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Praticamente empate: Clinton vence Sanders em Iowa com diferença de apenas 0,2%

Votação mostrou que Bernie Sanders pode vencer a milionária máquina eleitoral de Hillary Clinton, resultado que seria desastroso para o imperialismo

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Nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, foi realizada a primeira etapa das eleições primárias para a presidência nos EUA. As primárias definem quem serão os candidatos de cada partido, Republicano e Democrata. A primeira votação acontece sempre no estado de Iowa, um pequeno estado rural no centro do País. Com menos de 1% dos eleitores, a votação no estado é importante porque começa a definir como serão as eleições.

Do lado republicano, Ted Cruz venceu, contrariando as pesquisas, que apontavam uma vitória de Donald Trump, que terminou em segundo. Tanto Cruz quanto Trump não são os candidatos institucionais do Partido Republicano. Jeb Bush, ex-governador da Florida, principal candidato do partido e favorito de Wall Street, do mercado financeiro, entre os republicanos, ficou apenas em sexto.

Entre os democratas, apenas dois pré-candidatos à presidência concorrem pela indicação. Hillary Clinton é a favorita de Wall Street no Partido Democrata, e tem a seu favor uma enorme máquina eleitoral. Bernie Sanders, senador pelo estado de Vermont, concorre com uma campanha bem mais modesta. Com suas propostas mais à esquerda, no entanto, surpreendeu na votação em Iowa, disputando até o último minuto na contagem dos votos contra Hillary, perdendo por uma diferença de 0,2%, 49,8% contra 49,6%.

Sanders propõe ensino superior público e gratuito além de um sistema público de saúde. O senador também defende políticas para reduzir a desigualdade. Com essas propostas, Sanders está atraindo apoio dos eleitores contra a candidata oficial do partido. Uma vitória sua contra Hillary Clinton seria desastrosa para o imperialismo. Em Iowa o vencedor não conquista todos os delegados, como acontece em outros estados. Sanders, além de mostrar que sua candidatura é viável com o resultado de Iowa, também conquistou delegados para votar na escolha final.

O desempenho de candidatos mais direitistas à frente no Partido Republicano e de Bernie Sanders ameaçando Clinton no Partido Democrata reflete uma polarização nas eleições norte-americanas. Uma polarização que é consequência da crise capitalista, que entrou em uma nova etapa a partir de 2008, e que pode abrir uma crise no regime político atual no País.

“Revolução política”

Em discurso depois do resultado, Sanders falou como vencedor, interrompido diversas vezes pelos aplausos do público, anunciando que o Iowa começou uma “revolução política”. O senador também pediu que fossem divulgados todos os números da votação, diante da possibilidade de ter tido mais votos ao todo, em uma eleição disputada por distritos como são as primárias de Iowa.

Sanders defendeu o ensino superior público e gratuito com as seguintes palavras: “as pessoas não deveriam ser punidas financeiramente por quererem uma educação melhor. Universidades públicas deveriam ser de graça. Como vamos pagar? Vamos cobrar impostos dos especuladores de Wall Street.” E avisou à imprensa: “Eu fui criticado durante a campanha por muitas coisas. (…) Para todos os meus críticos do Wall Street Journal e do Washington Post e das corporações por aí, deixe-me dizer a vocês diretamente: sim, eu acredito que cuidados médicos são um direito, não um privilégio”.

Bernie Sanders declarou que o resultado de Iowa mandou uma “profunda mensagem” para o establishment: “não podemos mais aceitar um sistema eleitoral corrupto”. O senador destacou em sua fala que sua campanha não é financiada por grandes corporações, mas por doações individuais (3,5 milhões de doações, de US$ 27 em média).

Golpismo: Imperialismo faz campanha pelo “não” em referendo na Bolívia

Como nos outros países em que o imperialismo está na ofensiva, setores de esquerda cedem à pressão e se juntam à campanha da direita

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No próximo dia 21 a Bolívia realizará um referendo popular para decidir se a Constituição será ou não mudada para que Evo Morales possa se candidatar mais uma vez ao cargo de presidente.

Morales está na presidência desde 2005, e acaba de iniciar seu terceiro mandato, o segundo depois da fundação da República Plurinacional da Bolívia. As pesquisas indicam uma vitória apertada do “sim”, apesar da grande popularidade de Morales.

Governo denuncia participação do imperialismo

No dia 15 de janeiro, segundo o jornal El Cambio, o presidente Evo Morales revelou que existem gravações que mostrariam a briga da direita local pelo dinheiro enviado dos EUA para a campanha do “não”. Segundo o presidente, o chefe da campanha do “não” seria Sánchez Berzaín, que fez parte do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, apelidado pela população “el Gringo”.

O governo de Lozada caiu depois da “guerra da água”, em 2002, uma revolta popular contra a privatização da água. Os protestos foram brutalmente reprimidos no início, deixando 40 mortos e centenas de feridos. Membros do governo fugiram para Miami, de onde atuam até hoje apoiando a direita boliviana com ajuda do imperialismo norte-americano. É de lá que Berzaín comanda a campanha do “não”, segundo a denúncia do governo. O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, afirma que a campanha do “não” é parte de uma campanha internacional contra as esquerdas na Argentina, na Venezuela e na Bolívia.

Enquanto isso, setores da esquerda pequeno-burguesa apoiam a campanha da direita no referendo, chamando voto pelo não. É o caso do Partido Obrero Revolucionario boliviano (POR), por exemplo, que em um panfleto do último dia 29 defende que o “não” seria um “não das massas oprimidas” contra a “impostura de um governo que se diz anti-imperialista”.

O argumento é familiar e tem sido usado por setores de esquerda em toda a América do Sul: o partido de Evo Morales, MAS (Movimiento Al Socialismo), seria tão direitista quanto os partidos do imperialismo. Não haveria nenhuma contradição entre o governo nacionalista burguês com o imperialismo, e o MAS seria, inclusive, o “melhor defensor do princípio da propriedade privada”.

Assim, o POR faz campanha pelo voto da direita no referendo. E faz essa campanha em pleno avanço da direita apoiada pelo imperialismo em toda a região, impulsionando golpes e candidaturas da direita pró-imperialista em todo o continente. Não existe um “não das massas oprimidas” no referendo da reeleição boliviana, o “não” significa criar uma dificuldade eleitoral para o governo em 2019 para facilitar que a direita volte ao poder.

Por princípio, essa alteração na Constituição e a permanência de um presidente indefinidamente no cargo é uma medida antidemocrática. Mas a defesa dos princípios é uma coisa concreta. A tentativa de manter Morales no poder por meio do referendo é uma tentativa débil do governo de se defender do imperialismo, que está em uma ofensiva contra os governos nacionalistas burgueses para tentar derrubá-los em toda a região. Não se deve, no entanto, apoiar o “sim” no referendo por causa disso. Reeleger Evo Morales não é a solução para combater e derrotar a direita e o imperialismo. Muito menos fazer campanha junto com a direita pelo “não”. É isso, porém, que parte da esquerda levanta, misturando suas bandeiras indiscriminadamente com as da direita.

O chamado a votar pelo “não” no referendo precisa estar subordinado a uma luta intensa, para unificar a classe operária e os camponeses pobres da Bolívia no combate contra a direita golpista boliviana e o imperialismo.

Polarização eleitoral: Sanders expressa crise social e política dos EUA

Os indícios de uma possível vitória do pré-candidato democrata contra Hillary Clinton mostram a extrema polarização e a mobilização durante as eleições presidenciais

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O empate entre Bernie Sanders, senador pelo estado de Vermont, e Hillary Clinton, candidata de Wall Street nas primárias do Partido Democrata, no caucus de Iowa no dia 1º contrariou as previsões alardeadas pela imprensa, as pesquisas eleitorais e o mercado financeiro. Sanders era considerado, pelo menos para fins de propaganda, como um candidato sem nenhuma possibilidade de concorrer com Hillary pela nomeação. A votação em Iowa, no entanto, terminou com uma diferença de 0,2% a favor de Hillary. A vitória foi de Bernie Sanders, e deixou evidente que sua candidatura tem uma base real, mesmo contra o aparato eleitoral de Clinton, financiada por grandes capitalistas.

Um candidato à esquerda

A imprensa burguesa procurou diminuir esse fato destacando nas manchetes a vitória de Hillary Clinton em Iowa. Sanders, que era considerado fora do páreo, é favorito na votação do próximo estado, New Hampshire.

Em Iowa, o candidato vencedor das primárias não leva todos os delegados, como acontece em outros estados. Sanders pode sair de New Hampshire na frente de Hillary, partindo para uma disputa acirrada contra a campanha milionária da ex-Secretária de Estado.

Em seu discurso depois do resultado, em tom vitorioso, Sanders destacou que não é financiado por bilionários, apresentando o número de 3,5 milhões de contribuições individuais à sua campanha, com uma média de 27 dólares por doação, apresentando a campanha como a luta do homem comum contra os milionários.

Entre as propostas de Bernie Sanders estão um salário mínimo de15 dólares por hora, igualdade salarial para as mulheres, a criação de um sistema público de saúde, ensino superior público gratuito, aprovação de uma lei que fortaleça os sindicatos dos trabalhadores e mais impostos sobre os ricos e os especuladores. Por isso Sanders é chamado de “socialista” nos EUA, onde o regime imperialista é muito direitista. Sanders representa uma classe média de esquerda ligada à classe operária, assustada com a crise social e que exige reformas. Uma reação à política atual, que está caminhando para um desastre.

Superando Obama

Essas propostas atraíram os eleitores mais jovens do partido em Iowa. Entre os eleitores com menos de 29 anos, Sanders venceu Clinton por 84 pontos a 14. Entre os eleitores com menos de 50 e mais de 30, Sanders venceu por 53 a 37. É uma geração que elegeu Obama, que prometia mudanças mas não mudou nada. Depois dessa experiência com Barack Obama, os eleitores democratas estão se deslocando mais à esquerda, para uma alternativa mais definida às políticas atuais do regime norte-americano. O próprio Obama já expressava uma crise do aparato político do regime. Sanders expressa o aprofundamento dessa crise e a tendência à perda de equilíbrio, devido à polarização.

A crise e os salários

Não é à toa que Sanders destaca em sua campanha o problema salarial e de dar mais voz à classe trabalhadora e fortalecer os sindicatos. A imprensa burguesa dá muito destaque ao fato de que a taxa de desemprego nos EUA é baixa atualmente. No entanto, entre 2008 e 2014 houve uma perda salarial dos trabalhadores de 23% em média. Os empregos recuperados depois da crise pagam muito menos. Houve um aumento da exploração para fazer os trabalhadores pagarem pela crise.

Um regime corrupto

Em sua campanha, Sanders tem denunciado que o regime político norte-americano é um regime corrupto, em que alguns bilionários compram as eleições para colocar quem eles quiserem no poder. Enquanto a esquerda pequeno-burguesa brasileira acredita na democracia aqui, no Brasil, crença que a leva a defender que não haveria uma tentativa de golpe em curso, um político do Partido Democrata norte-americano denuncia a corrupção da democracia e sua submissão ao poder econômico.

Um candidato assim concorrendo contra Hillary e tendo chances expressa também a crise social dos EUA. Trata-se de uma crise do imperialismo, que vem encontrando dificuldades para manter seu domínio. A invasão do Iraque terminou sendo um grande fracasso e abriu uma crise na região, sem que os EUA conseguissem impor seu controle e causando um grande impacto econômico para os norte-americanos, diretamente relacionado ao colapso capitalista de 2008. É nessa conjuntura que uma candidatura como a de Sanders pode vencer a indicada do mercado financeiro, Clinton. Jeremy Corbyn, na Inglaterra, expressou esse mesmo fenômeno ao ganhar a liderança do Partido Trabalhista britânico.

É por causa dessa crise que o imperialismo lança tentativas de golpe em todo o mundo para tentar impor governos leais a seus interesses. É fundamental para a manutenção do regime nos EUA o roubo praticado pelo imperialismo em todos os países atrasados. É por causa dessa crise que há uma tentativa de golpe de golpe em curso hoje no Brasil e em tantos outros lugares.

Guerra na Síria: o imperialismo pede água

Forças nacionalistas sírias avançam na manutenção do poder e os governos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita pedem mediadores internacionais em Genebra

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No dia 1º de fevereiro, segunda feira, começaram as negociações em Genebra entre representantes dos grupos do Alto Comitê de Negociações (ACN) financiado pela Arábia Saudita e o representante do presidente Sírio Bashar Al Assad, o chefe do governo Sírio, Bashar Jaafari.

As negociações sobre o conflito Sírio em Genebra começaram tensas, já que no dia 31 de janeiro, um ataque à cidade de Genebra, em uma região com o principal núcleo xiita de Damasco matou mais de 60 pessoas e o EI (Estado Islâmico ou como pode ser chamado ISIS ou Daesh) assumiu o ataque de dois homens bomba. A frente Al-Nusra também de orientação Sunita assumiu o carro bomba que explodiu no mesmo local.

Os grupos paramilitares financiados pelos Estados Unidos e ligados primeiramente à Arabia Saudita e depois aos aliados como Israel e Turquia, fazem ofensivas diretas ao governo de Bashar Al Assad. O encontro de Genebra reflete a força que o Governo Sírio, auxiliado pelo Irã e Rússia, tem conseguido no combate às forças golpistas na região, principalmente contra o Estado Islâmico.

A imprensa burguesa publica diariamente matérias culpando o governo sírio e o exército por fazer ofensivas e sitiar cidades. O governo e o exército estão, no entanto, fazendo frente aos diversos ataques, de diversos grupos de oposição, que tentam derrubar Assad. Grupos como a Al-Nusra, um braço da Al-Qaeda, roubam comida e medicamentos, negociando-os com os moradores e extorquindo ouro e outros produtos.

As recentes vitórias em pontos estratégicos como Aleppo (ao norte da Síria, perto da fronteira com a Turquia), em Hamah, onde foram expulsos os terroristas da Al-Nusra, e em Latakia, que dá acesso ao Mar Mediterrâneo estão dando extrema vantagem as forças nacionalistas na Síria.

A crise do imperialismo tem um ponto importante na guerra da Síria que mina o poder que o imperialismo tenta impor ao país e o seu domínio do Oriente Médio. Isso fica evidente também nos próprios Estados Unidos, onde o candidato da esquerda do Partido Democrata, Bernie Sanders, ganha força, o que coloca em xeque a força dos candidatos preferidos dos monopólios econômicos, no total desastre econômico, político e social advindo da guerra no Iraque.

O governo russo ao lado dos governos nacionalistas como Síria e Irã, e os Estados Unidos financiando a Arábia Saudita, estão disputando o poder em vários países do Oriente Médio e Europa. Essas disputas tomam países como Síria e Iêmen como palco para disputas econômicas e militares. A Ucrânia, local importante para os dois países, tanto pelo local estratégico (saída para o Mar Negro) e fronteira com a Rússia, quanto pelas riquezas minerais também entra como peça chave no conflito. Com os ganhos do exército Sírio apoiado pelos aviões Russos, o governo dos Estados Unidos, que tem sua política externa controlada pelo núcleo-duro do regime, a direita Democrata e os Republicanos, está enviando mais armamentos e tropas para a Ucrânia, com o fim de pressionar a Rússia.

Atentado na Síria: mais mortos pelos quais nenhum “democrata” chora

Em meio à guerra e a negociações mais de 60 pessoas morrem em atentado com carro-bomba

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O distrito de Sayeda Zeinab, pró governo ao sul de Damasco e local de um importante santuário xiita, foi atacado pelo Estado Islâmico neste domingo dia 31 de janeiro, no período da manhã. O número de vítimas ainda não terminou de ser contabilizado e as mortes até agora são mais de 60 com mais de 120 feridos

O Estado Islâmico (EI, também conhecido como ISIS ou Daesh) assumiu o atentado e é financiando pelo imperialismo norte-americano há um bom tempo, nos moldes que aconteceram com Al Qaeda (desde os anos de 1980), Frente Al Nusra (recentemente) e com diversos grupos no Oriente Médio.

 

Esses grupos atuam nas “guerras por procuração” que ocorrem no Iêmen e principalmente na Síria. Essas guerras demonstram a luta entre o imperialismo norte-americano e seus aliados (Arábia Saudita, Israel e Turquia) contra os governos nacionalistas do Oriente Médio (Irã, Iraque, Líbano) apoiados pela Rússia.

O ataque na cidade de Sayeda Zeinaba ocorre durante a primeira tentativa de negociação de paz sobre a Síria e que ocorre em Genebra. O Comitê de Altas Negociações (CAN), apoiado pela Arábia Saudita, disse que só continuará as negociações se os governos Sírio e Russo parassem com os bombardeios e com o cerco aos grupos rebeldes.

Esse pedido demonstra claramente que o que quer o imperialismo e principalmente a Arábia Saudita é que o governo nacionalista na Síria de Bashar Al Assad se renda frente a ofensiva militar-terrorista. Gostariam de dominar totalmente a Síria sem qualquer reação, sem qualquer defesa ou contra-ataque do governo Sírio. Gostariam que as negociações em Genebra dessem carta branca à ofensiva que já dura mais de cinco anos.