Delenda Lula

 

lula-2015-3336-original

A palavra de ordem da imprensa capitalista agora é destruir Lula. A campanha incessante contra o PT e vários de seus dirigentes não foi suficiente.

Em 2012, foi realizado o julgamento do caso do mensalão, que terminou com um dos principais dirigentes do PT, José Dirceu, preso. Desde então, as denúncias contra o PT, cuidadosamente selecionadas e orquestradas, não pararam, até que finalmente chegaram em Lula.

Enquanto ignoram sem pudor as denúncias mais escabrosas contra membros do PSDB e outros partidos de direita, quando se trata de Lula chegam a inventar denúncias e transformar tudo em escândalo e uma campanha política permanente.

A operação que se iniciou em 2012 é uma operação golpista que visa derrubar a qualquer custo o governo do PT e que tem o monopólio da imprensa capitalista como um de seus principais instrumentos.

Agindo em acordo com o Judiciário e a Polícia Federal (que estaria legalmente sob o controle do governo petista), que levam à frente as investigações, a imprensa é fundamental para dar destaque a todo tipo de denúncia envolvendo o PT e agora, Lula.

A campanha visa destruir a autoridade política de imagem de Lula e, se possível, condená-lo, como fez com diversos outros dirigentes petistas, tornando-o inelegível.

O objetivo é evidente. No caso de o golpe ser bem sucedido, seja por meio do impeachment ou qualquer outro expediente, a possibilidade de Lula se lançar candidato inviabilizaria que se chamasse novas eleições, já que ele teria grandes chances de ser vitorioso e isso anularia toda a operação golpista ou forçaria a que o governo pós-golpe se transformasse em uma ditadura aberta.

No caso de o golpe não ser vitorioso mais ainda se torna perigosa a candidatura Lula. Uma vitória em 2018 seria intolerável para a o imperialismo que poderia passar do golpe “branco” para um golpe mais agressivo, como um golpe militar.

Destruir Lula é tentar eliminar a possibilidade dessas variantes e garantir a vitória do golpe.

Assim como o senador romano Catão, que sempre terminava seus discursos pedindo a destruição de Cartago (Delenda est Cartago), a imprensa capitalista e os golpistas não vãoai descansar até que Lula seja destruído ou que o PT seja completamente submetido.

Aborto: Uma afirmação contra o besteirol e a hipocrisia

“O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia”

drauzio_varela

À BBC Brasil, o médico Drauzio Varella deu uma entrevista na qual faz afirmações importantes, que tratam de maneira precisa o problema no aborto no Brasil.

Por aqui a interrupção da gestação é a quarta causa de morte materna. Isso considerando os casos registrados como o aborto tendo sido a causa da morte. Sendo que muitos podem ter como causa o aborto, mas serem registrados como qualquer outro problema, seja infecção, hemorragia etc.

De acordo com informações do Ministério da Saúde, todos os anos são registrados mais de 100 mil casos de internações que têm relação com aborto. Esses casos são, em sua maioria, de mulheres que realizaram abortos clandestinos, geralmente em situação de risco, sem condições mínimas de higiene etc., e acabam tendo de ser internadas, seja por problemas como hemorragias, seja para a realização de procedimentos como a curetagem.

Essas internações além de serem onerosas para o estado significam que as mulheres estão realizando abortos em condições inadequadas e correndo riscos desnecessários, uma vez que o aborto feito em condições ideais sequer necessita de internação da paciente.

Para quem tem dinheiro, o aborto já é livre no Brasil

Uma palavra de ordem do movimento de mulheres diz: “essa hipocrisia gera hemorragia”. Mas que mulheres acabam nos hospitais com sequelas de um aborto clandestino? Em sua grande maioria, mulheres pobres que recorreram a métodos diversos (chás abortivos, introdução de instrumentos pontiagudos no útero ou que se submeteram a açougues humanos que são boa parte das clínicas de aborto no país; isso quando não é feito simplesmente no fundo do quintal por pessoas sem qualquer preparo para realizar o procedimento).

É nesse sentido que a afirmação de Drauzio Varella é uma verdade incontestável.  O médico diz que a forma como a questão do aborto é tratada no País é uma grande hipocrisia e que para quem tem dinheiro a prática já é legalizada. “O aborto já é livre no Brasil. É só ter dinheiro para fazer em condições até razoáveis. Todo o resto é falsidade. Todo o resto é hipocrisia”, disse.

Mesmo com a ofensiva reacionária, que tem feito a polícia agir perseguindo mulheres por aborto, o alvo são as mais pobres. Nos últimos anos em vários estados do país clinicas foram fechadas. Mulheres foram presas. Dificilmente isso ocorre nas clínicas de luxo, onde pode-se cobrar até 15 mil reais por um aborto.

“A mulher rica faz normalmente e nunca acontece nada. Já viu alguma ser presa por isso? Agora, a mulher pobre, a mulher da favela, essa engrossa estatísticas. Essa morre”, diz Varela, que conclui: “Proibir o aborto é punir quem não tem dinheiro”.

É interessante notar que esse posicionamento progressista do médico não tenha tanto espaço nas mesmas TVs em que fala sobre tantos outros assuntos.

Hipocrisia de toda sociedade

Segundo pesquisa realizada em 2010, “uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida, o equivalente a uma multidão de 5 milhões de mulheres”. Na faixa etária entre “35 e 39 anos a proporção é ainda maior: uma em cada cinco mulheres já fez um aborto”. A imensa maioria ilegais e inseguros. O perfil dessas mulheres foi o que mais chamou a atenção: tem filhos é casada e se definiam como religiosas, cristãs. Do “total de mulheres que declaram na pesquisa já terem feito pelo menos um aborto, 64% são casadas e 81% são mães. Pouco menos de dois terços das mulheres que fizeram aborto são católicas, um quarto protestantes ou evangélicas”.

Esses números mostram que a hipocrisia é de toda a sociedade e passa inclusive pelas diversas religiões que proíbem o aborto. E principalmente das autoridades que mantém a ilegalidade do aborto diante dessa realidade, misturando fé e legislação; pecado e crime.

Para transformar essa realidade, conceder direitos democráticos às mulheres e garantir o estado laico é passada a hora de o Brasil legalizar o aborto.

Daí que mais uma declaração de Drauzio Varella faça também todo sentido: “se não está de acordo, não faça, mas não imponha sua vontade aos outros.”

Pela imediata legalização do aborto

aborto_pco

A gravidade da situação do aumento de mulheres infectadas com o zika vírus demonstrou que o Brasil tem fugido de um tema inevitável, a questão da legalização do aborto.

O país cujo Código Penal remonta o Estado Novo (1940) permite o aborto em casos de gestação resultado de estupro e quando oferece risco de morte para a mãe. Em 2010, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) também ficou autorizada a interrupção da gestação em casos de feto com anencefalia. Algo muito restrito diante de uma realidade cada vez mais complexa.

A decisão do STF foi específica. Apenas casos de anencefalia, comprovados com laudos médicos. Mas a complexidade da realidade mostra a limitação dessa decisão e da legislação brasileira. A questão da microcefalia é um exemplo disso.

Milhares de mulheres, provavelmente picadas pelo mosquito aedes aegypti tiveram filhos com microcefalia. Provavelmente picadas, por que está sendo descoberto que a transmissão pode ocorrer por meios diversos, como pela saliva e a própria relação sexual.

Essas infecções têm aumentado o número de mulheres que estão recorrendo ao aborto clandestino. É importante destacar que isso se agrava entre as camadas proletárias, já que não apenas a transmissão ocorre mais entre as trabalhadoras (bairros operários, sem saneamento básico, por exemplo, são onde a proliferação do mosquito é maior), mas também porque são elas que não têm recursos para pagar por um aborto em clínicas etc. Um exemplo disso é que o Nordeste é a origem da epidemia que nesse momento se espalha por todo o país.

É necessária uma imediata mudança na legislação do aborto. Não dá mais para negar que o aborto é uma realidade e que essa realidade deve se impor diante de restrições meramente morais, motivadas por crenças religiosas que não podem mais se impor sobre a população e definir as normas legais de um país que se pretende laico.

É necessário legalizar o aborto no Brasil. Garantir às mulheres o direito de decidir sobre a manutenção ou não de uma gestação. Somente a própria mulher grávida pode julgar sua capacidade de levar adiante a gestação.

Esse é o melhor momento para defender a mudança na legislação e garantir esse direito elementar às mulheres. É o momento de o governo petista atender a esta reivindicação histórica e manifestar-se diante desse problema contemplando uma necessidade material, garantindo o direito das mulheres.

Aborto e zika: a hipocrisia vai resistir à epidemia?

 

mulheres_maes_microcefalia_

Internacionalmente, a campanha contra o aborto é permanente por parte da Igreja Católica e encontra eco em muitas outras igrejas cristãs, no espiritismo etc. Pura hipocrisia.

Na política não é muito diferente. Nesse caso, reina o cinismo. Às vezes recheado de demagogia. Quando é de esquerda, diante dos movimentos sociais vale o tapinha nas costas e a defesa do direito da mulher, e na televisão diante de milhões de pessoas a negação do aborto. Quando é a direita, nem demagogia. Para eles, aborto deve ser crime hediondo como defende, por exemplo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

Tudo isso mistifica, cria uma cortina de fumaça sobre uma questão que diz respeito a direitos e saúde pública (agora mais do que nunca).

O zika vírus chegou em meio a esta realidade. E o vírus que ao contaminar mulheres grávidas pode causar microcefalia no feto, está se tornando o motor de um amplo debate sobre este problema e, quem sabe, levar a ações concretas como a legalização do aborto.

A epidemia

Começou no Nordeste. A razão inegável: as precárias condições de saúde pública e infraestrutura. O mosquito, aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue e a chikungunya, é típico de áreas onde falta saneamento básico, por exemplo. Falta prevenção. Daí que as mulheres pobres estejam mais expostas ao vírus, às picadas.

Para evitar a contaminação o Ministério da Saúde e especialistas orientam que as mulheres grávidas, ou que queiram engravidar, evitem ser picadas; como? Usando roupas que cubram a maior parte do corpo. Ou evitem ficar grávidas.

Ignoram que a maioria das gestações não é planejada e que no país são altos os índices de estupro, portanto, são altas as chances de uma gestação indesejada também por isso. Além do que, pesquisas recentes afirmam que a transmissão do zika pode se dar também pela saliva e relação sexual. Ou seja, todas as mulheres correm o risco de, grávidas, contrair o zika e ter fetos que desenvolvam a microcefalia ou outras malformações relacionadas.

Até agora autoridades afirmam que chegam a quatro mil os casos suspeitos de microcefalia causadas pelo zika.

O direito das mulheres

Há anos que o movimento de mulheres luta pelo direito ao aborto. Muitas mulheres, sozinhas em sua decisão de interromper a gestação em um verdadeiro ato de desobediência civil, também estão de alguma maneira fazendo o mesmo.

Agora todo o país está discutindo o tema. Ainda com muita hipocrisia e cinismo. Ainda sem ouvir as mulheres, mas é inegável que o assunto veio à tona, está nos jornais e nas conversas.

É o momento de aproveitar a mobilização em torno do problema da microcefalia e legalizar o aborto e tirar, ao menos nesse aspecto, o país do atraso.

 

Pela Estatização da Energia Elétrica

Contas de luz pautadas no Dólar aumentam 51% no ano de 2015.

1-usina-itaipu-reduzido

Com a privatização do sistema de energia elétrica, as contas passaram a ser reajustadas em dólar. Com a alta da moeda norte-americana as contas de luz aqui no Brasil subiram mais de 51% no último ano. O aumento das contas de luz em 2015 também gerou a inadimplência dos consumidores. A associação das distribuidoras (Abradee) relatou que no primeiro semestre houve 3,1 milhões de cortes.

A Abradee alega que são tantos os inadimplentes que a empresa não consegue cortar o fornecimento de todos. Com isso, eles adotam outro procedimento; mandam o nome do consumidor devedor para os orgãos de proteção ao crédito SPC e Serasa.

Setores essenciais como água, luz, telefone, gás, transporte devem ser empresas estatais, pois são serviços fundamentais para o desenvolvimento do país e para a população. Jamais devem ficar a cargo de empresas estrangeiras. Como uma família vai ficar sem energia elétrica, sem água,sem gasolina,etc.? A população acaba pagando preços exorbitantes, pois são produtos indispensáveis para a vida moderna.

A causa da indimplência está explicada pela alta das contas de luz, quase nenhum trabalhador ganhou um terço de aumento que teve as contas de energia no país. O problema está na privatização do setor elétrico. Um setor essencial para a população é entregue a especuladores estrangeiros que somente visam o lucro e o envio de remessas para as suas filiais.

O consumidor não tem alternativa; ou ele paga a conta cotada em dólar ou ele fica na escuridão. Por isso, devemos lutar pela Estatização de todo o setor elétrico e os demais setores essenciais.