Arquivo do autor:Henrique Áreas de Araujo

Imperialismo faz campanha pelo “não” em referendo na Bolívia

Como nos outros países em que o imperialismo está na ofensiva, setores de esquerda cedem à pressão e se juntam à campanha da direita

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No próximo dia 21 a Bolívia realizará um referendo popular para decidir se a Constituição será ou não mudada para que Evo Morales possa se candidatar mais uma vez ao cargo de presidente.

Morales está na presidência desde 2005, e acaba de iniciar seu terceiro mandato, o segundo depois da fundação da República Plurinacional da Bolívia. As pesquisas indicam uma vitória apertada do “sim”, apesar da grande popularidade de Morales.

Governo denuncia participação do imperialismo

No dia 15 de janeiro, segundo o jornal El Cambio, o presidente Evo Morales revelou que existem gravações que mostrariam a briga da direita local pelo dinheiro enviado dos EUA para a campanha do “não”. Segundo o presidente, o chefe da campanha do “não” seria Sánchez Berzaín, que fez parte do governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, apelidado pela população “el Gringo”.

O governo de Lozada caiu depois da “guerra da água”, em 2002, uma revolta popular contra a privatização da água. Os protestos foram brutalmente reprimidos no início, deixando 40 mortos e centenas de feridos. Membros do governo fugiram para Miami, de onde atuam até hoje apoiando a direita boliviana com ajuda do imperialismo norte-americano. É de lá que Berzaín comanda a campanha do “não”, segundo a denúncia do governo. O ministro da Defesa, Reymi Ferreira, afirma que a campanha do “não” é parte de uma campanha internacional contra as esquerdas na Argentina, na Venezuela e na Bolívia.

Enquanto isso, setores da esquerda pequeno-burguesa apoiam a campanha da direita no referendo, chamando voto pelo não. É o caso do Partido Obrero Revolucionario boliviano (POR), por exemplo, que em um panfleto do último dia 29 defende que o “não” seria um “não das massas oprimidas” contra a “impostura de um governo que se diz anti-imperialista”.

O argumento é familiar e tem sido usado por setores de esquerda em toda a América do Sul: o partido de Evo Morales, MAS (Movimiento Al Socialismo), seria tão direitista quanto os partidos do imperialismo. Não haveria nenhuma contradição entre o governo nacionalista burguês com o imperialismo, e o MAS seria, inclusive, o “melhor defensor do princípio da propriedade privada”.

Assim, o POR faz campanha pelo voto da direita no referendo. E faz essa campanha em pleno avanço da direita apoiada pelo imperialismo em toda a região, impulsionando golpes e candidaturas da direita pró-imperialista em todo o continente. Não existe um “não das massas oprimidas” no referendo da reeleição boliviana, o “não” significa criar uma dificuldade eleitoral para o governo em 2019 para facilitar que a direita volte ao poder.

Por princípio, essa alteração na Constituição e a permanência de um presidente indefinidamente no cargo é uma medida antidemocrática. Mas a defesa dos princípios é uma coisa concreta. A tentativa de manter Morales no poder por meio do referendo é uma tentativa débil do governo de se defender do imperialismo, que está em uma ofensiva contra os governos nacionalistas burgueses para tentar derrubá-los em toda a região. Não se deve, no entanto, apoiar o “sim” no referendo por causa disso. Reeleger Evo Morales não é a solução para combater e derrotar a direita e o imperialismo. Muito menos fazer campanha junto com a direita pelo “não”. É isso, porém, que parte da esquerda levanta, misturando suas bandeiras indiscriminadamente com as da direita.

O chamado a votar pelo “não” no referendo precisa estar subordinado a uma luta intensa, para unificar a classe operária e os camponeses pobres da Bolívia no combate contra a direita golpista boliviana e o imperialismo.

SP: Alckmin faz “reorganização” por debaixo do pano

Apesar de derrotado pela mobilização social em 2015 e proibido pela justiça de colocar em prática a reorganização escolas, Geraldo Alckimin (PSDB) pode fechar mais de mil e quinhentas salas de aulas colocando em prática, por debaixo do pano, seus planos de cortes para a educação

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Várias denúncias vêm sendo recebidas a respeito do fechamento de salas, turnos e até mesmo ciclos em escolas estaduais. Isso significa, na prática, que a reorganização tucana planejada para cortar gastos com a educação no ano de 2016 está em andamento.

No final de 2015, uma ampla mobilização de professores, estudantes, pais, movimentos sociais e ocupação de escolas, finalmente adiou os planos do governo de reorganizar as escolas por ciclos, o que proporcionaria o fechamento de dezenas de escolas (a princípio), fechamento de turnos, superlotação de salas, demissão de milhares de professores temporários, deslocamento dos alunos para escolas distantes e transferência compulsória dos mesmos.

O TJ-SP, além de negar por duas vezes os pedidos de liminar propostos pelo governo de Geraldo Alckmin, teve ainda de reiterar a decisão de suspender a reorganização das escolas estaduais, para que a distribuição da rede permanecesse como no ano de 2015.

Entretanto, na prática, as denúncias apontam que a reorganização vem se consolidando as escondidas, em escolas que, por exemplo, fazem os alunos se matricularem em outra unidade, estadual ou municipal, ou ainda as escolas que não aceitam matrículas para determinado ciclo ou série, como muitas escolas que, pretendendo não mais oferecer Ensino Médio, não aceitam matrículas para o primeiro ano desse ciclo, entre outras manobras do governo para impor à força sua vontade.

As salas do noturno, em levantamento inicial, são as mais atingidas pela política de fechamento, impedindo assim que o aluno trabalhador tenha acesso à educação.

De acordo com o levantamento da Apeoesp (sindicato de professores do Estado de São Paulo), quase 600 salas foram fechadas, isso apurado em apenas 33, das mais de 90 subsedes. Se a situação se repetir no levantamento das demais subsedes do sindicato o número de salas fechas ultrapassará 1500.

Na prática já se nota os efeitos do fechamento de salas durante a atribuição, onde milhares de professores temporários não foram atendidos, e mesmo docentes efetivos tiveram que escolher duas, três ou mais escolas para conseguir compor a jornada de trabalho.

Outro fato que demonstra as consequências da política tucana para a educação são várias listas de alunos que vieram a público por meio de denúncias, sobretudo de pais, onde o número de estudantes por sala ultrapassa os 80. Resultado natural, afinal, fechando mais de mil salas de aula, a superlotação das que ainda funcionam não pode ser considerada surpresa.

O que o governo tucano queria com a reorganização escolar era, na prática, cortar “gastos” com a educação. Como a medida foi barrada pela mobilização popular, mas os interesses do governo não mudaram, foi necessário improvisar, fazendo com que a reorganização acontecesse em outros moldes, mas com consequências tão graves quanto as que viriam se fosse colocado em prática o projeto inicial.

Contra o desrespeito do governo pela educação e pela população é necessário mobilizar novamente professores, estudantes e comunidade escolar a fim de impedir que, com as medidas adotadas, a educação pública em São Paulo consiga ter qualidade ainda pior que a encontrada atualmente.

Trabalhadores fazem greve geral contra reforma da previdência na Grécia

Protesto contra a reforma da previdência reuniu 50 mil trabalhadores em Atenas, houve repressão policial aos manifestantes

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Na quinta-feira, 4 de fevereiro, milhares de trabalhadores tomaram as ruas na Grécia em protesto contra a reforma da previdência. A reforma é parte do acordo do governo do Syriza com a União Europeia (UE) para conseguir um pacote de “resgate” para a economia do País. Na verdade, o acordo consiste em uma capitulação do governo às exigências do imperialismo de seguir implantando políticas de austeridade contra os trabalhadores gregos.

A mobilização começou na terça-feira, com uma greve nos transportes. Na quinta-feira, cerca de 50 mil trabalhadores se reuniram na Praça Sintagma, em Atenas, para protestar contra os ataques do governo à aposentadoria. É o maior protesto desde 2010, e o maior durante o governo do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que se elegeu em janeiro de 2015 prometendo o fim da austeridade, capitulou nas negociações com a UE e chamou novas eleições, para surgir como novo gerente das políticas neoliberais do imperialismo para a Grécia.

A Confederação Grega dos Sindicatos do Setor Privado (GSEE) e a União dos Funcionários do Setor Público (ADEDY) chamaram a participar da greve geral e do protesto de quinta-feira. Juntaram-se ao protestos os agricultores, que estão bloqueando rodovias desde o final de janeiro contra medidas de austeridade do governo do Syriza. A reforma da previdência prevê contribuições maiores, aposentadorias e pensões menores e uma idade mínima maior para se aposentar, que será aos 67 anos.

Durante o protesto, a polícia reprimiu os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo. O imperialismo, por da burocracia da UE e do FMI, exige que o governo corte as aposentadoria esse ano no valor de 1% do PIB. Desde 2010 já houve 11 cortes no valor das aposentadorias.

A experiência dos trabalhadores com o governo do Syriza pode levar a um deslocamento à esquerda, resultado da luta contra as políticas de austeridade. Por outro lado, a capitulação do partido também fortaleceu a extrema-direita, representada pelo partido Aurora Dourada.

A extrema-direita vem crescendo em toda a Europa, impulsionada pela burguesia como uma alternativa de governos de força contra a classe trabalhadora. Para a burguesia e o imperialismo está colocada a necessidade de impor aos trabalhadores que paguem pela crise capitalista. É pelo mesmo motivo que está colocada uma política golpista da direita em diversos países na América do Sul, a serviço do imperialismo. A luta dos trabalhadores contra a austeridade é também a luta contra a direita. Essa luta pode parar o golpe na região, e pode parar o avanço do Aurora Dourada na Grécia.

Não à privatização da Eletrobrás

Produtos fundamentais como energia elétrica, água, telefone devem pertencer ao setor público.As empresas privadas somente visam o lucro exorbitante deixando a população em “maus lençóis”

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No dia seis de janeiro foi notíciado pelo O Globo que  a distribuidora de energia Celg-D, da Eletrobras, será vendida em um Leilão, como aconteceu há 20 anos atrás, quando o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso iniciou a venda de estatais a preço de banana, com a desculpa do problema fiscal e a falta de capacidade de investimento do Estado.

A Celg atende 2 milhões de unidades consumidoras em Goiás, onde o setor do agronegócio prospera. O leilão está previsto para março e poderá movimentar no mínimo 2,8 bilhões de reais. A Eletrobras já anunciou a intenção de vender mais seis concessionárias que atendem Acre, Alagoas, Amazonas, Piauí, Rondônia e Roraima. Os governos estaduais podem seguir o mesmo caminho, vendendo as concessionáras para gerar caixa, deixando a população a com as contas mais caras.

Quem lucra com as privatizações?

Com as novas privatizações do setor elétrico, as contas ficaram mais altas, porque as contas são reajustadas de acordo com o Dólar. Somente no ano passado subiram 51%.

Ao privatizar uma empresa, o Estado entrega à iniciativa privada uma empresa construida com dinheiro público.  Um assalto ao trabalhador que pagou seus impostos ao Estado para que este revertesse em determinado benefício. Com a venda da  Estatal, o dinheiro público é usado para enriquecer os tubarões capitalistas.

As privatizações também causam desemprego. A iniciativa privada, ao tomar o controle de uma empresa, não pensa duas vezes antes de demitir diversos funcionários. As privatizações são  péssimas  para os trabalhadores que ficam ameaçados de perderem seus empregos, sendo muitos deles demitidos.

Grupos estrangeiros compram as empresas estatais e a repassam ao exterior os lucros gerado no Brasil mandando recursos para o exterior, deixando a população com a conta para pagar.

Devemos lutar contra todas as privatizações dos setores essenciais para a população como: água, gás, luz, combustível, transporte, telefone.Pela Restatização de todas as privatizações feitas na Era FHC.

Roubo da merenda não é notícia para a burguesia

Após quase um mês do início das denúncias contra a máfia da merenda no Estado de São Paulo, pouco se ouve falar do desvio de verbas causado pelo PSDB e aliados no estado

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Em meados de janeiro, começaram a surgir denúncias de que há desvio de verbas da merenda das escolas estaduais de São Paulo. Tais denúncias obtiveram pouco destaque na imprensa burguesa, sempre a serviço da direita golpista, em especial, no Estado de São Paulo, do PSDB.

Não é novidade que o governo tucano no estado patrocina várias publicações da imprensa burguesa, sobretudo distribuindo “gratuitamente” diversas edições em todas as mais de cinco mil escolas estaduais.

A revista veja é um exemplo dessa política. Por um lado, enquanto o governo salva a existência da revista conservadora, direitista e pouco lida pela população, a mesma o blinda, utilizando a campanha golpista contra o PT e suas principais figuras como capa exaustivamente e pouco, ou nada, falando sobre os desmandos dos governos tucanos por todo o país, em especial em São Paulo.

Em tal revista, se for citado, certamente não haverá destaque para o desvio de verbas da merenda escolar, tendo visto que seus protagonistas são do PSDB, ou próximos do próprio governador, Geraldo Alckmin, como seu cunhado e sobrinho, ambos envolvidos no desvio de verbas da merenda.

Além de parentes, figuras que tinham destaque na pasta da educação em São Paulo também foram acusados, como o chefe de gabinete, Fernando Padula, e o próprio ex-secretário de educação, Herman Voorwald, que, segundo denúncia, teria faturado R$ 100 mil em apenas um contrato, pagos para manter a fornecedora antiga da secretaria, a empresa Citricardilli.

De acordo com escutas telefônicas realizadas, o ex-chefe de gabinete da Casa Civil do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) e homem de confiança do secretário Edson Aparecido, Luiz Roberto dos Santos, o “Moita”, coordenava o esquema diretamente do Palácio dos Bandeirantes.

Entre os contemplados com os recursos, segundo as denúncias, estão o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, e o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), ex-secretário da Agricultura e atual chefe da Secretaria de Logística e Transportes, figuras de proa do governo Alckmin.

Essa lista de contemplados pela propina da merenda dificulta o trabalho de denúncia da imprensa burguesa, afinal, como denunciar seus patrocinadores? As denúncias que vemos cotidianamente são direcionadas, em grande medida, contra o PT e a esquerda em geral, assim não se pode esperar que mais esse desmando do governo tucano seja destaque na imprensa.