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CPMF: Congresso sabota o governo petista

Quando o PT adota o programa da direita, essa mesma direita o acusa e sabota

DILMA xo cpmf - oto- Lucio Bernardo Jr.-Câmara dos Deputados

De acordo com a imprensa capitalista, o Brasil passa pela pior crise de todos os tempos. Estamos em recessão. O desemprego dispara, o dólar aumenta, a inflação sobe e a renda cai.

Essas notícias estão sendo todos os dias reforçadas como uma ladainha na cabeça da população ao lado da campanha contra o governo, Dilma, Lula e o PT.

E quando o governo apresenta uma proposta para “sair da crise”, a oposição e a imprensa saem esbravejando contra a proposta.

Nesse caso o alvo é a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras) que vigorou no país entre 1997 e 2007 como uma “contribuição destinada especificamente ao custeio da Saúde Pública, da Previdência Social e do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza”.

A proposta do governo é retomar a contribuição que inicialmente foi instituída pelo governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Isso não vai acabar com a crise econômica que tem raízes muito mais profundas. Embora seja preciso dizer que a situação é grave, mas não está no nível que a imprensa tem divulgado.

Governo cede à pressão e direita aproveita a capitulação

A presidenta Dilma Rousseff foi ao Congresso Nacional falar na abertura do ano legislativo. Discursou ao lado do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e do ministro presidente do Supremo Tribunal Federal pedindo, entre outras medidas que, para a “retomada do crescimento econômico”, seja aprovada a CPMF. Essa foi a alternativa encontrada para reajustar as contas, problema que tem a ver com a Lei de Responsabilidade Fiscal, e como uma das iniciativas para a saída da recessão. Tem a ver também com os cortes que hoje os oposicionistas sempre defenderam e agora imprimem nas costas de Dilma.

Para além da discussão se a proposta do governo é boa ou ruim, se será suficiente ou não, o que fica evidente na disputa do Congresso é que o que a oposição de direita está fazendo é uma sabotagem do governo; e do próprio ponto de vista deles, da economia do país.

A oposição de direita (PSDB…) acusa o governo de levar adiante o programa que é deles; de retomar medidas que foram implementadas por eles.

De fato o governo deve ser denunciado. Mas por estar capitulando diante da pressão da direita, do mercado financeiro internacional, do imperialismo.

A CPMF além de não resolver o problema da crise econômica, coloca o governo refém de uma Câmara que tem demostrado fidelidade ao golpista Eduardo Cunha e um Senado que, na mira da República do Paraná que já prendeu Delcídio do Amaral (PT-MS), vacila muito.

A sabotagem da direita e a falta de iniciativa do PT são os ingredientes para o avanço da crise econômica que tende a afetar cada vez mais a população.

Mesmo com ditadura do tribunal, aeroviários e aeronautas paralisaram as atividades

Nessa quarta-feira, dia 3 de fevereiro, aeronautas e aeroviários fizeram paralisação em 12 aeroportos pelo País. As categorias compostas por trabalhadores como pilotos, comissários de bordo e trabalhadores em terra resolveram parar as atividades em protesto contra o não cumprimento da data base, que seria em dezembro, pelas empresas.

aeroviarios2A paralisação, organizada pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil (Fentac), tem como pauta a reposição de 11% da inflação nos salários dos trabalhadores, retroativo à data base. As empresas querem fazer esse pagamento parcelado em três vezes, até novembro de 2016, um mês antes da data prevista para o próximo reajuste, causando perdas ainda maiores aos trabalhadores.

De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), ao menos 80% da frota deveria ser mantida em funcionamento, ou haveria multa de R$100 mil por dia de não cumprimento da determinação, o que não impediu que ocorresse, de acordo com a Infraero, ao menos 264 voos atrasados e 121 cancelados entre os voos domésticos. Mesmo com a ditadura do Tribunal, que passa por cima do direito de greve, a paralisação foi forte.

As mobilizações ocorreram nos aeroportos de Congonhas, Guarulhos, Santos Dumont, Galeão, Viracopos, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Brasília, Salvador, Recife e Fortaleza

Entretanto, de acordo com o site da Fentac, “Os aeronautas e os aeroviários de Guarulhos, Campinas, Recife, Porto Alegre e nas bases do Sindicato Nacional dos Aeroviários, representados pela Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (FENTAC), decidiram em assembleias realizadas nesta quarta-feira (3), suspender a paralisação nos aeroportos até a próxima quarta-feira (10), depois do Carnaval”, na intenção de aguardar a construção de uma proposta para a reposição das perdas salariais, que deve ser apresentada ainda essa semana. Ainda de acordo com o site, tal decisão foi tomada pois “O TST e a Procuradoria Geral do Trabalho alertaram que caso paralisações aconteçam no período do Carnaval, o movimento será considerado abusivo.”

É preciso que a categoria não se intimide com a ameaça do tribunal que age de acordo com os interesses dos patrões.

Praticamente empate: Clinton vence Sanders em Iowa com diferença de apenas 0,2%

Votação mostrou que Bernie Sanders pode vencer a milionária máquina eleitoral de Hillary Clinton, resultado que seria desastroso para o imperialismo

Sanders.Hillary

Nesta segunda-feira, 1º de fevereiro, foi realizada a primeira etapa das eleições primárias para a presidência nos EUA. As primárias definem quem serão os candidatos de cada partido, Republicano e Democrata. A primeira votação acontece sempre no estado de Iowa, um pequeno estado rural no centro do País. Com menos de 1% dos eleitores, a votação no estado é importante porque começa a definir como serão as eleições.

Do lado republicano, Ted Cruz venceu, contrariando as pesquisas, que apontavam uma vitória de Donald Trump, que terminou em segundo. Tanto Cruz quanto Trump não são os candidatos institucionais do Partido Republicano. Jeb Bush, ex-governador da Florida, principal candidato do partido e favorito de Wall Street, do mercado financeiro, entre os republicanos, ficou apenas em sexto.

Entre os democratas, apenas dois pré-candidatos à presidência concorrem pela indicação. Hillary Clinton é a favorita de Wall Street no Partido Democrata, e tem a seu favor uma enorme máquina eleitoral. Bernie Sanders, senador pelo estado de Vermont, concorre com uma campanha bem mais modesta. Com suas propostas mais à esquerda, no entanto, surpreendeu na votação em Iowa, disputando até o último minuto na contagem dos votos contra Hillary, perdendo por uma diferença de 0,2%, 49,8% contra 49,6%.

Sanders propõe ensino superior público e gratuito além de um sistema público de saúde. O senador também defende políticas para reduzir a desigualdade. Com essas propostas, Sanders está atraindo apoio dos eleitores contra a candidata oficial do partido. Uma vitória sua contra Hillary Clinton seria desastrosa para o imperialismo. Em Iowa o vencedor não conquista todos os delegados, como acontece em outros estados. Sanders, além de mostrar que sua candidatura é viável com o resultado de Iowa, também conquistou delegados para votar na escolha final.

O desempenho de candidatos mais direitistas à frente no Partido Republicano e de Bernie Sanders ameaçando Clinton no Partido Democrata reflete uma polarização nas eleições norte-americanas. Uma polarização que é consequência da crise capitalista, que entrou em uma nova etapa a partir de 2008, e que pode abrir uma crise no regime político atual no País.

“Revolução política”

Em discurso depois do resultado, Sanders falou como vencedor, interrompido diversas vezes pelos aplausos do público, anunciando que o Iowa começou uma “revolução política”. O senador também pediu que fossem divulgados todos os números da votação, diante da possibilidade de ter tido mais votos ao todo, em uma eleição disputada por distritos como são as primárias de Iowa.

Sanders defendeu o ensino superior público e gratuito com as seguintes palavras: “as pessoas não deveriam ser punidas financeiramente por quererem uma educação melhor. Universidades públicas deveriam ser de graça. Como vamos pagar? Vamos cobrar impostos dos especuladores de Wall Street.” E avisou à imprensa: “Eu fui criticado durante a campanha por muitas coisas. (…) Para todos os meus críticos do Wall Street Journal e do Washington Post e das corporações por aí, deixe-me dizer a vocês diretamente: sim, eu acredito que cuidados médicos são um direito, não um privilégio”.

Bernie Sanders declarou que o resultado de Iowa mandou uma “profunda mensagem” para o establishment: “não podemos mais aceitar um sistema eleitoral corrupto”. O senador destacou em sua fala que sua campanha não é financiada por grandes corporações, mas por doações individuais (3,5 milhões de doações, de US$ 27 em média).

Golpismo: Imperialismo faz campanha pelo “não” em referendo na Bolívia

Como nos outros países em que o imperialismo está na ofensiva, setores de esquerda cedem à pressão e se juntam à campanha da direita

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No próximo dia 21 a Bolívia realizará um referendo popular para decidir se a Constituição será ou não mudada para que Evo Morales possa se candidatar mais uma vez ao cargo de presidente.

Morales está na presidência desde 2005, e acaba de iniciar seu terceiro mandato, o segundo depois da fundação da República Plurinacional da Bolívia. As pesquisas indicam uma vitória apertada do “sim”, apesar da grande popularidade de Morales.

Governo denuncia participação do imperialismo

No dia 15 de janeiro, segundo o jornal El Cambio, o presidente Evo Morales revelou que existem gravações que mostrariam a briga da direita local pelo dinheiro enviado dos EUA para a campanha do “não”. Segundo o presidente, o chefe da campanha do “não” seria Sánchez Berzaín, que fez parte do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, apelidado pela população “el Gringo”.

O governo de Lozada caiu depois da “guerra da água”, em 2002, uma revolta popular contra a privatização da água. Os protestos foram brutalmente reprimidos no início, deixando 40 mortos e centenas de feridos. Membros do governo fugiram para Miami, de onde atuam até hoje apoiando a direita boliviana com ajuda do imperialismo norte-americano. É de lá que Berzaín comanda a campanha do “não”, segundo a denúncia do governo. O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, afirma que a campanha do “não” é parte de uma campanha internacional contra as esquerdas na Argentina, na Venezuela e na Bolívia.

Enquanto isso, setores da esquerda pequeno-burguesa apoiam a campanha da direita no referendo, chamando voto pelo não. É o caso do Partido Obrero Revolucionario boliviano (POR), por exemplo, que em um panfleto do último dia 29 defende que o “não” seria um “não das massas oprimidas” contra a “impostura de um governo que se diz anti-imperialista”.

O argumento é familiar e tem sido usado por setores de esquerda em toda a América do Sul: o partido de Evo Morales, MAS (Movimiento Al Socialismo), seria tão direitista quanto os partidos do imperialismo. Não haveria nenhuma contradição entre o governo nacionalista burguês com o imperialismo, e o MAS seria, inclusive, o “melhor defensor do princípio da propriedade privada”.

Assim, o POR faz campanha pelo voto da direita no referendo. E faz essa campanha em pleno avanço da direita apoiada pelo imperialismo em toda a região, impulsionando golpes e candidaturas da direita pró-imperialista em todo o continente. Não existe um “não das massas oprimidas” no referendo da reeleição boliviana, o “não” significa criar uma dificuldade eleitoral para o governo em 2019 para facilitar que a direita volte ao poder.

Por princípio, essa alteração na Constituição e a permanência de um presidente indefinidamente no cargo é uma medida antidemocrática. Mas a defesa dos princípios é uma coisa concreta. A tentativa de manter Morales no poder por meio do referendo é uma tentativa débil do governo de se defender do imperialismo, que está em uma ofensiva contra os governos nacionalistas burgueses para tentar derrubá-los em toda a região. Não se deve, no entanto, apoiar o “sim” no referendo por causa disso. Reeleger Evo Morales não é a solução para combater e derrotar a direita e o imperialismo. Muito menos fazer campanha junto com a direita pelo “não”. É isso, porém, que parte da esquerda levanta, misturando suas bandeiras indiscriminadamente com as da direita.

O chamado a votar pelo “não” no referendo precisa estar subordinado a uma luta intensa, para unificar a classe operária e os camponeses pobres da Bolívia no combate contra a direita golpista boliviana e o imperialismo.

Polarização eleitoral: Sanders expressa crise social e política dos EUA

Os indícios de uma possível vitória do pré-candidato democrata contra Hillary Clinton mostram a extrema polarização e a mobilização durante as eleições presidenciais

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O empate entre Bernie Sanders, senador pelo estado de Vermont, e Hillary Clinton, candidata de Wall Street nas primárias do Partido Democrata, no caucus de Iowa no dia 1º contrariou as previsões alardeadas pela imprensa, as pesquisas eleitorais e o mercado financeiro. Sanders era considerado, pelo menos para fins de propaganda, como um candidato sem nenhuma possibilidade de concorrer com Hillary pela nomeação. A votação em Iowa, no entanto, terminou com uma diferença de 0,2% a favor de Hillary. A vitória foi de Bernie Sanders, e deixou evidente que sua candidatura tem uma base real, mesmo contra o aparato eleitoral de Clinton, financiada por grandes capitalistas.

Um candidato à esquerda

A imprensa burguesa procurou diminuir esse fato destacando nas manchetes a vitória de Hillary Clinton em Iowa. Sanders, que era considerado fora do páreo, é favorito na votação do próximo estado, New Hampshire.

Em Iowa, o candidato vencedor das primárias não leva todos os delegados, como acontece em outros estados. Sanders pode sair de New Hampshire na frente de Hillary, partindo para uma disputa acirrada contra a campanha milionária da ex-Secretária de Estado.

Em seu discurso depois do resultado, em tom vitorioso, Sanders destacou que não é financiado por bilionários, apresentando o número de 3,5 milhões de contribuições individuais à sua campanha, com uma média de 27 dólares por doação, apresentando a campanha como a luta do homem comum contra os milionários.

Entre as propostas de Bernie Sanders estão um salário mínimo de15 dólares por hora, igualdade salarial para as mulheres, a criação de um sistema público de saúde, ensino superior público gratuito, aprovação de uma lei que fortaleça os sindicatos dos trabalhadores e mais impostos sobre os ricos e os especuladores. Por isso Sanders é chamado de “socialista” nos EUA, onde o regime imperialista é muito direitista. Sanders representa uma classe média de esquerda ligada à classe operária, assustada com a crise social e que exige reformas. Uma reação à política atual, que está caminhando para um desastre.

Superando Obama

Essas propostas atraíram os eleitores mais jovens do partido em Iowa. Entre os eleitores com menos de 29 anos, Sanders venceu Clinton por 84 pontos a 14. Entre os eleitores com menos de 50 e mais de 30, Sanders venceu por 53 a 37. É uma geração que elegeu Obama, que prometia mudanças mas não mudou nada. Depois dessa experiência com Barack Obama, os eleitores democratas estão se deslocando mais à esquerda, para uma alternativa mais definida às políticas atuais do regime norte-americano. O próprio Obama já expressava uma crise do aparato político do regime. Sanders expressa o aprofundamento dessa crise e a tendência à perda de equilíbrio, devido à polarização.

A crise e os salários

Não é à toa que Sanders destaca em sua campanha o problema salarial e de dar mais voz à classe trabalhadora e fortalecer os sindicatos. A imprensa burguesa dá muito destaque ao fato de que a taxa de desemprego nos EUA é baixa atualmente. No entanto, entre 2008 e 2014 houve uma perda salarial dos trabalhadores de 23% em média. Os empregos recuperados depois da crise pagam muito menos. Houve um aumento da exploração para fazer os trabalhadores pagarem pela crise.

Um regime corrupto

Em sua campanha, Sanders tem denunciado que o regime político norte-americano é um regime corrupto, em que alguns bilionários compram as eleições para colocar quem eles quiserem no poder. Enquanto a esquerda pequeno-burguesa brasileira acredita na democracia aqui, no Brasil, crença que a leva a defender que não haveria uma tentativa de golpe em curso, um político do Partido Democrata norte-americano denuncia a corrupção da democracia e sua submissão ao poder econômico.

Um candidato assim concorrendo contra Hillary e tendo chances expressa também a crise social dos EUA. Trata-se de uma crise do imperialismo, que vem encontrando dificuldades para manter seu domínio. A invasão do Iraque terminou sendo um grande fracasso e abriu uma crise na região, sem que os EUA conseguissem impor seu controle e causando um grande impacto econômico para os norte-americanos, diretamente relacionado ao colapso capitalista de 2008. É nessa conjuntura que uma candidatura como a de Sanders pode vencer a indicada do mercado financeiro, Clinton. Jeremy Corbyn, na Inglaterra, expressou esse mesmo fenômeno ao ganhar a liderança do Partido Trabalhista britânico.

É por causa dessa crise que o imperialismo lança tentativas de golpe em todo o mundo para tentar impor governos leais a seus interesses. É fundamental para a manutenção do regime nos EUA o roubo praticado pelo imperialismo em todos os países atrasados. É por causa dessa crise que há uma tentativa de golpe de golpe em curso hoje no Brasil e em tantos outros lugares.