Mein Kampf banido, o debate continua…

A censura só faz fortalecer determinados poderes do regime burguês

Nacional - Juliano - 13-2-16 - Mein Kampf - o debate continua

A recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em cassar o livro Mein Kampf, de Adolf Hitler, tem gerado debates sobre a existência ou não do direito de cassar o livro por conta das ideias que são defendidas nele.

Uma questão parece pacífica: que o livro levanta uma série de ideias abertamente racistas e que defende o extermínio de populações inteiras, negros, judeus, etc. Ideias que se tornaram prática através do mundialmente conhecido nazismo.

O que não está claro para diversos colunistas e grupos de esquerda é se, por conta dessas ideias, o livro deve ser banido das bibliotecas e livrarias.

Esse debate, no caso do Rio de Janeiro, é meio sem sentido, já que o Poder Judiciário já tomou sua decisão e, sem consultar nenhum desses colunistas, tirou o livro de circulação no estado. Independente do que pensam alguns, o juiz já decidiu por todos, e esse é o problema que deve ser debatido.

Em primeiro lugar, existe o direito de expressão. Que, embora façam divagações sobre ele, é o simples fato de dizer o que se pensa. Publicar e divulgar essa ideia da melhor maneira. E só.

Neste direito constitucional não é possível fazer limitação. Trata-se de um direito elementar em qualquer democracia que se preze. Se o direito é limitado não é mais direito, acaba se tornando privilégio. O direito à expressão da burguesia, por exemplo, é muito mais bem utilizado do que qualquer outro direito de expressão.

A divulgação de um pensamento, por mais horripilante e irracional que seja, não deve ser limitada sob nenhum pretexto. Isso porque coloca uma questão essencial: que mente divina irá limitar tal ou qual direito de expressão, essa ou aquela ideia? Existe essa mente? Claro que não.

A censura só faz alimentar determinados poderes do regime burguês.

Agora, independente de quem é contra ou a favor do que defende Mein Kampf, o livro está banido, pelo menos no Rio de Janeiro. Tanto para conhecimento histórico, quanto para criticá-lo, o livro não pode ser consultado. Só não enxerga o fascismo dessa decisão quem não conhece minimamente a história política mundial.

Finalmente, o pano de fundo de todo o debate em torno da censura do Mein Kampf é o verdadeiro caráter do Poder Judiciário brasileiro, que nada tem a ver com um regime democrático e se disfarça dos mais bem intencionados interesses para ir derrubando, pouco a pouco, os direitos democráticos.

Filie-se ao PCO, o partido que defende a liberdade de expressão

Direitos democráticos só existem sem condicionantes

Atividades - Juliano - 13-2-16 - Campanha de filiação - expressão

Nos últimos anos, a esquerda se acostumou a lutar por suas reivindicações fortalecendo os poderes para a repressão do estado. Esse exemplo pode ser visto no caso dos crimes de racismo, nos crimes contra homossexuais, a ser aprovado, e outros segmentos reprimidos pelo regime capitalista.  

Nesse aspecto, o fato de falar tal ou qual coisa sobre negros, mulheres, gays, etc., pode ser enquadrado em algum artigo do Código Penal, acionando toda uma organização de repressão do estado burguês. Da denúncia, repressão e, finalmente, à prisão quem atua não são os movimentos, mas a estrutura repressiva do regime burguês.

Ao invés de organizar a população contra a direita, que é quem mais pratica os atos acima mencionados, a alternativa de boa parte da esquerda é passar uma procuração para os órgãos de repressão do estado, para que estes, históricos inimigos da classe trabalhadora, exerçam uma suposta atividade progressista.

Uma liberdade democrática só existe sem condicionantes. Falar o que se pensa deve ser um direito garantido a qualquer pessoa. A liberdade de expressão e pensamento não pode ser condicionada sob nenhuma alegação.

Filie-se ao PCO, o partido que luta contra a repressão do estado, pelo direito irrestrito de expressão.

Reuniões preparam Seminário do PCO RJ/ES

Encontro acontece no próximo dia 20 (sábado), em Duque de Caxias e debate o programa, a política e a organização do Partido da luta contra o golpe, pela Revolução e o  Socialismo

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Realizam-se neste fim de semana, no Rio de Janeiro, reuniões que preparam a realização do Seminário Regional do Partido da Causa Operária daquele Estado e do Espiríto Santo.

As inscrições para o evento já estão sendo realizadas para este que é o terceiro Seminário Regional realizado pelo Partido em todo o País (de um total de 10 que já estão confirmados).

A atividade marca a retomada desses eventos (iniciados no começo de janeiro em Pernambuco e na Bahia) que vão ocorrer em todas as regiões do País até o mês de março.

O Seminário para os militantes, filiados e simpatizantes do PCO dos dois estados da região Sudeste, acontece em Duque de Caxias, há poucos minutos da Capital fluminense e numa região de fácil acesso para companheiros de todas as regiões do Estado do Rio e do Espirito Santo.

Como nos demais, visa debater o programa, a política para a situação atual e a organização do PCO na região e em todo o País.

Já estão confirmadas as presença de companheiros de mais de 10 cidades dos dois estados e a participação é aberta a todos os interessados.

O local do encontro será o salão do Mont Blanc Apart Hotel, localizado na Rua Passos da Pátria – 115, no Bairro Jardim 25 de Agosto, em Duque de Caxias.

O início do Seminário está previsto para as 15 horas, do dia 20 de fevereiro.

Nesta semana, foi criada uma página do evento no facebook onde podem ser obtidas informações sobre o mesmo e confrimadas presenças: https://www.facebook.com/events/156715684706428/ .

O objetivo do Seminário é impulsionar a campanha de filiação e fortalecimento do PCO nesses Estados, bem como discutir a mobilização partidária em torno de questões centrais, como a luta contra o golpe de estado colocado em marcha pela direita pró-imperialista.

A direção do PCO apresentará os principais pontos do programa partidário, debaterá a política revolucionária do partido diante do agravamento da crise política e econômica e explicará o funcionamento partidário, totalmente diferenciado dos demais partidos.

Na próxima semana, a comissão organizadora dos Seminários divulga o calendário dos demais Seminários Regionais que estão por ser realizados nos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul/Santa Catarina, Paraná, Ceará/Piauí/Maranhão, Pará/Amapá, Distrito Federal/Goiás,  Mato Grosso do Sul/Tocantis e Amazonas/Acre/Rondônia.

Policiais envolvidos na morte de mais 20 pessoas são libertados

Prisão teria passado do “limite legal”

Negros - Juliano - 13-2-16 - Policiais de Osasco libertados

Em agosto do ano passado, mais de vinte pessoas morreram em Osasco, em uma ação coordenada por homens encapuzados que, quase ao mesmo tempo, atiraram nas pessoas em bares da cidade.
O crime ficou conhecido como a Chacina de Osasco, e por um longo período a polícia e a imprensa burguesa tentaram mascarar a realidade que saltava aos olhos: a participação a Polícia Militar nas execuções.
Essa conclusão era óbvia por diversos fatores: os calibres usados nas execuções eram de armas de porte restrito, de uso militar. A covardia das execuções, com pessoas sendo mortas com tiros na nuca, também denunciaram a participação da PM. Além da coordenação na ação e o uso de capuzes e roupas escuras; método usado em quase todas as mortes.
Depois de muita conversa e enrolação das autoridades, algumas investigações concluíram que policiais estavam envolvidos. Mais tarde, sete policiais foram presos acusados de participarem da chacina.
Essas prisões foram feitas para acalmar a revolta do povo diante de tamanha atrocidade e sem nenhuma única pessoa responsável e presa. Mas elas também são feitas de maneira coordenada.
É por essa razão que o Tribunal de Justiça Militar, através do juiz José Álvaro Machado Marques, revogou as prisões desses setes policiais na tarde da última sexta-feira, dia 12. A justificativa, negada a 40% dos presos brasileiros, é que eles estavam presos preventivamente e o tempo da prisão excedeu o prazo legal.

Execução: o funcionamento regular da PM

Só em São Paulo quase duas dezenas de chacinas foram registradas no ano de 2015. Se levarmos em consideração os outros estados e as chacinas que sequer foram registradas como tal, não é possível saber quantas pessoas efetivamente foram mortas dessa maneira.
Esse método, ao contrário do que diz a imprensa burguesa, é uma característica típica da ação de policiais. Geralmente é usado para espalhar o terror em um determinado bairro, vingar a morte de algum policial, fazer acertos, ou fazer a limpeza social e racial, como foi o caso da Candelária.
A libertação dos policiais envolvidos na Chacina de Osasco só comprova que a corporação tem carta branca para promover execuções.
É por essa razão que a tentativa de reformar a polícia sempre acaba em fracasso. Em grande medida, a atuação das polícias já é fora lei, não obedece um regimento. Por essa razão é que se levanta a reivindicação de dissolução da PM, o fim da corporação.

Volpone – uma peça isabelina em cartaz

O teatro Mube Nova Cultural, em São Paulo, exibe a peça de Ben Johnson sobre a ganância

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Ben Johnson foi contemporâneo de Shakespeare. Escreveu inúmeras peças de teatro e Volpone talvez seja sua melhor peça. Se não, pelo menos a mais conhecida e a mais representada. Volpone é um rico cavalheiro que finge estar morrendo para enganar três pessoas que fingem agradá-lo com o propósito de herdar-lhe a fortuna.

Assim como Volpone, as personagens da peça têm nomes italianos de animais. Os espectadores da peça, no século XVII entendiam esses nomes como nomes italianos engraçados. Apenas quem conhecia a língua sabia o que havia por trás deles.

Como a peça trata da ganância, nada mais interessante do que retratar as personagens com nomes de animais predadores, como a raposa, o abutre, etc.

A diretora da peça ora em cartaz figurou as personagens com as máscaras da Commedia dell’Arte. Isso valeu-lhe uma crítica da Folha de S. Paulo. Mais uma vez o jornal soube mostrar, com maestria, a sua enorme arrogância. Como dono da verdade, procura destruir a encenação, fazendo chacota da ideia de fantasiar as personagens com roupas de animais.

Isso é sistemático no jornal. Seu quadro de medíocres intelectuais acham-se donos da verdade, talvez porque escrevam num jornal que se sente dono da verdade.

Mas a crítica parece ser mais direcionada ao próprio Ben Johnson do que à diretora da peça, Neyde Veneziano, a qual tratou logo de responder às críticas da Folha. E respondeu bem. Não sabemos por que razão o plumitivo disse que o público se sentiu infantilizado ao assistir à peça. E Veneziano também não, afinal como alguém poderia afirmar algo assim sem se dar ao trabalho de psicanalisar os espectadores.

Mas nada disso importa. O que importa é que é uma oportunidde rara de ver encenada no Brasil uma peça de Ben Johson, um magistral autor de teatro cuja obra foi eclipsada pela de Shakespeare e de Marlowe, seus contemporâneos.

A peça encontra-se em cartaz no teatro Mube Nova Cultural e os ingressos são de apenas R$5,00. No elenco, grandes atores, como Chico Carvalho (Volpone), Claudinei Brandão (Corbaccio), Dirceu de Carvalho (Bonário e Voltore), Eliana Rocha (Urraca), Fabio Espósito (Corvino), Fabíola Moraes (Célia e Serpina), Gabriel Miziara (Mosca), Guryva Portela (Soldado e Juiz).