Arquivo do autor:Rui Costa Pimenta

Vídeo da palestra-debate: o papel histórico de Graciliano Ramos e a Literatura Nordestina dos anos 30

Graciliano Ramos, por Hugo Braz

Graciliano Ramos, por Hugo Braz

Literatura e Política – O papel histórico de Graciliano Ramos e a Literatura Nordestina dos anos 30 – YouTube.

Palestra realizada por Rui Costa Pimenta por ocasião dos 60 anos da sua morte, em março de 2012 em S. Paulo.

Eleições na Venezuela: por um partido dos trabalhadores

Por que os revolucionários devem votar nulo? Por que a candidatura Lula em 1989 era diferente da candidatura chavista? Qual é a tática de um partido marxista nas eleições? Qual é o significado do voto nulo da esquerda pequeno-burguesa e da falência da frente de esquerda?

A única garantia da luta do proletariado avançar é a sua organização independente de todos os setores da burguesia. Devido à inexistência de um candidato operário, os revolucionários proletários devem chamar a votar nulo.

Apesar de Nicolás Maduro ter origem no movimento sindical, e de ter sido um integrante da burocracia, ele não é um candidato operário, que representa a luta operária, mas um candidato de um partido abertamente burguês, o PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela).

A chave da questão é entender que partido estamos enfrentando. Chamar ao voto no PSUV gera enorme confusão, apesar do apoio da população ao chavismo ser massivo. Está colocado o problema da contraposição entre a independência de classe e o apoio condicional e crítico a determinadas reformas chavistas. Entre uma e outras, não pode haver dúvida da importância essencial da primeira que não pode ser sacrificada às segundas.

Votar nas eleições burguesas não é uma verdadeira luta para o proletariado, mas apenas uma plataforma de propaganda. O golpe que a direita pró-imperialista e o imperialismo estão tentando viabilizar não será contido votando em Maduro, mas pela reação popular.

A luta central é contra a direita que aposta no fracasso do chavismo para retomar o poder, com consequências nefastas para os trabalhadores. Ela está indo às eleições com esse objetivo, pois sabe que não poderá vencer. É preciso derrotá-la, mas sem sacrificar a independência  da classe operária diante do chavismo, que corresponde a uma outra classes social, a burguesia nacional.

chavismo se mostrou uma força política muito instável. O golpe em 2003 somente foi derrotado devido à ação espontânea das massas, o que revela a própria dinâmica da situação. O chavismo, como uma típica força nacionalista burguesa de esquerda, procura bloquear essa luta espontânea, impede a organização independente, o armamento da população e luta contra o imperialismo de uma maneira muito limitada. Por isso, apoiar o chavismo em bloco, como o fez o PSOL por exemplo, bloqueia a luta das massas e a reação contra a direita golpista, e deixa o proletariado a reboque da burguesia nacional.

Para derrotar a direita é preciso o partido operário, ou seja, é preciso desenvolver integralmente a força revolucionária da classe operária, sua organização, seu programa socialista. Infelizmente, não há um candidato que represente os interesses do proletariado e portanto não há em quem votar. A situação será resolvida na luta.

 

Por que a candidatura Lula em 1989 era diferente da candidatura chavista?

 

Uma pergunta que surge é em que sentido a candidatura de Lula em 1989, na qual o PCO chamou a votar, era diferente da candidatura chavista? Lula era um candidato operário, surgido das lutas dos metalúrgicos do ABC e, nesse sentido, fazia a luta pela formação de um partido independente avançar. O movimento do Chávez não é o PT de 1989.

A campanha de 1989 de Lula, foi uma campanha proletária e da pequeno-burguesia de esquerda. Lula teve uma votação enorme em todas as fábricas. Os trabalhadores que levavam adiante uma luta sindical e política contra a burguesia tomaram a candidatura Lula como um instrumento da sua luta, embora o fosse apenas de maneira muito limitada e parcial.

Hugo Chávez foi um candidato nacionalista burguês, de extração militar, profundamente ligado ao estado burguês. Nicolás Maduro, apesar da extração operária, é um representante do chavismo, um movimento nacionalista burguês que não tem na base os sindicatos ou as lutas operárias independentes, mas o movimento nacionalista surgido do exército. Uma avaliação parecida também se aplicaria para os Kirchner, Rafael Correa, Humala, Mujica, Bachelet, Ortega e os demais governos nacionalistas burgueses latino-americanos.

A esquerda pequeno-burguesa não consegue entender nada disso devido às restrições de classe, à impossibilidade de realizar uma análise sob o ponto de vista do proletariado. O critério pequeno-burguês é ideológico e moral, não de classe. Para a esquerda pequeno-burguesa a tarefa não é fazer avançar a independência de classe de uma maneira prática, mas a preservação de uma suposta pureza ideológica em abstrata, uma política passiva e sectária.els,w

 

Qual é a tática de um partido marxista nas eleições?

 

A tática de um partido marxista nas eleições deve seguir o mesmo princípio da luta geral, ou seja, a luta pelo desenvolvimento da consciência de classe e, portanto, de uma organização política de classe, a forma prática da consciência de classe. As eleições não passam de uma questão secundária da luta da classe operária, uma vez que o capitalismo não pode ser eliminado em forma parlamentar e eleitoral e a época das reformas parlamentares ficou há muito no passado. Tratam-se apenas de uma tribuna de propaganda pelo programa revolucionário. Deveria ser sacrificada a independência de classe por uma tribuna de propaganda? Se tivermos força suficiente para eleger um deputado, o próprio processo da eleição já seria uma tribuna importante.

A preocupação fundamental dos revolucionários deve ser a separação da classe operária da burguesia, a delimitação permanente, achar e aplicar a política que permita avançar em direção à independência da classe operária e à revolução. É necessário mostrar os interesses diferentes, a necessidade dela ser uma classe independente. Por esse motivo, nunca devemos chamar a votar em candidatos de partidos burgueses ou em candidatos pequeno-burgueses e burgueses de esquerda, mesmo que se apresentem sob o rótulo de “socialistas.

Sobre a questão nacional e a luta democrática há duas” soluções, a da burguesia e a operária. Há políticos que estão vinculados à luta operaria, apesar da política burguesa. Os únicos candidatos do nacionalismo burguês latino-americano em quem os revolucionários operários poderiam chamar a votar, em geral, são Lula e Evo Morales, pois ambos têm raízes vinculadas às lutas operárias e camponesas. Mesmo assim trata-se de uma questão meramente tática que deve ser analisada, caso a caso, no sentido da evolução da luta revolucionária pela independência da classe operária.

 

Sobre o voto nulo da esquerda pequeno-burguesa

 

O ponto de partida da política da esquerda burguesa e pequeno-burguesa é uma enorme confusão sobre o entendimento do imperialismo e do nacionalismo.

A própria existência do imperialismo e dos países atrasados implica na existência de duas alas da burguesia, a imperialista e a burguesia nacional. A existência das contradições entre ambos setores é provocado por fatores objetivos, materiais. O aprofundamento da crise capitalista leva ao acirramento dessas contradições.

O foco da política do imperialismo é tentar viabilizar golpes de estado na América Latina com o objetivo de repassar parte das perdas que decorreram como resultado das derrotas nas outras regiões do planeta, principalmente no Oriente Médio. Por isso, o eixo deve ser atacar à direita, ou seja, o imperialismo. Os ataques ao chavismo devem ser feitos sobre esse prisma, denunciando a sua capitulação diante do imperialismo e a incapacidade de avançar nas reformas devido ao medo, intrínseco do imperioalismo e da organização independente das massas.

Quando a LIT e o PSTU se posicionam pelo voto nulo (http://www.litci.org/artigos/55-venezuela/3776-en-las-elecciones-del-14-de-abril-los-trabajadores-no-tenemos-una-alternativa-independiente), o fazem, basicamente, reproduzindo as críticas da direita imperialista ao chavismo, apesar de reconhecerem que os responsáveis pelos problemas são os patrões, ou seja, os apoiadores de Capriles. Na matéria, os ataques contra a direita aparecem como secundários, e, provavelmente, foram incluídos, somente para constar, devido à pressão que as massas nas ruas têm exercido e apesar do aumento da polarização da luta entre a esquerda e a direita.

De concreto, as políticas colocadas por esse documento são abstrações sem conteúdo real ou mesmo capitatuladoras, sem falar nada sobre a necessidade da organização independente e pela base dos trabalhadores – típico do morenismo.

O discurso de que Chavez não é socialista e por isso deve ser atacado é simplesmente ridículo. Ochavismo não passa de nacionalismo burguês e sob esse ponto de partida deve ser estruturada a política proletária.

Falar que o frango na Venezuela está caro como motivo para combater Chavez, por exemplo, é constatar uma realidade, mas não convence as massas deslindar-se do chavismo. E mesmo se o fizerem, qual seria a alternativa? Capriles? Trata-se de demagogia eleitoral rasteira, típica de quem não tem participação no movimento político real, no movimento sindical ou social, e fica no vale tudo dos discursos demagógicos.

Criticar o chavismo pelo desabastecimento, como o PSTU, entre outros, o faz, também implica em fazer o jogo da direita. Quem provoca o desabastecimento são os capitalistas, como o próprio documento referido o reconhece. Por que, atacar o governo de Maduro diretamente por isso? O correto seria criticar a falta de ação do governo chavista contra a burguesia (intervenção nas empresas, controle operário). Os culpados são os capitalistas, portanto, ao governo, que goza da confiança da enorme maioria da população, lhe deve ser exigido que intervenha essas empresas, que as estatize. E se não o fizer, deve ser denunciado por isso, por capitular, mas em nenhum momento coloca-lo como o principal culpado.

A desvalorização da moeda foi uma medida monetária defensiva perante a queda do faturamento da PDVSA, que está na base do colchão social de controle das massas. A mesma medida seria tomada pela direita e ainda entregaria a PDVSA para o imperialismo, o que lhe obrigaria a acabar com os programas sociais e a impor um regime a la Pinochet para conter as massas. Isso deve ser deixado muito claro, do que esse documento passa muito longe.

A política de atacar o chavismo em bloco e a de colocar no mesmo nível a burguesia nacionalista e a direita pró-imperialista são profundamente erradas devido a que, além de igualar as duas alas da burguesia, confundem a estratégia (entendimento do caráter burguês do nacionalismo) com a tática, isto é, a política que permitiria ganhar as massas que formam a base social do chavismo.

Os revolucionários proletários não deveriam atacar o chavismo em bloco, mas nos aspectos práticos. Por exemplo, nós concordamos com a defesa do petróleo, dos programas sociais e a crítica contra a direita liderada por Capriles mesmo com todas as deficiências e limitações enormes que apresenta. Mas, ao mesmo tempo, nós sabemos que o chavismo, como típico nacionalismo burguês, é incapaz de levar a luta até o fim; isso somente poderá ser feito pela classe operária por meio de um partido operário.

 

A falência da frente de esquerda

 

O ponto de partida da política revolucionária proletária é lutar pela organização do partido revolucionário de massas do proletariado e não votar em quem tiver o discurso mais bonito. O problema colocado é como ter acesso à classe operária, que na Venezuela é chavista, na Argentina peronista e no Brasil petista. A nossa política deve estar orientada para o movimento operário e não para organizações centristas ditas trotskistas.

A política da frente de esquerda busca aglutinar grupos centristas com o objetivo básico de eleger um deputado, o que implica na necessidade prática de capitular diante da burguesia em vários aspectos, normalmente rebaixando o programa para se mostrar palatável perante a imprensa burguesa ou para adequar-se de grupos oportunista, como os influenciados pelo morenismo. Colocar a luta da classe operária nas mãos da esquerda centrista da Venezuela, que no fundo é chavista, é repetir uma política fracassada.

O candidato “natural” da esquerda pequeno-burguesa e dita trotskista, Orlando Chirino, desistiu de participar como candidato independente, e a deixou órfã. Todos esses grupos se acovardaram perante as gigantescas mobilizações das massas, das quais não tiraram conclusões políticas.

Chirino é um chavista de carteirinha. Ele é um antigo burocrata chavista desde a fundação da CNT (Central Nacional dos Trabalhadores) pelos chavistas em 2003, após o lockout patronal e a tentativa de golpe de estado da direita, com o objetivo de disputar o controle da organização dos sindicatos à ultrapelega CTV (Central do Trabalhadores de Venezuela). Chirino foi empossado como funcionário da PDVSA em 2003 por meio da indicação do presidente da SINU-TRAPETROL, um dos dirigentes sindicais que fora empossado na nova diretoria da PDVSA por meio de um decreto presidencial. Em 2007, Chirino foi demitido por não concordar em integrar-se formalmente ao novo PSUV (Partido Socialista Unificado da Venezuela) e por não ter defendido o voto no “SIM” no referendo que foi derrotado em 2007.

Chirino passou a fazer parte do PPT de Henri Falcón, uma ruptura com Hugo Chávez pela direita que em 2010 acabou se aproximando da MUD de Capriles. Chirino se distanciou de Falcón e fundou o PSL (Partido Socialista e Liberdade), ligado à autodenominada internacional trotskista UIT-QI, que no Brasil é representada pela CST, do deputado do PSOL Babá, e na Argentina pela Esquerda Socialista que faz parte da Frente de Esquerda liderada pelo PO (Partido Obrero), grupos incuravelmente centristas pequeno-burgueses e frentepopulistas. Nas eleições presidenciais de outubro do ano passado, a frente liderada por Chirino obteve apenas 4.000 votos.

Agora, Chirino, para desilusão da esquerda pequeno-burguesa, não quis sair como candidato independente e passou a apoiar a Maduro, o que aliás não é uma ação muito heroica num momento de ascenso do apoio popular; muito mais heroico teria sido haver apoiado Hugo Chávez em 2007 com a direita e o imperialismo promovendo uma enorme campanha contrária. Chirino é chavista e o momento de apoiar Maduro é justamente agora, no sentido mais oportunista da política, considerando a obtenção de ganhos, pois é agora que o chavismo está em ascenso. Da mesma forma, Chirino rompeu com o chavismo quando a pressão da direita e do imperialismo estava em ascenso. Não é uma orientação política, mas um líder e um partido que flutuam ao sabor das ondas.

A medida em que a situação evolui, certas políticas, como a própria frente de esquerda, vão ficando mais claras, mostrando que não contribuem para a construção do partido revolucionário do proletariado. Formar um bloco de esquerda em torno de Chirino é oportunismo puro e o fato dele não ter aceitado sair candidato, não é nada surpreendente e comprova esta tese. Chirino é, na realidade, a Heloísa Helena venezuelana. A frente de esquerda venezuelana é chavista e, por esse motivo, em nada contribui para a luta do proletariado. A luta deve ser por um partido operário que tenha um candidato vinculado à luta operária e sua lutas independentes.

 

O programa revolucionário para a Venezuela

 

O programa concreto para a Venezuela, assim como para a América Latina, deveria justamente propor a construção do partido revolucionário do proletariado ao invés de ficar criticando o chavismo a esmo. É preciso entender que os trabalhadores apoiam o chavismo porque ele atende parte das reivindicações, enquanto a esquerda no melhor dos casos faz um discurso bonito.

O ideal seria lançar um candidato proletário próprio, levando em conta que as eleições burguesas, sob o ponto de vista marxista, não passam de uma tribuna propagandística. É neste sentido que os revolucionários deveriam ter trabalhado para estas eleições ou em vista ao futuro, independentemente de ter poucos votos.

Encarando o processo eleitoral como uma tribuna, é preciso focar-se na divulgação do programa revolucionário ao invés de “eleger um deputado de esquerda” como propõe, por exemplo, a Frente de Esquerda argentina, ou o PSOL e o PSTU no Brasil.

A política da frente de esquerda é uma política centrista, oportunista e focada em questões eleitorais que visa mostrar um tamanho desses grupos numericamente maior. Não tem nada a ver com a política de frente única operária e anti-imperialista da III e da IV Internacional, nem com a experiência revolucionária prática posterior, por exemplo, a da revolução boliviana.

O fato de obtermos poucos votos nem sequer deveria nos impressionar. Conforme formos aparecendo perante a população, principalmente através de uma correta orientação para as suas lutas econômicas e políticas, uma vez que elaborarmos a política correta, poderemos ir aparecendo como uma alternativa conforme a própria situação objetiva for evoluindo e até termos mais votos no futuro. Em momento de refluxo para os revolucionários é sempre preciso participar dos processos eleitorais, mas levantando a bandeira da política revolucionária, nunca priorizando a eleição de um deputado. Somente se justifica não participar do processo eleitoral quando ele contrariar, servir como obstáculo a outro movimento que estiver se desenvolvendo em outro sentido. Neste sentido, chama a atenção que a enorme maioria dos grupos da esquerda dita trotskista, apesar de serem super eleitoralistas não lançam, ou pelo menos tentam lançar, candidatos independentes, que divulguem o próprio programa, em quase lugar nenhum.

Publicado no Causa Operária Online número 3118, de 11 de abril de 2011

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Áudio da palestra-debate “A importância da Revolução Russa”

Poster do ciclo de debates sobre a Revolução Russa, novembro de 2012

Poster do ciclo de debates sobre a Revolução Russa, novembro de 2012

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Ouça aqui o áudio da palestra-debate realizada pelo Partido da Causa Operária

no 95 aniversário da Revolução Russa de 1917, com o companheiro

Rui Costa Pimenta, tendo o título de

“A importância histórica da Revolução Russa de 1917”

Thatcher: quando democracia e ditadura se encontram

Margaret Thatcher governou o Reino Unido de 1979 a 1990, tempo mais que suficiente para que destruísse a economia do país. Thatcher foi a grande promotora da política chamada neoliberal, que implementou com toda a brutalidade. Privatizações, ataque aos sindicatos e aos direitos dos trabalhadores e sucatemento dos serviços públicos fizeram do Reino Unido um dos primeiros países a sofrer as consequências do neoliberalismo, reduzindo parte da sua população à miséria. Thatcher chegou a praticamente abolir o salário mínimo e reprimiu duramente a greve dos mineiros em 1984, paralisação que durou um ano, com piquetes com milhares de trabalhadores e cuja derrota foi fundamental para quebrar a espinha dorsal do movimento operário inglês. Essa derrota foi o que permitiu a implementação da política que depois se espalharia para todo o mundo, chegando ao Brasil em 1994 com Fernando Henrique Cardoso e cujo colapso se deu em 2008.

O resultado do programa de “livre mercado” foi a queda final da produção industrial inglesa, tornando a economia inglesa ainda mais predominantemente especulativa.

Foi ainda Margareth Thatcher quem decidiu entrar em guerra com a Argentina pela posse das Ilhas Malvinas.

Apesar do evidente desastre da política neoliberal, a não ser, é claro, para o punhado de grandes capitalistas e especuladores que ganharam com ela, ainda há até hoje quem a defenda. Seus maiores defensores e aqueles que a implementaram, são hoje os que travam uma luta contra o nacionalismo burguês nos países atrasados, que tacham cinicamente de “ditatoriais”, como o governo Chávez, Cristina Kirchner, Fidel Castro, entre outros.

O mais interessante, no entanto, é notar que a política implementada por Thatcher na Inglaterra, por Reagan nos Estados Unidos tem como terceiro pé, fundamental para a implementação da política neoliberal, o sanguinário ditador chileno Augusto Pinochet. Ao mesmo tempo em que chamava Nelson Mandela de terrorista, Thatcher saudava o carniceiro chileno como amigo, com quem efetivamente mantinha estreita relação.

Acontece que Pinochet foi um dos primeiros grandes defensores da política “neoliberal” e o Chile foi o grande laboratório do neoliberalismo, cuidadosamente escolhido para tal e preparado para receber a política dos “Chicago boys”, o que, dado o grau de estatização da economia, não poderia ser feito sem uma repressão violentíssima, que esmagasse completamente o movimento operário e sindical chileno e toda e qualquer forma de resistência. Hoje no Chile, não se encontra nem sequer uma goma de mascar feita no País.

O “livre mercado” tal como é colocado por esse grupo, importante deixar claro, é exatamente o oposto do que seu nome indicaria. Não se trata de uma livre concorrência já impossível nos dias de hoje, mas da dominação brutal de um pequeno grupo de monopólios capitalistas e banqueiros sobre a economia, em que a intervenção do Estado na economia obviamente não deixa de existir, mas sim existe para favorecer completamente esses grupos em detrimento da grande maioria da população.

Thatcher é a prova, agora já falecida, de que a política de terra arrasada dos defensores de um suposto “livre mercado” tem como complemento ideal não a democracia de fachada dos países imperialistas, mas a ditadura escancarada de Pinochet, o que mostra que essas nada mais são que duas faces do próprio capitalismo, a serem usadas de acordo com a conveniência dos que dominam a economia mundial.

Publicado no jornal Causa Operária Online número 3417 , de 10 de abril de 2013

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a revolta que derrubou Thatcher

a revolta que derrubou Thatcher

Thatcher: when democracy and dictatorship are one

Margaret Thatcher ruled Britain from 1979 to 1990, more than enough time to destroy the country’s economy. Thatcher was the great promoter of so called neoliberal policy, which she pushed on with extreme brutality. Privatization, attacks on unions and workers’ rights and public services destruction made the UK one of the first countries to suffer the consequences of neoliberalism, reducing part of its population to misery. Thatcher came to virtually abolishing the minimum wage and harshly repressed the miners’ strike of 1984, struggle that lasted a whole year, with pickets formed by thousands of workers and whose defeat was instrumental in breaking the backbone of the British labour movement. That defeat was what allowed the implementation of that policy later to spread to the entire world, coming to Brazil in 1994 with Fernando Henrique Cardoso and whose collapse occurred in 2008.

The result of the program of “free market” was the final fall of the British industrial production, making the UK economy even more predominantly speculative.

It was Margaret Thatcher who still decided to go to war with Argentina over possession of the Falkland Islands.

Despite the obvious disaster of neoliberal policy, except, of course, for the handful of big capitalists and speculators who won with it, until today there are still those who defend them. His biggest supporters and those who have backed her experiments, are today waging a struggle against bourgeois nationalism in the backward countries, which they cynically call “dictatorial”, as the Chavez government, Cristina Kirchner, Fidel Castro, among others.

Most interesting, however, is to note that the policy implemented by Thatcher in Britain, by Reagan in the United States has the third leg, fundamental to the coming of age of neoliberal policies, the murderous Chilean dictator Augusto Pinochet. While calling Nelson Mandela a terrorist, Thatcher greeted her butcher Chilean friend, with whom she actually had a close relationship.

It turns out that Pinochet was one of the first major policy advocates “neoliberal” and Chile was the great laboratory of neoliberalism, carefully chosen and prepared to receive such a policy of “Chicago boys”, which, given the degree of state control of the economy, could not be done without a very violent repression, which completely crushed the Chilean labour movement and any form of resistance by bloody force. Today in Chile, there is not even a chewing gum manufactured domestically.

The “free market” as conceived by this group, it is important to be clear, is exactly the opposite of what its name would indicate. This is not a free competition economy, something already impossible these days, but the brutal domination of a small group of bankers and capitalist monopolies over the economy, where state ownership in the economy obviously no longer exists, but brutal intervention exists to promote these groups to the detriment of the vast majority of the population.

Thatcher is the evidence, now deceased, that the scorched-earth policy of the defenders of a supposed “free market” is not only ideal to complement the appearance of democracy in imperialist countries, but also the blatant dictatorship of Pinochet, which shows that these are but two faces of capitalism itself, to be used according to the convenience of those who dominate world economy.

Pulbicado no Causa Operária Online número 3417, de 10 de abril de 2013

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