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Um dos pioneiros da causa antimanicomial é assassinado na Bahia

Marcus Vinícius de Oliveira era professor aposentado de Psicologia. Sua morte está envolvida com a disputa de terra entre indígenas e fazendeiros da região

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O professor universitário aposentado do curso de Piscologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Marcus Vinícius de Oliveira Silva, de 57 anos, foi assassinado na noite da última quinta-feira, 5, no povoado de Pirajuía no Recôncavo baiano.

Marcus Vinícius era militante na luta antimanicomial no país, considerado um dos pioneiros na criação dos Centros de Atuação Psicossocial, os Caps.

De acordo com as investigações, dois homens o procuraram em sua residência na noite de quinta-feira, por volta das 19 horas, dizendo que uma amiga passava mal. Após concordar em seguir até a casa da amiga, juntamente com os dois suspeitos, Marcos Vinícius foi levado para uma estrada de terra onde foi executado com um tiro na cabeça.

O professor também atuava como mediador de conflitos de terra envolvendo comunidades indígenas e fazendeiros no município onde morava, Salinas das Margaridas. O mais provável é que seu assassinato esteja relacionado a esse fato.

O Conselho Federal de Psicologia ressaltou, em nota, o papel destacado que teve Marcus Vinícius na luta pela reforma psiquiátrica no Brasil.

O assassinato de Marcus Vinícius mostra que a direita fascista está cada vez mais à vontade para cometer seus crimes.

O golpe do IDESP e imprensa – Nada funciona, mas tudo melhorou na Educação

Propinas nos contratos de merenda desviaram milhões, mais de 4 mil salas de aulas fechadas, milhares de professores sem aulas na primeira atribuição…. mas a venal imprensa burguesa a serviço do governo tucano anunciam, cinicamente, que o IDESP subiu e tudo ficou melhor

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Às vésperas de começar um novo ano letivo, depois de um ano em que os professores fizeram mais de três meses de greve e centenas de escolas estaduais fora ocupadas pela comunidade escolar contra a tentativa de fechar até mil escolas, impor a transferência compulsória de mais de um milhão de alunos e aprofundar o caos reinante na escola pública dirigida pelos tucanos, governo Geraldo Alckmin e sua servil imprensa burguesa, anunciam, com o cinismo que lhe é peculiar que 2015 foi o ano de maior avanço nas escolas estaduais do Estado de São Paulo.

A afirmação foi feita com base num suposto aumento dos índices do Idesp (índice de desenvolvimento da educação), divulgado nos últimos dias pelo portal da Secretaria de Educação, que acrescenta que São Paulo alcançou o melhor índice da educação pública estadual.

Depois da tempestade de 2015…. não vem a bonança

Todos lembram de 2015 como um ano de muitas lutas, onde os professores realizaram a mais longa greve de sua história (92 dias), ocuparam as ruas de São Paulo, a Assembleia Legislativa, fecharam dezenas de importantes avenidas e rodovias em todo o estado, isso tudo contra a truculência do governo tucano que age de forma autoritária contra a categoria e a população, congelando os salários, fechando salas, deixam dezenas de milhares de professores sem emprego (na duzentena), ainda no primeiro semestre.

No segundo semestre de 2015 o governo tentou impor a “reorganização escolar”, com a qual pretendia fechar até mil escolas, como já havia feito em 1995. Novamente professores, alunos, pais, movimentos sociais se levantaram contra tal ação e barraram, através da mobilização, manifestações, protestos e ocupação de escolas, a reorganização imposta pelo PSDB.

O ano de 2016 começou com as denúncias das propinas recebidas por deputados e líderes do PSDB vindas da merenda escolar, além do fechamento de mais mil escolas, segundo levantamento parcial realizado pelo sindicato dos professores (APEOESP). Em cerca de um terço das subsedes da entidade (33) forma apuradas 594 salas fechadas, com o que é possível prever mais de mil salas fechadas neste ano, somadas às fechadas em 2015, seriam mais de 4 mil salas de aulas a menos.

Com tais números, crescem os casos de superlotação estimulados pelo governo que autorizou um aumento de 10% do máximo de alunos por sala, podendo cehgar a 44 no ensino médio.

Cegueira comprada com dinheiro da Educação

A imprensa que “não vê” o caos, mas “enxerga” o progresso da escola tucana é (não por coincidência) a mesma beneficiária de contratos milionários de assinaturas de jornais e revistas feitos pelo governo estadual com verbas subtraídas da Educação: mais de R4 50 milhões por ano.

Assim a imprensa golpista, capaz – por exemplo – de fazer alarde com o número de visitas que o ex-presidente Lula tenha feito a um sítio, trata como um episódio menor (em qualquer destaque) a denuncia de que o próprio ex-secretário da Educação tenha recebido R$ 100 mil pela renovação de um único contrato de fornecimento de merenda escolar e que as propinas nos contratos bilionários do setor variem de 10 a 25%, beneficiando deputados e homens de confiança do governo tucano– conforme relatado por dirigentes da Coaf (cooperativa de produção de alimentos familiar) presos, escutas telefônicas e outras provas levantadas pelo Ministério Público e Policia Civil.

Mais uma denúncia – Lula deve ser destruído

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Não boto a minha mão no fogo por Lula; mas muito menos pelas pessoas que o denunciam. O mesmo vale para o PT. As denúncias da operação Lava-Jato, as prisões de empresários que nunca foram exemplos de lisura, a cassação de políticos corruptos; tudo isso parece colocar o Brasil no melhor dos mundos. Não fosse o fato de que essas denúncias tivessem como autores pessoas sem escrúpulos, políticos mais corruptos ainda e uma imprensa tradicionalmente golpista, poderíamos até mesmo acreditar em uma moralização da política no Brasil.

Mas não se trata de moralização. Trata-se, sim, de uma implacável perseguição à esquerda brasileira. A origem é inquestionável; como sempre, os Estados Unidos da América e sua política de rapinagem. Estes exemplos traçam um caminho que leva ao Brasil: o golpe no Egito, o golpe na Ucrânia, o cerco à Rùssia, a interferência nos processos eleitorais de todos os países da América Latina, sem exceção.

Os governos de esquerda, na América do Sul, sofrem com a interferência dos norte-americanos. Cresce a pressão sobre a Venezuela. O golpe está sendo dado sobre ela, e a direita já venceu as eleições para o Congresso. Na Argentina, ocorreu o contrário: a esquerda perdeu as eleições presidenciais, mas continuou sendo maioria no Parlamento. Macri, no entanto, governa por meio de decretos, pilhando o país e a classe operária.

No Brasil, a situação não é muito diferente. Dilma Rousseff continua no poder. Ameaçada, é verdade; mas continua. Quanto tempo resistirá depende de seu partido. Ou reage ou deixa de existir. Este é o plano: varrer o PT do mapa político do país. Para isso, a direita investiu pesado na eleição de parlamentares opositores; investiu também em uma intensa propaganda política pela Internet, patrocinando grupos de reação (MBL, Revoltados online, etc.), cooptando a imprensa nacional; enfim, cercando o PT por todos os lados.

Parte dessa campanha é a Operação Lava-Jato e uma série de denúncias de corrupção. Por que essas denúncias surgiram apenas agora não é mistério: é golpe.

E a iminência do golpe assanha a direita; o PT, por sua vez, não reage. A esquerda pequeno-burguesa (PSTU, Psol e satélites) vive afirmando que a ideia de um golpe de Estado é fantasia. E, mesmo aqueles que enxergam a possibilidade do golpe, não consideram a hipótese de uma golpe militar seguido de uma feroz ditadura.

Mas o golpe está em marcha, e a ditadura já está colocada. A polícia militar do Estado de São Paulo atua como uma verdadeira Gestapo contra as manifestações de esquerda (e serve de proteção às da direita) e intensifica a matança na periferia das cidades. O Congresso vive criando leis para ampliar a repressão (por exemplo, diminuindo a maioridade penal). No Brasil, censura-se livros, jornais e revistas. Cresce o cerco aos partidos políticos (cláusula de barreira) e à liberdade de associação (torcidas de futebol, ensaios de escolas de samba).

Mas o pior é que o poder judiciário deixou de ser um árbitro dos outros dois poderes para se tornar um poder acima deles. E acima do povo, decidindo quem pode se candidatar e quem não pode; quem pode se eleger e quem não pode. O poder popular, a democracia, tornou-se uma simples fantasia de carnaval.

E tudo isso, acobertado por uma imprensa venal. O que falta para que efetivamente tenhamos uma ditadura? O impeachment e a cassação política de Lula e do PT. Depois disso, o chicote.

São Paulo: muitos incêndios, nenhuma explicação

O patrimônio cultural vem sendo destruído na cidade

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Um incêndio atingiu nesta quarta-feira (3) a Cinemateca Brasileira e destruiu rolos de filmes antigos armazenados no local. Foram cerca de 500 títulos queimados, entre eles curtas-metragens e cinejornais. A cinemateca se localiza na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e conta com 44 mil títulos em sua coleção. O fogo destruiu um dos quatro galpões onde são armazenados filmes antigos, que utilizavam materiais diferentes na sua produção.

Este já é o quinto caso de incêndios em instituições públicas no estado em cerca de cinco anos. Além da Cinemateca, foram destruídos partes do Museu da Língua Portuguesa, Instituto Butantan, Memorial da América Latina e o Liceu de Artes e Ofícios. Com excessão da própria Cinemateca, ligada ao governo federal, os outros casos de incêndio aconteceram em órgãos ligados ao governo estadual tucano.

O primeiro foi em maio de 2010, quando o Instituto Butantan perdeu um dos maiores acervos de espécies de repteis do mundo e maior do Brasil. Em seguida, em 2013 foi a vez do Memorial da América Latina que perdeu um auditório e até hoje não foi reaberto. O Liceu também perdeu quase todo o seu acervo de quadros, esculturas, móveis antigos e réplicas de gesso no fogo. O museu da Língua Portuguesa foi o mais recente desastre, ocorrido no final de 2015 que destruiu dois andares inteiros do prédio.

É estranho, para dizer o mínimo, que tantos órgãos culturais tenham pegado fogo em tão pouco tempo. Todas essas tragédias têm em comum o descaso com o patrimônio cultural e científico da população. Os grandes banqueiros e capitalistas exigem e pressionam os governos a investirem cada vez menos em setores como saúde, educação e cultura. Para os capitalistas, é preciso que o dinheiro dos trabalhadores seja desviado para seus próprios bolsos.

A Campanha a favor de Alckmin: tudo melhora no governo às vésperas das eleições

Imprensa golpista ajuda Alckmin a maquiar os índices do IDESP

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Está gostoso, Geraldo?

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O trio merenda: Capez, Alckmin e Nogueira.

Nessa quarta-feira, dia 5 de fevereiro, saiu o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP), que leva em consideração os índices do Saresp mais o fluxo (aprovação e reprovação) das escolas. Ou seja, uma manipulação dos números para maquiar o caos da educação paulista.

Os resultados mostram uma tendência já observada em outros anos. Uma melhora insignificante  nos anos iniciais do fundamental e uma estagnação gigantesca nas etapas seguintes. No 5.º ano do fundamental, a média do Estado foi de 212,7 em Português e 223,6 em Matemática, um aumento de 4,4% e 3,2%, respectivamente, um aumento pífio frente a uma educação sucateada e, provavelmente, também um falso aumento.

O patamar considerado adequado para as disciplinas é de 200 e 225. Já os alunos do 9º ano aumentou 2,8%, em Português, e 4,9%, mas estão “abaixo do básico”, ou seja, não dominam plenamente os conteúdos. O mesmo ocorreu no 3º ano do ensino médio, no qual, por exemplo, os adolescentes não conseguem interpretar gráficos e imagens.

Mas o governador e a venal imprensa capitalista vê isso como um avanço para a educação e promete que até 2030 o Brasil chegará nos patamares dos países desenvolvidos. Mas como avançar se não há investimento real na educação?

A defasagem do piso salarial dos profissionais da educação é de 75%, só no ano de 2015 foram fechadas mais de 3.000 salas de aula e nestes ano os números iniciais já contabilizam mais de mil salas. O ano de 2015 terminou com o governo Geraldo Alckmin sendo derrotado na sua tentativa de fechar até mil escolas do ensino básico por conta de uma grande mobilização de professores, estudantes, pais e funcionários, com a “reorganização” ocorreria a demissão de mais de 50 mil professores.

No começo de 2016 foi noticiada a máfia da merenda escolar, ma qual o PSDB desviou milhões. Quem encabeça o esquema são o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, e o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), ex-secretário da Agricultura e atual chefe da Secretaria de Logística e Transportes, figuras de proa do governo Alckmin.

Ano de eleições municipais onde tudo é inflacionado pela imprensa golpista que blinda os governos do PSDB com suas estatísticas. Onde os retrocessos viram avanços por meio das manipulações dos números.