O imperialismo diante da crise nas primárias

As eleições primárias norte-americanas começadas dia primeiro tem causado crise dentro dos dois partidos norte-americanos

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A eleição no estado do Iowa, que aconteceu na última segunda-feira, teve resultados inesperados e que estimulam a crise política no país. Na votação do Partido Democrático Hillary Clinton, candidata do mercado financeiro, saiu praticamente empatada com o senador Bernie Sanders, um candidato da esquerda do partido ligado aos sindicatos. Na votação republicana o candidato do mercado financeiro, Jeb Bush, mesmo tem recebido mais de 150 milhões de dólares recebeu menos de 3% dos votos, a votação foi liderada por Ted Cruz, senador pelo Texas e ligado ao Tea Party, organização de caráter fascista dentro do partido republicano.

O resultado eleitoral republicano mostra uma incapacidade da burguesia norte-americana de garantir o seu candidato e de impedir que a extrema-direita tome conta do cenário eleitoral. Com a falência da campanha de Bush a direção do partido e o principal setor da burguesia americana se organiza para promover Marco Rubio, 3º lugar no processo eleitoral de Iwoa, como alternativa a extrema-direita e a Donald Trump.

No processo eleitoral democrata Hillary Clinton ganha de Bernie Sanders por apenas 0,2%, Sanders disse em um discurso que o resultado era “praticamente um empate”. Politicamente é uma grande derrota de Clinton, no começo da campanha tinha uma margem de 30% sobre Sanders. Agora pesquisas mostram que ela o vence por uma margem de 2%, ou seja, um empate técnico. Ainda mais Clinton se prepara para uma derrota na eleição de hoje em New Hampshire onde pesquisas apontam uma margem de 10 pontos para Sanders, algumas fontes como o portal de noticias Common Dreams coloca a margem 16 pontos percentuais.

A possível derrota de Clinton soou um alarme na burguesia e na imprensa burguesa norte-americana. O ex-presidente Bill Clinton, então ausente na campanha da esposa, fez uma discurso onde ele critica os projetos do Sanders como o projeto de saúde universal, universidades públicas sem mensalidade. A notícia dos ataques Bill Clinton a Sanders foram amplamente divulgados pela imprensa burguesa americana que já se movimenta para aumentar a campanha pró Clinton.

A burguesia americana faz um jogo duplo, em um partido tenta impedir a vitória da esquerda e no outro luta desesperadamente contra a ascensão da extrema direita, o decorrer das eleições contribui para acelerar a crise do regime político dos EUA.

A guerra contra a privatização da companhia aérea TAP

Para trabalhadores e partidos de esquerda, a reversão parcial da privatização da TAP é insuficiente

A guerra contra a privatização da companhia aérea TAP

A luta para retroceder a privatização da TAP (chamada antigamente de Transportes Aéreos Portugueses) ganha novo contorno em Portugal depois da sua privatização em novembro de 2015.

Depois do consórcio Gateway* adquirir 61% ações da TAP, o governo português (PSD/CDS) reverteu parcialmente a privatização adquirindo 50% da companhia contra 45% da Gateway. Porém o consórcio ainda pode obter 50% das ações caso adquira os 5% que estão nas mãos dos trabalhadores. As negociações não são muita claras, justamente porque apesar do governo ter a maior parte da companhia quem irá administra-la é o consórcio Gateway.

Os maiores críticos do governo são o PCP (Partido Comunista Português), os partidos BE (Bloco de Esquerda) e Os Verdes (Partido Ecologista), eles afirmam que a reversão para 50% é insuficiente e caso, a TAP caia em mãos privadas e estrangeiras pode ser o fim da companhia, o que seria um desastre para o país e aos aos interesses dos trabalhadores e do povo português.

Já a direita, imprensa burguesa e líderes da União Europeia em Bruxelas, criticaram bastante a decisão do governo por reverter parte da privatização feita na gestão anterior.

A TAP é a mais importante companhia área de Portugal e uma das maiores da Europa. Ela também é conhecida como uma grande companhia de manutenção de aviões, controlando inclusive a brasileira “Varig Engenharia e Manutenção”, com o maior centro de manutenção de aviões da América Latina.

* Consórcio formado pelo empresário David Neeleman (dono das companhias aéreas Azul e JetBlue Airways e da WestJet) e do empresário português Humberto Pedrosa

Dia 20 tem seminário do PCO no RJ

Encontros regionais para debater o programa, a política e a organização do Partido da luta contra o golpe, pela revolução e pelo socialismo recomeçam após o carnaval

 

Dando sequência à série de Seminários Regionais que o Partido da Causa Operária está realizando em todas as regiões do País, no próximo dia 20 acontece o encontro de filiados e simpatizantes do PCO dos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. O Encontro será o terceiro (já foram realizados Seminários em Pernambuco e na Bahia) e está prevista a presença de companheiros de mais de 10 cidades. O evento acontecerá em Duque de Caxias (na Baixada Fluminense), no Mont Blanc Apart Hotel, localizado na Rua Passos da Pátria – 115, no Bairro Jardim 25 de Agosto e tem início previsto para as 15 horas. O evento integra a campanha de filiação e fortalecimento do PCO e como em todos os encontros que o partido vem realizando, a direção do PCO fará um apresentação sobre os principais pontos do programa partidário, debaterá a política revolucionária do partido diante do agravamento da crise política e econômica e explicará o funcionamento partidário. O encontro é aberto à participação de todos os interessados em conhecer o partido e participar de sua luta. Os Seminários Regionais do PCO acontecerão até o mês de março, sendo realizados ainda encontros em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Piauí, Pará, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. Nas próximas edições vamos divulgar o calendário destes próximos encontros.

Venezuela: assembleia de direita quer anistiar golpistas

Direita golpista quer libertar políticos que participaram de tentativas de derrubar o governo, como Leopoldo López

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Nesta quinta-feira, 4 de fevereiro, a direita venezuelana apresentou ao Congresso seu projeto de anistia para os golpistas condenados pela justiça venezuelana. Nas eleições do dia 6 de dezembro, como resultado de anos de tentativas golpistas, da sabotagem econômica e de uma campanha permanente na imprensa burguesa a direita conseguiu a maioria na Assembleia Nacional.

Durante a campanha eleitoral a direita golpista defendeu uma lei de anistia. O principal objetivo é libertar Leopoldo López, condenado a 13 anos de prisão em setembro. Em 2014 López liderou protestos violentos em Caracas, com a intenção de desestabilizar o País para derrubar o presidente Nicolás Maduro. Durante os protestos, a direita montou barricadas, chamadas “guarimbas”, em que ocorreram diversos incidentes de violência, que terminaram causando a morte de 43 pessoas. Mais mortes para a conta dam direita do “caracaço”.

Assim que a direita conseguiu eleger sua nova bancada, agora em maioria, para a Assembleia Nacional, uma organização de vítimas das “guarimbas” divulgaram uma nota rechaçando a anistia. Segundo as vítimas dos protestos violentos da direita, essa lei visa garantir a “impunidade”.

Além de Leopoldo López, a direita golpista quer libertar outros golpistas, incluindo foragidos do País acusados de enriquecimento ilícito e de traição. É o caso de Manuel Rosales, ex-prefeito de Maracibo, acusado em 2008 de enriquecimento ilícito. A direita golpista que, por meio de sua imprensa, faz uma campanha supostamente contra a corrupção em toda a América do Sul, defende seus corruptos golpistas, demonstrando mais uma vez a farsa de seu suposto combate à corrupção.

Golpe

A direita venezuelana nunca abandonou sua política golpista depois do fracasso da tentativa de derrubar Hugo Chavez em 2002. Inviável eleitoralmente em condições normais, os golpistas, a serviço do imperialismo, tentaram desestabilizar o País em diversas ocasiões. A queda do preço do petróleo, principal produto do País, deu uma oportunidade para essa direita colher os frutos de mais uma década de golpismo nas urnas.

O golpe é um golpe a serviço do imperialismo, que precisa aumentar seu controle sobre os países atrasados diante do aprofundamento da crise capitalista a partir de 2008. Esse é o sentido das campanhas golpistas em curso em toda a região.

Imperialismo faz campanha pelo “não” em referendo na Bolívia

Como nos outros países em que o imperialismo está na ofensiva, setores de esquerda cedem à pressão e se juntam à campanha da direita

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No próximo dia 21 a Bolívia realizará um referendo popular para decidir se a Constituição será ou não mudada para que Evo Morales possa se candidatar mais uma vez ao cargo de presidente.

Morales está na presidência desde 2005, e acaba de iniciar seu terceiro mandato, o segundo depois da fundação da República Plurinacional da Bolívia. As pesquisas indicam uma vitória apertada do “sim”, apesar da grande popularidade de Morales.

Governo denuncia participação do imperialismo

No dia 15 de janeiro, segundo o jornal El Cambio, o presidente Evo Morales revelou que existem gravações que mostrariam a briga da direita local pelo dinheiro enviado dos EUA para a campanha do “não”. Segundo o presidente, o chefe da campanha do “não” seria Sánchez Berzaín, que fez parte do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, apelidado pela população “el Gringo”.

O governo de Lozada caiu depois da “guerra da água”, em 2002, uma revolta popular contra a privatização da água. Os protestos foram brutalmente reprimidos no início, deixando 40 mortos e centenas de feridos. Membros do governo fugiram para Miami, de onde atuam até hoje apoiando a direita boliviana com ajuda do imperialismo norte-americano. É de lá que Berzaín comanda a campanha do “não”, segundo a denúncia do governo. O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, afirma que a campanha do “não” é parte de uma campanha internacional contra as esquerdas na Argentina, na Venezuela e na Bolívia.

Enquanto isso, setores da esquerda pequeno-burguesa apoiam a campanha da direita no referendo, chamando voto pelo não. É o caso do Partido Obrero Revolucionario boliviano (POR), por exemplo, que em um panfleto do último dia 29 defende que o “não” seria um “não das massas oprimidas” contra a “impostura de um governo que se diz anti-imperialista”.

O argumento é familiar e tem sido usado por setores de esquerda em toda a América do Sul: o partido de Evo Morales, MAS (Movimiento Al Socialismo), seria tão direitista quanto os partidos do imperialismo. Não haveria nenhuma contradição entre o governo nacionalista burguês com o imperialismo, e o MAS seria, inclusive, o “melhor defensor do princípio da propriedade privada”.

Assim, o POR faz campanha pelo voto da direita no referendo. E faz essa campanha em pleno avanço da direita apoiada pelo imperialismo em toda a região, impulsionando golpes e candidaturas da direita pró-imperialista em todo o continente. Não existe um “não das massas oprimidas” no referendo da reeleição boliviana, o “não” significa criar uma dificuldade eleitoral para o governo em 2019 para facilitar que a direita volte ao poder.

Por princípio, essa alteração na Constituição e a permanência de um presidente indefinidamente no cargo é uma medida antidemocrática. Mas a defesa dos princípios é uma coisa concreta. A tentativa de manter Morales no poder por meio do referendo é uma tentativa débil do governo de se defender do imperialismo, que está em uma ofensiva contra os governos nacionalistas burgueses para tentar derrubá-los em toda a região. Não se deve, no entanto, apoiar o “sim” no referendo por causa disso. Reeleger Evo Morales não é a solução para combater e derrotar a direita e o imperialismo. Muito menos fazer campanha junto com a direita pelo “não”. É isso, porém, que parte da esquerda levanta, misturando suas bandeiras indiscriminadamente com as da direita.

O chamado a votar pelo “não” no referendo precisa estar subordinado a uma luta intensa, para unificar a classe operária e os camponeses pobres da Bolívia no combate contra a direita golpista boliviana e o imperialismo.