Arquivo do autor:Henrique Áreas de Araujo

Lula não pode sequer ser defendido

Imprensa já condenou o ex-presidente e tenta ridicularizar qualquer tentativa de defesa

625832

Todos os dias os jornais trazem notícias contra o ex-presidente Lula. De acordo com articulistas da imprensa capitalista, dessa vez Lula está implicado em situações graves, incontestáveis. Quais são elas? O já famoso sítio em Atibaia e a história do triplex em Guarujá, ambas cidades no estado de São Paulo.

“Jamais houve indícios tão consistentes e constragedores quanto os que estão sendo apontados agora a respeito das condutas do ex-presidente”, escreveu Rogério Getili, na Folha de S. Paulo.

As mais novas e “contundentes” acusações contra Lula são meras especulações sobre sua vida privada. As visitas e a reforma em um sítio que ele e a família frequetaram e a compra que Lula deixou de fazer de um apartamento na cidade litorânea de Guarujá.

Apesar do absurdo das acusações, de acordo com a imprensa capitalista Lula não pode sequer ser defendido.

Sobre possível campanha “somos todos Lula”, ensaiada por setores do PT, Hélio Gaspari ridicularizou a proposta.

Em artigo publicado no O Globo, Gaspari compara o “somos todos Lula” com a tentativa da esposa do xá do Irã, Reza Pahlav, Farah Diba, de chamar manifestação em apoio à monarquia em meio às mobilizções que resultaram na revoluçao iraniana de 1979.

Editorial de O Estado de S. Paulo, fala que Lula passou a ser um fardo que o PT tem que carregar; que a defesa que Rui Falcão fez de Lula acusando o monopólio da imprensa e “setores do aparelho do estado capturados pela direita” de perseguiçao não se justifica, já que o PT estaria se auto destruindo; e que depois de abandonar Dilma Rousseff e José Dirceu, Lula estaria à jogado à própria sorte.

A tentativa da imprensa e da burguesia de condenar Lula sem qualquer meios para isso, sem a confirmação de que qualquer crime tenha sido cometido por ele, mostra o desespero dos golpistas. Lula precisa ser destruído e os golpistas usarão de todos os meios possíveis para isso. Inclusive ridicularizar toda iniciativa no sentido contrário, de defesa do PT, do governo e de Lula.

Moro autoriza investigação sobre o “sítio de Atibaia” sob sigilo, mas notícia vira manchete de jornal

Para imprensa golpista e o juiz Sérgio Moro visitas de Lula a um sítio e o barco de aluminio comprado pela ex-primeira dama são escândalo que merece investigação específica da Polícia Federal

2015-805853372-2015040714678.jpg_20150407 (1)

A Polícia Federal pediu e o juiz Sérgio Moro autorizou uma linha de investigação específica sobre o “sítido de Atibaia”, novo “escândalo” especulado pela justiça e a imprensa envolvendo o ex-presidente Lula.

A autorização foi dada no dia 4 de fevereiro e deveria ter sido feita sob sigilo, mas foi publicada na terça-feira (9) “inadvertidamente” no site do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, por um equívoco do Poder Judiciário, afirmou o juiz Moro em outro despacho, no dia 10.

O “equívoco” do Poder Judiciário alimentou a imprensa golpista em mais notícias sobre as visitas de Lula ao sítio no município do interior de São Paulo.

A investigação foi autorizada porque há suspeitas de que as obras de reforma na propriedade teriam sido pagas pelas construtoras Odebrecht e OAS, investigadas na Lava Jato. O que por si só não pode ser considerado crime. Muito menos o fato de o sítio ser frequentado por Lula e sua família.

O despacho “equivocadamente” tornado público, e a investigação específica sobre o sítio apenas demonstra a decisão do juiz Sérgio Moro de não apenas expor a vida política do ex-presidente, mas sua vida particular e de sua família.

“Em resposta, o Instituto Lula afirmou que o ex-presidente Lula nunca escondeu que frequenta em dias de descanso o sítio Santa Bárbara, que pertence a amigos dele e de sua família. O instituto afirma também que não há nada ilegal nestes fatos, que não servem para vincular o ex-presidente a qualquer espécie de suspeita ou investigação”.

A situação parece cômica quando um “um barco de alumínio” comprado pela ex-primeira dama, Mariza Letícia, vira manchete de jornal. A varrida em sua vida privada e de seus familiares, as especulações a respeito de visitas a um sítio, mostram que a caçada contra Lula supera todos os limites. Inclusive o fato de que Moro passa a autorizar investigações para além de sua jurisdição, o Paraná, e a Lava Jato.

Por que Lula?

Para a vitoria do golpismo é necessário incliminar e desmoralizar o ex-presidente petista

lula-2015-3336-original

Este início de ano está sendo particularmente revelador.

Já não resta qualquer dúvida quanto a decisão da justiça de expor e incriminar o ex-presidente Lula.

A campanha contra Lula, as investigações sobre atos de sua vida privada e de sua família, são políticas. Têm objetivos meramente políticos.

Enquanto não é encontrado nada de realmente relevante, seja no governo, seja em suas ações políticas a vida privada vira alvo de especulações. Até o número de visitas a um sítio se torna “escândalo”.

Sérgio Moro e a oposição de direita, desde as eleições de 2014, buscam fatos que possam comprometer a imagem de Lula, de modo que qualquer expectativa eleitoral do PT e do ex-presidente sejam minadas, antes mesmo de serem anunciadas.

Na falta de fatos, nada impede Moro e a imprensa de transformar o cotidiano em crime. Como o número de visitas que Lula fez a um determinado sítio no interior de São Paulo.

Como o impeachment entrou em compasso de espera, diante do recesso do legislativo, palco principal, mas não o único, do golpe, a imprensa resolveu utilizar as férias para intensificar sua campanha contra um alvo preferencial.

Lula é o alvo porque a burguesia quer impedir qualquer possibilidade de que o ex-presidente concorra em caso de haver novas eleições. Nesse sentido são várias as frentes de batalha. E nesse momento a batalha está abertamente deflagrada contra Lula.

Se a tentativa de colocar o PT na ilegalidade falhar, se o golpe contra Dilma não emplacar, ou se emplacar e forem chamadas novas eleições, não resta opção à oposição de direita a não ser desmoralizar e  possível incriminar Lula para impedir vença, mas principalmente que não concorra em caso de novas eleições.

Outra vertente da campanha contra Dilma, o PT e Lula é a tentativa permanente de responsabilizar o governo pela crise econômica e problemas no país, que segundo a imprensa são os piores de todos os tempos. Não é possível deixar de ver os problemas e responsabilidades do governo. Mas é preciso muito cautela na hora de acusar o governo em meio à campanha golpista.

No caso da campanha de perseguição contra Lula se aplica a mesma ressalva. Qualquer crítica a sua trajetória política, desde o movimento sindical, até seu governo, não pode ser servir para alimentar o golpismo da direita.

Lula é o alvo pois aparece concretamente como uma ameaça aos planos golpistas da direita, do imperialismo. Para que o golpe saia vitorioso é necessário incriminá-lo, fazer com que sua presença como principal líder dos trabalhadores do país seja desmoralizada.

É preciso ter claro, ainda, que essa tentativa é uma tentativa de desmoralizar toda a luta dos trabalhadores, da esquerda de um modo geral, tendo em vista que Lula é a referência maior desse campo político brasileiro, não apenas no País, como no resto do mundo.

Nesse sentido, Lula é o alvo não apenas porque compromete a vitória do golpe, mas também por que a campanha contra ele serve como campanha contra toda a esquerda nacional.  

Promotora diz que Ministério Público tem política de extermínio

Existe um apoio ideológico de alguns ao extermínio de indesejáveis

Nacional - Juliano - 11-2-16 -  Promotora denuncia exterminio

Em uma entrevista concedida ao El País, a promotora Daniela Skromov afirmou que existe uma ideologia do Ministério Público em promover o extermínio da população negra e pobre.

Um dos fatos mais significativos para esta afirmação, que serve para toda a política criminal, são os depoimentos encontrados em boletins de ocorrência em que existe o chamado “auto de resistência”.

As descrições dos policiais envolvidos nesses casos se repetem. Chegaram em um determinado local e foram recebidos com tiros, e, em resposta, dispararam tiros fatais contra outras pessoas.

Denunciando a falsidade dessas informações, a promotora afirma que: “Uma realidade tão complexa comportaria a mesma narrativa sempre? Nos outros crimes de homicídio existem mil dinâmicas: arranhão, crime passional, jurou de morte (… ) essa é sempre uma narrativa faroeste padrão que desafia a inteligência”.

A farsa dessas afirmações, segundo a própria promotora, é que em situações como essa o suposto marginal deveria ter vantagem sobre o policial, já que conta com o elemento surpresa, capaz de pegar o inimigo desprevenido.

A promotora afirma que o Poder Judiciário segue os mesmos parâmetros usados pela polícia. Determinadas pessoas podem ser vítimas do sistema sem que causar maiores alardes. Mas se a vítima for branca e de classe média o tratamento dados pelo sistema prisional e judicial é completamente oposto.

De acordo com a promotora, “todo processo que gera uma cadeia é geralmente uma prisão em flagrante, que ocorre na rua ou no barraco. É um vulnerável que é capturado, seja porque tropeçou, não tem amigos, está fraco fisicamente, ou porque mora em um barraco onde ninguém pede licença para entrar, é passível de invasão. É deste tipo de gente que a cadeia está cheia. Quem coloca elas lá é a policia, e quem as mantêm lá é o MP e o Judiciário”.

Em diversas oportunidades, a denúncia do caráter racista do sistema prisional recai completamente sobre as polícias militar e civil. Mas quem mantém as pessoas presas é Poder Judiciário e o Ministério Público, nesse sentido, o MP “acaba agindo como o braço jurídico da PM”, segundo Daniela Skromov.

Em muitos casos, como os de prisão em flagrante, todo o julgamento do suposto criminoso é baseado tão somente nas palavras dos policiais que tiveram relação com a prisão. Nesse sentido, não se colhe prova alguma de determinado crime, mas se pune somente aquele que a PM escolheu para prender.

Ao contrário do que se pensa, que o MP e o judiciário estariam acima da lei e do dia-a-dia da PM, o que a promotora denuncia é que esses poderes estão ligados diretamente ao altíssimo número de presos no Brasil e são também responsáveis pelo caráter abertamente racista e de limpeza social dessas prisões.

“Existe um apoio ideológico de alguns ao extermínio de indesejáveis”, afirma a promotora que também é coordenadora do  Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos da Defensoria Pública de São Paulo.

Embora as saídas apresentadas para o problema geralmente apontam para o problema da “formação” desses agentes do estado, o mínimo que teria que ser feito era tornar eletivo todos os cargos do Poder Judiciário, acabar com o MP (que cumpre uma função abertamente direitista), dissolver a polícia, e lutar pelo direito de autodefesa da população pobre e negra.

CNBB e zika: Hierarquia da Igreja retoma campanha contra o direito ao aborto

Em meio à crise envolvendo o zika vírus e os milhares de casos de mulheres grávidas de fetos com microcefalia a hierarquia da Igreja católica retomou a campanha contra o direito ao aborto.

Enquanto os setores democráticos da sociedade saíram das tumbas e decidiram, enfim, se manifestar em defesa do direito das mulheres ao aborto, a hierarquia da Igreja, por seu lado, está dando uma série de entrevistas, publicando documentos e aproveitado a Campanha da Fraternidade, atividade anual da Igreja no Brasil no periodo da Quaresma, para retomar a propaganda contra o direito das mulheres, supostamente em defesa da vida.

Nessa suposta defesa da vida, Igreja e demais setores que atuam contra o direito ao aborto, ignoram a vida de milhares de mulheres que morrem em decorrência de procedimentos realizados em condições de risco, ilegalmente, e mesmo as condições de vida das mulheres obrigadas a manterem gestações de feto com pouquíssimas chances de vida extrauterina. Uma situação traumatizante que já foi considerada como tortura contra a gestante. Nos debates que levaram à decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) em favor do direito ao aborto em casos de anencefalia, a imposição da gestação de fetos com anomalia grave foram esclarecedoras. Mas, a atual crise envolvendo o zika vírus, confirmou o quanto foi limitada a decisão do STF que autorizou o aborto apenas em casos de anencefalia.

A decisão sobre a interrupção da gestação deve ser única e exclusivamente da mulher. Ninguém tem o direito obrigar a mulher a manter uma gestação indesejada, ou que, apesar de desejada impõe limites que apenas à ela cabu julgar se são suportáveis ou não.

A maternidade é uma decisão muito importante para ser imposta. É sobre a mulher que incide toda a responsabilidade com relação aos filhos. Nesse sentido, a situação se agrava. A mesma sociedade que pretende decidir sobre a maternidade, não oferece as condições mínimas para o exércicio da maternidade. Nos casos de crianças com deficiências, mesmo as mais leves, a necessidades de cuidados é ainda maior.

O aborto é um direito da mulher e mais do que nunca tem se comprovado como um problema de saúde pública, particularmente pelo Brasil se tratar de um país atrasado.

Como direito deve ser garantido à todas as mulheres, que devem exerce-lo de maneira livre, sem interferencia do Estado e da Igreja. Aquelas que não considerarem certo não façam, mas o desejo daquelas que decidirem interromper a gestação deve ser garantido e respeitado.