarar, “não tive nenhum problema com Cuba para sair, nunca (…) é humilhante que neguem vistos a acadêmicos enquanto recebem de braços abertos a Yoani (Sánchez)”.
Este fato evidencia toda a farsa democrática criada pelo imperialismo em relação a blogueira Yoani Sanchez. A blogueira financiada pela imprensa burguesa teve carta branca para entrar nos Estados Unidos e em diversos outros países. Viagens que tem como objetivo uma ampla propaganda anti Cuba e anticomunista.
A negação do visto da blogueira Elaine Rodríguez, para participar de uma atividade com um viés puramente acadêmico mostra a total falta de democracia, a censura e o cerceamento da liberdade de expressão nos Estados Unidos.
A vinda da blogueira Yoani Sánchez ao Brasil e toda sua “trajetória” de renegada em Cuba contra a “malvada ditadura cubana” foi alardeada aos quatro ventos pela imprensa burguesa nacional que deu destaque em todos os meios possíveis, jornais, revistas, na internet e redes sociais. Enquanto que o caso da blogueira que não conseguiu visto foi noticiado por pequenos órgãos da imprensa alternativa.
Toda a campanha imperialista sobre a democracia e liberdade de expressão a Yoani Sánchez cai por terra com o veto de entrada de Elaine nos Estados Unidos
viaCausa Operária – Outra blogueira, outro tratamento – 06/04/2013 05:23 AM.
Publicado em mundo
Psol: dividido entre duas variantes da burguesia: a Frente Popular e a direita
Cada vez mais à direita
O ingresso do senador Randolfe Rodrigues na base de apoio ao governo mostra que toda a campanha de que o Psol é um partido de oposição ao PT não passa de uma grande fraude política
No mês passado, o senador Randolfe Rodrigues, do Psol, ingressou no bloco que faz parte da base de apoio ao governo, formado por PT, PDT, PSB, PCdoB e PRB.
Para ingressar no bloco do governo, Randolfe
Rodrigues alegou que somente o fez para não ser impedido de participar de comissões importantes do Senado. O Psol entregou toda a suposta ideologia socialista do partido e seu objetivo de se constituir supostamente como uma alternativa ao PT por algumas comissões no Congresso. Toda a propaganda deste partido está baseada em que a Frente Popular no governo é corrupta, o que ainda mais excluiria a participação em um bloco parlamentar do governo.
O fato é que não se trata de uma mudança na política do partido, pelo contrário, demonstra que o partido sempre foi um partido burguês, adaptado ao regime político da burguesia e só que só se diferencia do PT pelo número de votos nas eleições. Mais ainda, que toda a oposição consiste apenas em uma forma de exploração eleitoral da propaganda que a imprensa de direita faz contra o governo justamente no tema da corrupção.
O senador do Psol, assim como o partido de conjunto, tem oscilado entre apoiar a direita e apoiar o governo. Na última eleição para a presidência do Senado, Randolfe retirou sua candidatura e apoiou o candidato do PDT, apoiado por sua vez por toda a direita contra o candidato do governo, Renan Calheiros (PMDB).
Em nome do “combate à corrupção”, o Psol retirou sua candidatura para apoiar o candidato do DEM e do PSDB. Uma política direitista e reacionária.
Essa aliança com a direita vêm de longa data. Em 2008, o Psol já havia realizado 21 coligações com partidos burgueses que são em sua maior parte do PSDB e DEM, ou seja, os apoiadores da ditadura militar.
As eleições municipais: um ensaio
Nas eleições municipais o Psol fez um ensaio de qual será sua política nas eleições daqui pra frente.
Em Macapá, o Psol se aliou ao DEM e ao PSDB em uma “aliança pela moralidade”, como declarou o candidato o DEM, Davi Alcolumbre, admitindo que seu partido aceitou “acolher algumas propostas programáticas do programa” “socialista” de Clécio Santos, um ex-policial que gostaria de receber dinheiro de empresários e capitalistas durante seu governo, conforme declarou em entrevista logo após a eleição.
Na ocasião, Randolfe Rodrigues, que costurou o acordo, declarou que se tratava de uma aliança para “governar em conjunto” com o DEM e o PSDB. Mostrando a identidade entre o partido e a direita e que o “socialismo” do Psol está cada vez mais distante da realidade.
A aliança com os partidos que são ferrenhos opositores da libertação da classe operária, são os assassinos de sem-terra no campo, comandam a repressão aos jovens e que, no caso do DEM (ex-PFL, ex-Arena) instaurou um regime militar e assassinou centenas de militantes de esquerda mostra que o partido perdeu – se é que alguma vez já a teve – qualquer ideologia de esquerda ou mesmo progressista.
Em Belém, o Psol fez aliança com o PT e o PCdoB junto com o PSTU. Ministros do governo gravaram programa eleitoral pela eleição do candidato do Psol.
No Rio de Janeiro, a candidatura de Marcelo Freixo foi apoiada por uma candidata a vereadora do PSDB.
Dentro do Psol, as duas correntes que comandam o partido possuem uma política burguesa e direitista. O partido está rachado no meio, de um lado aqueles que querem manter a aliança a direita, em particular o MES de Luciana Genro e de outro aqueles que estão indo para fazer parte do governo, a APS dirigida por Ivan Valente e Randolfe. O curioso disso tudo é que para a esquerda nenhum das alas se dirige. A base do partido assiste a tudo bestificada e, como sempre, impotente para intervir até mesmo minimamente em um processo dominado pelos parlamentares que utilizam a sua posição no interior do Estado capitalista para impor a sua política a todo o partido.
No bloco mais direitista está o MES, com Luciana Genro, Heloísa Helena e Plínio de Arruda Sampaio, que anunciou seu ingresso nessa corrente recentemente. Plínio revelou na eleição municipal passada publicamente a sua preferencia pelo direitista José Serra, a cabeça da direita fascistóide de S. Paulo.
Luciana Genro teve sua campanha financiada por um dos principais empresários brasileiros, dono da multinacional Gerdau e era a principal apoiadora da candidatura presidencial da direitista Heloísa Helena, uma figura pública da extrema direita religiosa contra os direitos das mulheres e outras políticas direitistas como o aumento da repressão. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter é um dos financiadores do Instituto Millenium, a principal tentativa de reorganização ideológica da direita brasileira.
Um grande empresário como Gerdau, com laços óbvios com o imperialismo, certamente não financiou Genro apenas por esperar receber em troca benefícios políticos em uma futura prefeitura sua, mas por acreditar que sua eleição não só não atrapalharia os planos da burguesia para o estado gaúcho, mas favoreceria.
Heloísa Helena, por sua vez, é principal liderança dos setores reacionários e de extrema direita na campanha contra o direito de aborto das mulheres no Brasil, além de ser uma das entusiastas do novo partido ainda mais direitista de Marina Silva, uma estratégia eleitoral de vários setores da burguesia.
Plínio de Arruda Sampaio sempre foi uma figura política de direita. Tendo sido dentro do PT um dos que mais perseguiu as correntes que faziam oposição à política burguesa tomada pela direção do partido desde seu surgimento. Não por acaso, Plínio declarou nas eleições para a prefeito de São Paulo preferir Serra à Haddad, pela “competência”.
Do outro lado, há a ala ligada a Randolfe Rodrigues e a Ivan Valente, que ingressa agora na Frente Popular.
O recente ingresso de Randolfe à base do governo depois de toda campanha ética e de denúncia do “governismo” mostra que se tratava apenas de uma política de fachada.
Por trás da campanha de denúncia do “governismo” do PT estava a vontade de fazer parte da sua base de apoio.
Vale a pena lembrar que o Psol foi formado de uma ruptura com o PT supostamente para combater a corrupção deste partido e os seus “desvios oportunistas”, apesar de que apoio a aliança com grandes empresários de direita que levou Lula ao poder em 2002, mas eis que agora ingressa formalmente no bloco de apoio ao governo.
Como o partido não possui uma política e um programa para a situação política é completamente arrastado por esta.
Isso explica o fato de que no momento em que dava uma impressão de que a direita estava se erguendo para derrotar o PT, como por exemplo durante o julgamento do “mensalão” e toda a campanha feita em torno da corrupção dos seus dirigentes, o Psol se inclinou à direita.
Agora que a situação política mostra claramente o fiasco da direita, uma ala do partido dá uma guinada brusca para apoiar o PT.
Esse deslocamento brusco do partido, que seus dirigentes não estavam prevendo, pode conduzir a um racha no seu interior, entre aqueles vinculados à direita e aqueles vinculados à Frente Popular.
O Psol demonstra cabalmente que nunca foi nem nunca poderá ser uma alternativa à classe operária, à juventude e demais oprimidos.
A independência política da classe operária é tarefa primordial para um partido operário revolucionário. O que o Psol está realizando não é apenas uma política de conciliação de classes, mas um ingresso formal à Frente Popular no governo. O que rompe com qualquer perspectiva de constituição de um partido operário revolucionário. Nesse sentido, o partido não passa de mais uma legenda da burguesia brasileira com uma coloração vermelha, como o são PCdoB, PT, PSB etc.
publicado no Diário Causa Operária Online – 6 de abril de 2013
Publicado em esquerda
O que foi o stalinismo?
O companheiro Rui Costa Pimenta estará realizando palestra sobre o stalinismo por ocasião dos 60 anos da morte do líder russo. O objetivo da palestra é apresentar uma concepção científica, ou seja, marxista, do fenômeno do stalinismo em oposição às concepcões tanto da direita, como da esquerda pequeno-burguesa ou simpatizante do stalinismo.
Publicado em atividades



