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NAS RUAS, JORNAL CAUSA OPERÁRIA Nº 806

Leia o jornal Causa Operária nº 806, de 2 a 9 de agosto de 2014. Compre seu exemplar avulso ou faça a sua assinatura pelo telefone (11) 55849322 ou pela internet na Livraria Virtual do Partido da Causa Operária.
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“Na luta contra o Estado de Israel, o Hamas tem de ser apoiado incondicionalmente”

Leia aqui a transcrição da palestra apresentada pelo companheiro Rui Costa Pimenta, dia 2 de agosto, candidato presidencial pelo PCO, sobre a questão da luta que se trava neste momento com o ataque de Israel contra a Faixa de Gaza
PRIMEIRA PARTE

Há uma série de questões que envolve o verdadeiro genocídio que está sendo realizado em Gaza que nós precisamos esclarecer do ponto de vista político.

Primeiro, a caracterização dos acontecimentos. A gente vê na imprensa que se fala em massacre, em uso desproporcional de força. Os mais audaciosos falam em autodefesa de Israel etc. Nós temos que caracterizar muito claramente que o que está acontecendo na Faixa de Gaza é um genocídio, no sentido de que é uma política de extermínio da população palestina naquela região. E a gente até poderia dizer que é de extermínio da população palestina em geral. Primeiro porque o governo de Israel quer o território todo para ele; é uma política conjunta de toda burguesia israelense. E segundo porque aquela região é sublevada contra Israel. Trata-se de não admitir nenhum tipo de insurgência contra a autoridade estabelecida, a ditadura estabelecida sobre a população de Gaza e partir para uma política de extermínio dos inimigos.

Nesse sentido, temos que introduzir uma segunda caracterização. Tudo isso caracteriza uma ação de tipo fascista. Foi o que Hitler e Mussolini fizeram na Absínia, na Tchecoslováquia, Polônia. A política de que se você se levantasse contra a ocupação alemã eles respondiam com o extermínio. Toda conversa de que é uma crise humanitária é uma maneira de encobrir a realidade dos fatos. A verdade precisa ser dita claramente. E a verdade é que temos aqui uma política genocida tipicamente fascista; não pode haver resistência à ditadura israelense. Esse é o sentido geral das coisas que estão acontecendo.

Se tivéssemos dúvida poderíamos pegar os dados que a imprensa capitalista, a imprensa da burguesia, os grandes monopólios da imprensa que ou não mencionam, ou simplesmente colocam em segundo plano; é, por exemplo, que o bombardeiro israelense não apenas mata indiscriminadamente a população, estão bombardeando áreas densamente povoadas, tentando liquidar toda essa população sublevada que apóia o Hamas, não há nenhuma tentativa de atacar simplesmente grupos armados nem nada, atiram em locais onde há prédios, escolas, hospitais, assim como intencionalmente o exército israelense procura destruir toda a estrutura econômica e social da Faixa de Gaza. Destruíram a única usina geradora de energia elétrica, e isso só pode corresponder a uma política genocida, fascista. Destruíram 130 escolas, hospitais, instalações que fabricam alimento para a Faixa de Gaza; fica claro que procuram inviabilizar a vida da população palestina naquela região. Isso corresponde perfeitamente ao que tem dito a direita israelense, o que vem aparecendo em alguns jornais, na internet. Um rabino norte-americano declarou que é preciso acabar com todos os apoiadores do Hamas. Quer dizer,  matar a população de Gaza porque eles apóiam o Hamas. Uma parlamentar do Knesset, o parlamento israelense, declarou que tem que matar as mães dos palestinos, que é para elas não darem mais crias a esses terroristas. A juventude de extrema-direita israelense foi filmada festejando a morte dos palestinos e cantavam um tipo de palavra de ordem que falava o seguinte: “amanhã não vai ter aula em Gaza porque não existem mais crianças em Gaza”. E foi também logo no começo do conflito que vários jovens de classe média alta foram pegos no alto de um monte assistindo como se fosse um espetáculo a destruição da Faixa de Gaza. Isso é importante não apenas para mostrar que toda a direita é fascistóide, a favor da política de extermínio dos oprimidos em geral, mas serve para mostrar que a política que está sendo realizada lá é a política da extrema-direita; que há uma completa identidade entre a extrema-direita e a política que está sendo realizada pelo governo de direita de Israel com o apoio em geral da imprensa burguesa internacional, de inúmeros governos, do governo norte-americano em particular, do imperialismo norte-americano. Temos então essa caracterização. É uma política genocida. É uma matança indiscriminada. É uma tentativa de inviabilizar a sociedade palestina em Gaza. E é uma política fascista. A mesma política que os fascistas usaram nos territórios ocupados na segunda Guerra Mundial. A mesma política, igualzinha, e isso precisa ser dito muito claramente porque é preciso esclarecer o problema.

Uma segunda questão sobre esse genocídio é a análise da orientação política geral que o imperialismo adotou no último período. Nós temos caracterizado que há um recrudescimento da política imperialista. Nós assinalamos o que aconteceu na Venezuela, Ucrânia, a guerra na Síria movida pelo imperialismo, a tendência ao golpe de estado na América Latina e em vários países, o golpe na Tailândia, por exemplo. E não só isso. Temos assinalado o crescimento geral nos países imperialistas da extrema-direita; a Frente Nacional na França, UKIP no Reino Unido e em geral em muitos lugares, análise das eleições européias etc. mostrando que há um recrudescimento da política imperialista e o desenvolvimento do fascismo nos principais países imperialistas, EUA, França, Reino Unido, o militarismo no Japão, tendência acentuada do militarismo também na Alemanha… O que está acontecendo na Faixa de Gaza corrobora e acentua essa caracterização. Porque essa investida não é mais uma investida, uma coisa periódica é um recrudescimento da política do imperialismo em relação à Palestina. Isso se vê pelo caráter de extermínio dessa política. Trata-se de combater de maneira extremamente dura e violenta, brutal a oposição aos planos imperialistas no Oriente Médio.

Aqui cabe uma explicação. A causa fundamental que pode passar despercebida e levar algumas pessoas a concluírem que esse é o fortalecimento do imperialismo, quer dizer, que o recrudescimento da agressividade imperialista seria um sinal de fortalecimento, quando na verdade é um sinal de enfraquecimento diante da crise. A crise de 2008 não foi superada. O Imperialismo se vê numa situação difícil em vários países em crise econômica e com incapacidade de recuperação do capital e, portanto, é preciso atacar os povos oprimidos do mundo inteiro para recuperar essa capacidade, a política neoliberal fracassou e a nova política é tentar impor a política neolioberal a todo custo.

Se o imperialismo estivesse mais fortalecido poderiam fazer isso com métodos “democráticos”; impor uma ditadura, porque os governos neoliberais todos foram uma ditadura, com uma aparência democrática. Agora isso só é possível sobre a base de um ataque bem mais brutal sobre os trabalhadores e povos oprimidos. Essa é uma questão fundamental.

Outro fator é que a ofensiva imperialista resulta de uma momentânea alteração nas relações de força na região. Nós tivemos a guerra na Síria e a Síria era um dos pontos de apoio da resistência palestina; tudo bem que o governo sírio não foi derrubado, mas ficou numa situação muito difícil de compor com os palestinos. Inclusive está sob vigilância do imperialismo. Houve a iniciativa do imperialismo europeu, norte-americano, junto com a Arábia Saudita de reacender (vamos dizer assim) a guerra no Líbano para tentar encurralar o Hezbolah, uma das principais forças da resistência árabe, com maior penetração social, armada, com capacidade e maior treinamento militar etc. Foi o grupo que declarou estar ajudando a resistência armada do Hamas na Palestina. Esse é um fator importante. O mais importante, no entanto, foi o golpe militar no Egito. O golpe derrubou o Hamas do Egito. Muita gente pode não saber, mas o Hamas é parte da Irmandade Mulçumana. Então o Hamas Egípcio que foi caracterizado pelo imperialismo como uma força do mal e essa história foi propagandeada por papagaios do imperialismo dentro da esquerda, como o PSTU, foi derrubado e reprimido duramente no Egito, e agora um dos principais pontos de apoio se não o principal ponto de apoio do governo israelense é o governo egípcio, que seria segundo alguns ingênuos o resultado de uma revolução, porque a Irmandade Muçulmana teria sido derrubada pelo povo. Mas nós vimos algo muito mais comum e conhecido, homens em uniforme, armados dando um típico golpe militar. Agora está claro o objetivo: restabelecer um dos principais pontos de apoio da repressão no Oriente Médio justamente contra setores como os palestinos. Então em torno do Egito se formou uma coalizão, com Arábia Saudita e algumas monarquias vassalas da Arábia Saudita, ou seja, o principal bloco direitista e pro-imperialista da região, defendendo a ação israelense. Essa mudança na correlação de forças abriu o caminho para essa ofensiva massiva, violenta contra a palestina. esses são dos fatores principais que explicam não apenas a oportunidade como a violência desse processo.

Uma terceira questão da análise é qual a posição que devemos ter diante do conflito. Como é de praxe, vários setores de direita ficaram do lado de Israel com a história da autodefesa. Não precisa nem explicar, porque o tamanho do massacre mostra que não há auto defesa nenhuma. E também essa é uma explicação dada pelos nazistas. Invadiam o país e depois falavam que era em nome da defesa da nação alemã e operavam todo o massacre. História muito repetida pelos países imperialista e pelo estado de Israel que é um enclave imperialista no Oriente Médio. Já a posição da esquerda é a posição tradicional humanitária: “bate mas não muito”, “tudo bem que o Hamas é uma organização terrorista, mas isso é um exagero…” Essas posições se bem, logicamente, sejam melhores que da direita, são posições falsas. É um genocídio e a única maneira de acabar com isso não é pregando a paz, pregando a conciliação, mas é preciso apoiar a resistência palestina. É preciso dizer em alto e bom som que tem de ser apoiado primeiro o direito dos palestinos de existir, segundo o direito de resistir à opressão israelense, terceiro de resistir com armas na mão. É um direito dos palestinos. E quem expressa esse direito nesse momento é o Hamas. Por isso qualquer apoio ao povo palestino que não se referencie na luta que está sendo travada pelo Hamas é uma falsidade. É um apoio inócuo. É meramente declarativo, meramente pró-forma. É um apoio que, em certa medida, é totalmente dispensável. A posição que deve ser tomada por qualquer pessoa que seja realmente democrática e pelos revolucionários, é a de que o Hamas tem de ser apoiado contra a ofensiva do estado de Israel. E o Hamas tem de ser apoiado incondicionalmente. O que quer dizer incondicionalmente? Que não se deve colocar condições para apoiar o Hamas. Por exemplo, “eu apoio o Hamas se ele deixar de lado a ideologia religiosa”. Não. Ele tem de ser apoiado com a ideologia que ele tem. “Eu apoio o Hamas se ele parar de jogar foguetes em Israel”. Não. Ele tem de ser apoiado independentemente do que o Hamas tenha feito ou venha a fazer. O apoio tem de ser incondicional. O que está acontecendo lá é uma luta de vida ou morte. Uma luta de vida ou morte entre o povo palestino e o Estado de Israel. O genocídio só pode ser combatido apoiando a resistência armada palestina que nesse momento é o Hamas. Nós identificamos indícios de que a Fatah está se rearmando para oferecer resistência ao estado israelense. Se a Fatah oferecer essa resistência armada, também tem de ser apoiada. Qualquer um que esteja lá lutando contra o imperialismo de armas na mão tem de ser apoiado. E deve ser apoiado incondicionalmente. Da maneira mais completa e mais profunda. Essa é a posição mais democrática. Todas as outras de uma maneira ou de outra favorecem a ofensiva israelense contra a Palestina. Isso precisa ficar absolutamente claro.

continua

JORNAL CAUSA OPERÁRIA Nº 805

edição de 26 de julho a 2 de agosto de 2014

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O Psol contra o povo palestino: não foi acidente, não é por acaso

A vez de Vladimir Safatle

Rafael Dantas

Depois da candidata a deputada federal pelo Psol, Solange Pacheco, ter divulgado um vídeo defendendo o sionismo, no massacre do povo palestino promovido por Israel, foi a vez do ex-candidato ao governo de São Paulo, e professor da USP, Vladimir Safatle atacar a liderança da resistência palestina em Gaza defendendo as posições da direita brasileira e do imperialismo

Um artigo publicado na edição de ontem do Diário Causa Operária retratou as posições de uma das candidatas a deputada federal do Psol no Rio de Janeiro sobre o massacre em andamento na Palestina.

Em um vídeo divulgado em seu perfil no Facebook a candidata do Psol, Solange Pacheco, acusa o Hamas de “terrorista”, repetindo as calúnias do imperialismo norte-americano.

Pois chegou a vez do ex-candidato ao governo de São Paulo, o professor de filosofia da USP Vladimir Safatle, emprestar seus talentos à justificação da mesma política.

Em sua coluna na Folha de S. Paulo, Vladimir declarou-se impressionado pelas posições do músico judeu argentino (e “mensageiro de paz” da ONU) Daniel Barenboim, expressas no artigo “Podemos viver juntos”. Ele comenta o artigo do músico pró-conciliação e assina embaixo do apelo a que Israel negocie com os “terroristas”, referindo-se nos mesmos termos que Israel ao Hamas, que dirige a Faixa de Gaza.

Guarda o melhor para o final: “Trata-se de um grupo que representa o que há de pior no mundo árabe, com um projeto autoritário, destrutivo e demente de sociedade religiosa. Mas seu destino será, provavelmente, o mesmo de grupos muçulmanos como a Irmandade Muçulmana ou o Nahda tunisiano: serão expulsos do poder pelo próprio povo que eles julgam representar”.

Safatle: um “liberal” ao estilo do Partido Democrata norte-americano

Safatle foi descartado como candidato ao governo de São Paulo pela direção do partido às vésperas do registro das candidaturas. Mas vê-se por meio dessa declaração que o professor da USP está mais do que qualificado para o cargo. É direitista o suficiente para defender as posições do imperialismo norte-americano e da direita pró-imperialista brasileira sem perder o “rebolado” esquerdista.

Safatle é terminantemente contra o Hamas, afinal o grupo representa, segundo ele, “o que há de pior no mundo árabe”. Pior até mesmo do que o massacre promovido pelo governo israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza? Pior do que a ditadura no Egito, do que o governo da Arabia Saudita?

Pior por quê? Será o “projeto autoritário, destrutivo e demente de sociedade religiosa” o que assusta o filósofo uspiano? Em nome da liberdade e da construção da paz, Safatle condena o Hamas em defesa da democracia. Nessa sim, não há autoritarismo, não há destruição e muito menos pode-se dizer que a democracia é compatível com a religião… Muito pelo contrário!

Vejamos o que o governo do país “mais democrático do mundo”, os verdadeiros campeões da democracia mundial, os Estados Unidos da América, tinha a dizer sobre o Hamas quando era dirigido pelo Partido Republicano:

“O Hamas deixou claro que não é favorável ao direito de Israel existir. E eu deixei claro que enquanto sua política for esta, não apoiaremos um governo palestino encabeçado pelo Hamas. Queremos trabalhar com um governo que seja um parceiro na paz, não com um governo cujas intenções declaradas sejam a destruição de Israel”, disse George W. Bush em 2006. (portal de notícias da Casa Branca, 30/1/2006).

Safatle e Bush são contra o Hamas. E, muito bem, podem trabalhar juntos já que defendem os mesmos princípios abstratos: a democracia, a “construção da paz”.

Trabalham juntos, de fato, tal como Democratas e Republicanos nos EUA, já que não existe a “democracia ideal”, pairando no éter, defendida por Safatle. Existe apenas o que o imperialismo determina ser “democrático” e aquilo que, na medida de suas possibilidades, podem fazer os governos dos países atrasados contra a dominação imperialista.

Psol: “socialismo” à moda do liberalismo burguês

Com a aparição do artigo do ex-candidato e a declaração da candidata a deputada federal, o Psol mostra que tem, apesar das diferentes tendências que o compõem, uma política clara sobre a questão palestina: no confronto entre o imperialismo e seus representantes (Israel) e a resistência da população oprimida nos países atrasados, submetidos ao imperialismo, tomar partido da “democracia”, e alinhar-se com o imperialismo na luta contra os “terroristas”, ou, como bem o disse Safatle, “o que há de pior no mundo árabe”.

Vida e obra de Leon Tróstki: 35ª Universidade de Férias do PCO e Acampamento de Férias da AJR

Está previsto para ocorrer entre os dias 10 e 25 de janeiro de 2015 mais uma edição do Acampamento da AJR e Universidade de Férias do PCO. Esta será a 35º vez que a atividade é realizada desde 1998.

A Universidade de Férias terá como tema o estudo da Vida e Obra de Leon Trótski, por ocasião dos 75 anos do seu assassinato, em agosto de 1940.

O revolucionário russo que ao lado de V.I. Lênin foi principal dirigente da revolução de outubro de 1917, fundador do exército vermelho e da quarta internacional, é ainda autor da teoria da revolução permanente, da principal obra sobre a história da Revolução Russa, do Programa de Transição entre outros.

Como é de costume já estão sendo selecionados textos teóricos para o estudo que será disponibilizado na página do Diário Causa Operária Online, e divulgados amplamente.