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Caso Neymar: mais uma etapa da campanha imperialista contra o futebol brasileiro

Neymar poses with his new jersey next to sports director Andoni Zubizarreta and vice-president Ferran Bartomeu after signing a five-year contract in Barcelona

A imprensa capitalista tem dado destaque a dois processos envolvendo o atacante da Seleção Brasileira e do Barcelona, Neymar Jr. Os dois processos, um no Brasil e outra na Espanha, envolvem o jogador, seu pai, e dirigentes do Barcelona e do Santos, atual e ex-clube do atacante.

No Brasil, o jogador e seu pai são denunciados pelo Ministério Público Federal por sonegação de impostos e falsidade ideológica. O pai de Neymar seria o mentor do esquema que forjou documentos para deixar de pagar a Receita Federal. A acusação diz que as empresas ligadas as jogador, a Neymar Sport e Marketing, a N&N Consultoria Esportiva e Empresarial e a N&N Administração de Bens, Participações e Investimentos, são de fachada, usadas para desviar dinheiro de salário e transições envolvendo Neymar.

Na Espanha, onde o processo já está em andamento, Neymar, o pai e o atual e ex-presidente do Barcelona prestaram depoimento em Madri, na terça-feira, dia 4. As investigações dizem respeito aos valores pagos na transferência do atleta do Santos para o Barcelona. O clube e a família do jogador teriam divulgado valores abaixo do que foram acertados. O clube catalão informou em 2013, época da contratação, que a transação havia custado 17 milhões de euros, porém, quando o então presidente Sandro Rosell renunciou, a direção do Bracelona admitiu ter gastado 57 milhões, valor que foi elevado para 83,3 milhões pela Procuradoria espanhola.

A denúncia foi feita pelo fundo de investimentos brasileiro DIS, que alega ter sido enganado por não ter recebido a porcentagem correta que lhe cabia pela contratação do jogador. A DIS também alega que foram ocultadas ofertas maiores de outros clubes ao jogador.

Mais uma vez, a corrupção

As informações sobre o que de fato aconteceu são muito confusas. Essa semana, Neymar divulgou em seu sítio oficial na internet uma reposta às acusações. Na nota, o procurador do Ministério Público Federal, Thiago Lacerda Nobre, responsável pela denúncia no Brasil, é acusado de estar sendo movidos por interesses “extracampo”, de estar “procurando holofotes” e de estar passando por cima de Súmula do STF que prevê que os acusados “só poderiam ser considerados “sonegadores” ao fim do processo em tramitação na receita federal”, segundo palavras da nota publicada no sítio do jogador (http://www.neymaroficial.com/pt/posts/quatro-perguntas-ao-procurador-thiago-lacerda). De fato, como tem sido uma constante no judiciário brasileiro, o que vigora é o “culpado por suspeita”. Antes mesmo de serem levantadas provas, o denunciado já é considerado um criminoso, sempre quando é de interesse da imprensa capitalista e da direita golpista.

O que chama a atenção no caso de Neymar é justamente isso. Muitos jornalistas de esquerda tem comemorado a repercussão das denúncias alegando que Neymar é um apoiador/eleitor de Aécio Neves. Mas isso não resolve o problema.

Claro que o imprensa golpista fará um ótimo trabalho para ocultar a ligação do PSDB com Neymar, mas esse não é o ponto central do problema.

Neymar e seu pai não são o PSDB, não são Aécio Neves e não são sequer representantes políticos da direita nacional. Se fossem, não estariam ocupando páginas da Veja, da Folha e do Estadão e os noticiários da Rede Globo.

Fato é que Neymar foi escolhido pela imprensa golpista como o novo alvo da “luta contra a corrupção”. Com certeza, essa escolha não está relacionada com sua declaração de apoio a Aécio Neves.

Difícil não é acreditar que possa ter havido irregularidades nas transições envolvendo Neymar. Difícil mesmo é acreditar que o caso é o único e isso explica o destaque dado pela imprensa golpista. É justamente isso que chama a atenção.

O problema da “luta contra a corrupção” levantado pela direita é sempre e em todos os casos um disfarce para algum tipo de golpe. E o golpe, nesse caso, está muito claro: o escândalo envolvendo Neymar é parte e continuação da campanha golpista e pró-imperialista contra o futebol brasileiro.

De novo a campanha contra o futebol brasileiro

A campanha contra o futebol brasileiro é antiga. Há muito tempo o futebol sofre com as tentativas dos Europeus de imporem seu estilo. Mas ao contrário do que parece, não se trata de um problema superficial de um “estilo contra o outro”. O que está em jogo é a desmoralização do futebol brasileiro e latino-americano com o objetivo de impor uma dominação completa dos grandes monopólios.

Para os grandes monopólios que exploram o futebol – de longe o esporte mais popular do mundo – é muito mais vantajoso que haja uma padronização europeia.

É isso o que está por trás também da intervenção norte-americana na FIFA, que com a desculpa de corrupção, excluiu todos os dirigentes ligados ao futebol latino-americano para fortalecer uma ala diretamente ligada aos interesses imperialistas na FIFA.

Nesse sentido, é preciso fazer com que os brasileiros se convençam de que se deve torcer para o Barcelona ou o Real Madrid e não para um clube brasileiro. Para os monopólios, vender camisas dos clubes europeus é muito mais lucrativo. Isso apenas para citar um exemplo.

O ataque contra o maior jogador da atualidade, o brasileiro Neymar, é parte dessa campanha de desmoralização. Apesar de ser jogador do Barcelona, é preciso convencer que não há nada de extraordinário nos jogadores brasileiros, ainda que seja o “óbvio ululante” como diria Nelson Rodrigues em artigos dos anos 60 que já tratavam sobre o problema da tentativa de desmoralização do futebol brasileiro.

Lava Jato, Zelotes… operações políticas contra Lula e o PT

Alguns blogs divulgaram no início desse mês a entrevista de um ex-delegado da Polícia Federal em que o caráter político da atuação da Polícia Federal fica absolutamente claro

policia federalHá uns anos atrás, Armando Coelho Neto, ex-presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal participou da tomada de depoimento de um ex-presidente da República; Fernando Henrique Cardoso.

Na ocasião, a PF se deslocou até o apartamento de FHC em São Paulo. “Havia uma certa deferência”, disse. “Hoje a figura do ex-presidente é escrachada. O ex-presidente é chamado para depor por coisa que nem parece lhe dizer respeito. Fico perplexo com a mudança de acordo com a conveniência da exploração midiática para o caso.”

Armando Coelho Neto falou abertamente: “Eu não acho que exista um combate à corrupção, existe uma guerra declarada ao Partido dos Trabalhadores”.

Ele chamou também a atenção para a questão dos vazamentos seletivos de informações. E questiona, “quem patrocina os vazamentos? Instituições com o Ministério Púbico, Polícia Federal, Justiça Federal?” Lembra que vazamento é crime. E que o ex-delegado Protógenes Queiroz foi demitido da PF e denunciado no Supremo Tribunal Federal por causa de vazamento; por quebra de sigilo.  E que “o governo vem sendo sabotado pelo congresso e outros órgãos e outros setores da sociedade”, disse.

Não há dúvidas de que as recentes operações da Polícia Federal, Lava Jato e Zelotes, são um instrumento de perseguição contra o governo petista, como parte de uma clara atuação golpista que visa derrubar Dilma Rousseff e desmoralizar Lula, para impedi-lo de participar das eleições 2018.

“A operação Zelotes que envolve grandes bancos e empresas, e que é uma grande fraude fiscal, talvez uma questão maior que da Petrobras, a Rede globo através da RBS e outros não é divulgada” e virou “uma coisa para investigar o Lula e sua família, que não têm nada a ver com a operação”.

O governo é vítima dos instrumentos que ele mesmo colocou para funcionar. Ao contrário do que se viu em outros governos, a PF atua porque nesse momento “tem todas as condições para funcionar”. Segundo o ex-delegado, “Dilma aprovou 13 normas que fortaleceram a polícia federal”. No governo FHC, “não tinha autonomia”, disse.

As informações vindas de alguém que conhece a PF por dentro não deixam margem para qualquer dúvida. A atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça Federal tem caráter político e visam derrubar o governo Dilma Rousseff.

Mein Kampf é de distribuição permitida em Israel

Circulação da obra foi proibida no Rio de Janeiro em recente decisão do judiciário

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Recentemente uma decisão do Poder Judiciário do Rio de Janeiro impediu de circulação e comercialização o livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, uma espécie de manifesto nazista.

A justificativa para tal decisão é que a lei brasileira proíbe a divulgação do nazismo em solo brasileiro e, nesse sentido, a obra deveria ser banida. As pessoas não podem ler o livro e tirar suas próprias conclusões.

O problema é que se trata de uma publicação, um texto, em grande medida histórico e que não pode ser alvo de censura só por ser “politicamente incorreto”.

Quem seria o poder censor? O Poder Judiciário, que detém em seu currículo vasta ligação com os regimes mais direitistas do Brasil, como a ditadura militar.

Provando que não passa de uma decisão abertamente fascista da justiça, Alemanha e Israel, dois países onde os povos foram envolvidos diretamente com o problema do nazismo, não proíbem a circulação do livro. No caso de Israel, os judeus foram as principais vítimas do nazismo, e nem por isso o livro que trata do problema foi banido.

Isso demonstra que a decisão da justiça brasileira tem somente o objetivo de abrir um precedente para que as publicações sejam controladas pelo Estado, que sejam editadas, proibidas ou permitidas em parte, etc.

Nesse primeiro momento, a justiça tenta se apresentar como politicamente correta, cassando um livro nazista, mas depois, esse tipo de decisão irá atacar abertamente os textos e publicações revolucionários.

Na falta de algo mais concreto: o sítio de Lula

O “crime” do ex-presidente foi ter ido em um sítio por mais de cem vezes nos últimos quatro anos

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A imprensa burguesa, com base nas supostas “investigações” da Polícia Federal e do Ministério Público, sem conseguir achar qualquer prova de algum crime, agora faz a séria “denúncia” de que Lula teria ido a um sítio.

Dentre os “crimes” de Lula está o fato de ele ter ido mais de cem vezes a esse sítio nos últimos quatro anos. A cobertura da imprensa golpista é tão ridícula que chega a citar que o sítio é “do tamanho de 24 campos de futebol, com piscina e lago, cercado pela natureza”, de acordo com a matéria do G1. Não se sabe exatamente o que significa tal frase do portal da Globo, seria uma insinuação de que Lula desviou àgua da cantareira para fazer o lago?

Dando continuidade ao “trabalho” das investigações da operação Lava Jato, onde vale o que se fala e não é necessário produzir prova de crime, duas pessoas que trabalharam nesse sítio, um empresário e um arquiteto, afirmaram em depoimento que este sítio teria ligação com José Carlos Bunlai, que também já foi preso pela operação da Polícia Federal.

As informações da imprensa burguesa, se é que se pode dizer isso, dão conta que os donos do sítio apresentados em um escritura do teriam sido sócios do filho de Lula em algum outro empreendimento e que, por isso, os procuradores “suspeitam” que o verdadeiro dono do sítio seja o ex-presidente Lula.

O outro crime é que uma reforma do sítio teria sido feita pela OAS e/ou Odebrecht , empresa também investigada pela operação da Polícia Federal. Essa informação, também, foi conseguida por meio de depoimento.

Essa “denúncia” está sendo ridicularizada por diversos sites e blogs da internet. Isso porque ninguém consegue enxergar crime algum em frequentar sítios. Nem mesmo a polícia consegue ver algum crime. Tudo que eles fazem é levantar um boato, fruto de um depoimento, de alguém que disse que viu Lula (ou alguém do PT) fazendo uma determinada coisa que, segundo uma outra pessoa, deveria ser considerada ilegal. Na verdade, ninguém, tem prova alguma contra Lula, de crime algum.

Estão forçando a barra para tentar manter uma campanha constante contra o Partido dos Trabalhadores e Lula, para, com isso, conseguir algum apoio popular diante do golpe, do impeachment. Depois do sítio, se a investigação continuar com o mesmo sentido, vão falar que Lula esteve duas vezes em uma praia, três vezes em um estado qualquer. E que o fato de ele “estar” em qualquer lugar é crime.

Contra a corrupção: lava-jato persegue apenas empresas nacionais

A “punição seletiva” mostra a quem serve os juízes da lava a jato

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A Operação Lava-Jato já prendeu alguns presidentes, diretores de empresas que mantinham contratos com a Petrobras, políticos do PT também foram presos, todos citados em delações premiadas.

No decorrer destes processos diversos contratos foram bloqueados e cancelados e em sua maioria eram contratos da petrolífera com empresas brasileiras.

Denunciada por punir apenas companhias brasileiras, as operações da República do Paraná intervieram no funcionamento e contratações de empreiteiras nacionais chegando a congelar suas operações.

No entanto, variadas companhias internacionais, como firmas com sedes na Itália, Holanda, Estados Unidos, Alemanha e outros países também foram citadas em delações premiadas, envolvidas em esquemas de corrupção com a Petrobras. Essas empresas, no entanto, receberam tratamentos diferenciados, não foram punidas.

Fica claro que o objetivo da Lava-Jato, além da derrubada do governo petista, é a privatização da estatal de petróleo e o fortalecimento de empresas imperialistas, m detrimento das nacionais.

Qualquer notícia envolvendo firmas nacionais vira tema de intensa campanha de desmoralização e ataques. Quando se trata de grandes empresas imperialistas, a imprensa golpista silencia.

Os casos da Alston e da Siemens, envolvidas no escândalo do trensalão do governo tucano em São Paulo são exemplos de que mesmo com as denúncias nada acontece com empresas imperialistas.

Estas denúncias evidenciam que a luta contra a corrupção nada tem a ver com uma luta pela “moralidade” em busca de empresas “honestas”. A Lava-Jato serve como um escritório dos interesses dos grandes monopólios imperialistas no Brasil.