Arquivo do autor:Rui Costa Pimenta

Censura ao Mein Kampf: uma piada?

“Quando li a notícia, pensei que fosse brincadeira de Carnaval. Não era. O riso continuou”

Mein Kampf (Hugin) - Hitler

Recente decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decretou a proibição da obra Mein Kampf (Minha Luta) de Adolf Hilter. O livro deve ser recolhido das livrarias, sua distribuição e comercialização estão proibidas no estado fluminense.

A decisão gerou inúmeras discussões, especialmente as que denunciaram a medida como uma censura aberta e um flagrante atentado à Constituição, independente do conteúdo do livro, que atualmente é denunciado por quase todo mundo.

Diante desse fato, João Pereira Coutinho, colunista da Folha de São Paulo, redigiu um texto no qual afirma, em linhas gerais, ser uma grande piada a medida tomada pelo TJ/RJ em censurar o livro de Adolf Hitler.  

“Quando li a notícia, pensei que fosse brincadeira de Carnaval. Não era. O riso continuou”, diz o colunista sobre a notícia de que a justiça havia proibido a circulação do livro.

O colunista faz críticas ao conteúdo do livro, que é um compilado de irracionalidades nazistas. Mas no que toca a decisão do judiciário a conclusão não deveria ser que não passa de uma “piada”, já que para ler o livro bastaria ter internet e um computador, segundo João Pereira Coutinho.

Não se trata disso. O problema é que essa decisão, que, em outras situações semelhantes já foi referendada pelo próprio Superior Tribunal Federal, a censura de opinião dá mais um passo adiante, e este é o perigo. O articulista da Folha parece ignorar, o que é grave para um jornalista, a verdadeira enxurrada de decisões de censura vinda do judiciário brasileiro contra livros, filmes, jornais, revistas etc. pelos mais variados motivos. A matéria também oculta o enorme número de propostas em discussão nas casas legislativas para controlar a opinião como o projeto da “cristofobia”, da “escola sem partido” etc. Decisão grotesca, sem dúvida, piada? Nem de perto.

Nesse primeiro momento a censura vem com o verniz do “politicamente correto”, do gosto da classe média bem pensante, apresentando como fundamento à censura de um livro o combate ao racismo propagado nas páginas de Mein Kampf.

Esse verniz, no entanto, oculta a essência do problema, que é manter e ampliar uma campanha constante de censura à opinião em geral. Censura, diga-se de passagem, vinda justamente do Poder Judiciário e do Ministério Públicos, que estão totalmente controlados pela direita, basta ver o andamento das operações policiais e judiciais que estão levando adiante contra o Partido dos Trabalhadores.

O parágrafo final do artigo publicado por João Pereira mostra por alto os efeitos de uma decisão desse tipo: “Aliás, para que a anedota fosse perfeita, só faltava mesmo que o tribunal decidisse multar-me por divulgar aqui o conteúdo da obra maldita”. É justamente o que pode acontecer.

Não deve haver censura sobre livro algum, especialmente os que apresentam alguma tese política. O tribunal, os juízes, o Ministério Público não podem ser os controladores do pensamento alheio, ainda mais quando nenhum deles foi eleito pelo povo, estando historicamente sob o controle da direita.

RJ: Para Marcelo Freixo a luta contra as milícias é a defesa do Estado capitalista

Em ano eleitoral, deputado do Psol se lança na disputa pela prefeitura do Rio como paladino da integridade do Estado antidemocrático.

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Em artigo publicado nesta terça-feira (9), o deputado estadual do Psol no Rio de Janeiro, Marcelo Freixo, se dedica a criticar a “vertente do crime organizado” que são as milícias.

Segundo ele, esse “modelo de negócio surgido no Rio” já atua como quadrilha em “São Paulo, Bahia, Ceará, Pará, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul”; e seria a “principal ameaça à democracia”.

Num país onde o dito Estado Democrático de Direito vem sendo cotidianamente atacado por instituições e agentes do próprio estado, o deputado do Psol afirma que são as “quadrilhas” de milicianos a maior ameaça à “democracia”.

Primeiro, Freixo deveria explicar onde ele enxerga a democracia no Brasil. Respondido isso teria de esclarecer como e porque “grupos armados formados principalmente por agentes de segurança pública” em atividade paralela à própria atuação oficial é mais ameaçador do que sua ação como agente fardado, armado pelo Estado para fazer exatamente o que faz quando miliciano “através da violência controlar áreas pobres”. A alternativa seria, logicamente, que os “agentes da ordem” controlassem essas áreas.

E as quadrilhas que já tomaram conta do estado? Aquelas que atuam em nome da grandes empresas internacionais, dos bancos, do imperialismo? E que tem na polícia seu braço armado para manutenção do status quo?

Neste momento em que o estado com toda sua força, como organização oficial dos interesses da burguesia, ataca toda a esquerda, em uma perseguição implacável através, principalmente, dos ataques contra o PT; quando direitos democráticos elementares estão ameaçados pela própria Justiça, por ações da Polícia Federal, do Ministério Público etc. Freixo faz uma apologia do Estado supostamente democrático que é o berço de todas as monstruosidades reacionárias como a Polícia Militar e a as mílícias (formadas por integrantes da PM).

Como oportunista que é, Freixo deixa clara sua verdadeira preocupação: eleitoral.

O problema mais grave e a verdadeira ameaça dos milicianos é o fato de que passaram a atuar políticamente e com isso ocuparam um espaço de disputa que é de interesse do Psol e particularmente do deputado, pré-candidato do partido à prefeitura do Rio, na disputa eleitoral com os candidatos oficiais da burguesia.

Não é o fortalecimento do estado repressivo, da sua polícia assassina que justamente pela força conseguida através da atuação como braço armado do estado atua através de milícias que preocupa Freixo. Sua preocupação é a disputa nas eleições municipais do Rio de Janeiro que neste ano ocorre em momento de crise da ala do PMDB que domina o estado e alimenta a ilusão do Psol de administrar a segunda maior e mais importante cidade do país.

O deputado do PSol tornou-se conhecido justamente pela sua denúncia das milícias às quais opôs em determinado momento a defesa das UPPs, ou seja, da violência estatal contra a população pobre. Agora, novamente, como candidato a prefeito, embora cauteloso em relação à sua habitual defesa da polícia, defende o Estado como solução. Contra este programa abertamente reacionário é preciso levantar um verdadeiro programa democrático, ou seja, revolucionário: dissolução da PM e de todo o aparato repressivo corrupto.

PT denuncia “linchamento” de Lula

625832Presidente do PT  afirma que “nunca um ex-presidente foi tão caluniado, difamado e injuriado”

O presidente do PT, Rui Falcão, publicou artigo em que denuncia o “linchamento político e moral de Lula”. O artigo foi publicado na página do PT e teve repercução na imprensa burguesa.

Em tom de mais uma acusação contra o PT, a imprensa burguesa publicou matéria em que aproveita para especular sobre como a “cúpula petista” está avaliando as acusações recentes contra o e-presidente. “A cúpula petista avalia que o caso envolvendo o sítio em Atibaia (São Paulo) é o que apresenta maior potencial de desgaste para o ex-presidente pela ausência de uma estratégia clara e definida de defesa”, escreveu O Estado de S. Paulo.

O fato é que o PT está tentando reagir à perseguição. Nesse sentido, Rui Falcão escreveu: “nunca antes na nesse país um ex-presidente foi tão caluniado, difamado, injuriado e atacado como o companheiro Lula. Inconformado com sua aprovação inédida ao deixar o governo, o consórcio entre a oposição reacionária, a mídia monopolizada e setores do aparelho de Estado capturados pela direita, quer convertê-lo a vilão”.

“Linchamento” é o mínimo que se pode falar da perseguição que está sendo feita contra Lula.

No mesmo artigo Rui Falcão fala em combater a “escalada golpista” e, o “cerco criminoso” ao ex-presidente.

O próprio O Estado de S. Paulo enumerou as frentes de atuação do judiciário contra ele. Demonstrando que mesmo quando mostra a reação do partido, o jornal dá a entender que esta reação é coisa de criminosos que tentam esconder a culpa. O fato é que a

operação Lava Jato, Zelotes da Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo, listados como os investigadores e acusadores de Lula, são os que alimentam diáriamente o monopólio imprensa capitalista em sua campanha. Seriam os “setores do aparelho do Estado capturados pela direita”, nas palavras de Rui Falcão.

Essa primeira resposta do PT às acusações contra Lula mostra que o partido está atento à “escalada golpista”. E sabe que o que se pretende com essa perseguição é a destruição da imagem do ex-presidente “para que Lula não possa retornar em 2018”.

Esta posicão é claramente limitada. Embora a posição eleitoral de Lula seja decisiva, a luta do momento não tem nada de eleitoral, mas se desenvolve sobre o terreno do golpe de Estado que tem que ser enfrentado nas ruas. A defesa de Lula contra a perseguição, fundamental, tem que ser colocada nesta perspectiva, ou seja, tem que ser uma campanha mesmo para os que não votarão em Lula eventualmente em 2018, mas uma defesa dos direitos democráticos do povo, ameaçados na perseguição contra o líder do PT.

 

Destruição da Venezuela: Direita e ultimato

A situação venezuelana foi criada e estimulada pela direita que ataca o governo nacionalista de Nicolás Maduro

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Em matéria do dia 9 de fevereiro desse ano, o jornal O Estado de São Paulo relatou o aumento da fome, da inflação e da crise do país. O presidente Nicolás Maduro é atacado como  o propagador de todos os males do país por ter continuado a política de Hugo Chavez.

A crise na Venezuela é decorrente de uma sequência de ataques da direita que, impulsionada pelo imperialismo norte-americano, tenta entregar todas as riquezas venezuelanas aos grupos estrangeiros.

Grupos patrocinados pela direita desviaram comidas e diversos suprimentos para acirrar a crise na Venezuela. Vários grupos que representam a burguesia internacional em outros países fizeram de tudo para destruir o governo de Maduro.

A assembleia direitista que deu posse a três parlamentares impugnados, tomou decisões que eram ilegais pois contavam com os votos destes parlamentares e continuou a determinar os rumos do país de acordo com o capital estrangeiro, foi parada por medidas defensivas de Maduro, como o parlamento comunal, que dá poderes ao povo e com juízes ligados aos interesses do país.

O presidente da assembleia direitista Henry Ramos Allup deu um ultimato a Maduro: seis meses para que acabe com a crise econômica… como se todos os males do país fossem culpa de Maduro.

Todos os ataques da direita ao país, embargos, a imprensa capitalista que consegue convencer a quase todos de que a Venezuela é uma ditadura que oprime a todos e se esbanja em privilégios, aparentemente nada tem a ver com a crise.

Os números do país decadente apenas refletem a crise imperialista que faz de tudo para repassar suas dívidas para os países atrasados.

 

Estado de emergência na França: um ataque contra a classe operária

As ações do Estado Islâmico, em Paris, serviram para o governo francês impor duras condições de vida para os imigrantes e para a classe operária em geral

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Depois que o Estado Islâmico respondeu aos ataques terroristas da França em solo sírio, o governo francês reagiu com um estado de sítio. A ofensiva foi contra a própria população da França, visando, em parte, aos imigrantes e, em parte, aos trabalhadores do país.

A ação do Estado Islâmico em Paris, ocorrida em meados de novembro do ano passado, levou o presidente francês, François Hollande, a adotar uma medida de exceção, denominada “estado de emergência”, o que significa, na prática, a suspensão dos direitos constitucionais mais básicos do cidadão: prisão para interrogatório (sem justificativa legal), revistas em público (legal no Brasil, mas proibida na Europa), invasão de domicílios pela polícia, etc. O “estado de emergência” deveria durar 120 dias.

Hoje, pouco mais de 60 dias depois, os franceses já se manifestam publicamente contra isso, exigindo o fim do estado de exceção. Mais de cinco mil pessoas se reuniram em Paris, na Praça da República, para exigir o fim desse estado. A Liga de Direitos Humanos já havia pedido que se retirasse o estado de emergência, mas não foi atendida.

Esse estado de emergência só fora usado anteriormente duas vezes: durante as guerras de libertação do povo argelino (1955) e, em 2005, durante as revoltas dos imigrandos nos subúrbios de Paris. Ou seja, as duas vezes em que fora usado, o estado de emergência visava ao povo francês e tinha caráter xenófobo.

Agora não foi diferente. Não se trata de medo de ataque terrorista; trata-se de uma medida contra a população do país. E, de acordo com experiências recentes, podemos afirmar que vem por aí uma dura medida econômica de caráter neoliberal.

Tudo isso evidenciou-se em meados de janeiro. O presidente francês entregou ao povo francês uma nova medida de emergência, dessa vez de caráter econômico. O “estado de emergência econômica”, como vem sendo chamado, é um pacote de medidas que contemplam cortes orçamentários e “estímulo” ao emprego. Nem é preciso dizer que tal “estímulo” se traduz na flexibilização de leis trabalhistas (para estimular a contratação, segundo os autores das medidas). Nada mais é do que um ataque a direitos conquistados em duzentos anos de luta contra a exploração e o trabalho semi-escravo, por parte dos trabalhadores.

O governo anuncia que não haverá aumento de impostos. E o diz como se isso fosse uma maravilha. Mas, na prática, significa que não será a classe capitalista a pagar por tais estímulos, e sim a classe operária. Isso afetará sobremaneira os imigrantes que vivem, na maioria, em condições de subemprego.

Fica claro que, sempre que tais medidas de exceção são tomadas, de imediato, quem sofre é o povo em geral. Mas, a longo prazo, sofrerá o trabalhador.