Arquivo do autor:Henrique Áreas de Araujo

Cerca de Israel

Em mais um capítulo da política genocida, Netanyahu propõe cercar Israel para isolar ainda mais o povo palestino

Latuff

O primeiro ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, quer impor um maior bloqueio ao povo palestino ao propor cercar Israel na sua totalidade.

O noticiário da imprensa burguesa sobre os acontecimentos em relação ao cercamento do Estado de Israel tenta passar a impressão de que o fato é para evitar que “palestinos e cidadãos dos países árabes vizinhos se infiltrassem em Israel, e ajudaria a resolver o problema dos túneis usados pelo Hamas a partir de Gaza.” (Valor Econômico 10/02/16) “Na nossa vizinhança, precisamos nos proteger contra as feras selvagens” (idem), em referência às palavras de Netanyahu.

O que há na proposta de cercamento total de Israel na verdade é a política de massacre do povo palestino, massacre esse promovido por uma das maiores máquinas de guerra do mundo, sustentada pelos maiores repasses militares pelo imperialismo.

Cercada por Israel, Egito e o mar controlado por Israel os palestinos se encontram em uma gigantesca prisão a céu aberto. O cercamento total de Israel tem o objetivo deliberado de manter a economia em Gaza funcionando ao nível mais baixo possível. São vários produtos de primeira necessidade que são proibidos de entrarem por imposição do governo de Israel, e por existir o bloqueio, existirão túneis na Faixa de Gaza, justamente para atenuar em alguma medida os efeitos do bloqueio.

Israel é um enclave imperialista no Oriente Médio, para que os norte-americanos possam controlar a região e submetê-la aos seus interesses. Impulsionados pelos Estados Unidos, com um pesado financiamento militar os sionistas tratam de impor um estado de força, excluindo a população palestina e promovendo o seu massacre. O cercamento de Israel é a continuidade da política de extermínio do povo palestino pelo o imperialismo na defesa de seus interesses econômicos na região.

Eram os deuses inocentes?

Afonso Teixeira

Estudo da revista Nature procura demonstrar que os crentes são mais honestos

A famigerada Folha de S. Paulo não perdeu tempo e tratou logo de replicar um “estudo” da revista Nature em que se procura provar que pessoas que acreditam em deuses vingativos e moralistas são mais honestas. O diário paulistano segue na rota de tornar-se uma publicação cada vez mais direitista; não apenas uma defensora de políticas neoliberais, mas também uma publicação moralista e de caráter semi-fascista.

Por que um interesse momentâneo em divulgar teses questionáveis, como essa da revista Nature?

O periódico britânico publicou ontem (10 de fevereiro) um estudo no qual nove especialistas concluem que a crença em um deus vingativo e moralista promove um comportamento mais socializável entre os crentes nesse mesmo deus e, consequentemente, a expansão desse comportamento.

O estudo é bastante estranho, pois pretende comprovar, por meio de dados estatísticos, algo que os antropólogos já sabiam desde sempre. O alastramento de uma crença em um deus sempre foi um instrumento de promoção da unidade nacional. Assim ocorreu com os hebreus e os povos que os rodeavam, como os cananeus. Assim foi com os árabes e com os primeiros cristãos.

O deus é a figura central da sociedade e é, por meio dele, que as leis são impostas. O deus era uma figura necessária para a constituição de uma sociedade, visto que era preciso estabelecer uma autoridade inquestionável para impor as leis, sem as quais a sociedade não poderia desenvolver-se ordenadamente.

A pesquisa divulgada pela revista Nature não traz novidade. Entretanto confunde-se nas conclusões, pois não é a crença em entidades sobrenaturais, vingativas e todo-poderosas que torna o indivíduo socializável. É, em vez disso, a necessidade de manutenção dessa sociabilidade que impõe a invenção de deus.

A revista Nature sempre foi considerada uma importante publicação científica; existe desde 1865 e é uma das publicações mais citadas no mundo acadêmico. Não obstante, cabe a pergunta: quem financia a revista? De onde ela obtém recursos?

Sabemos que uma publicação não se mantém simplesmente com a venda. É preciso publicidade, patrocínio e, muitas vezes, a colaboração de organismos públicos para a sobrevivência da publicação — como acontece com a revista Veja (e os diários Folha e Estado), que, graças às assinaturas feitas pelo governo estadual (PSDB) para todas as escolas e repartições públicas, conseguem sobreviver.

No caso das publicações científicas, o mecanismo é semelhante. É possível que alguma agência de fomento à pesquisa patrocine a publicação. O dinheiro poder vir de um fundo estatal ou de uma fundação, como acontece na maioria dos casos.

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma grande parte das agências de fomento à pesquisa é financiada pela Igreja. Isso é problemático, pois implica a interferência de um organismo tendencioso em relação ao universo científico. Quantas pesquisas sobre células-tronco não foram desfeitas por falta de verba ou, simplesmente, porque uma determinada universidade (que também é, em muitos casos, patrocinada pela Igreja) exigiu de seus cientistas que interrompessem a pesquisa ou se dedicassem a outra coisa?

O livro de Susan George, Culture in Chains, faz uma denúncia sobre isso. Susan George, uma socióloga franco-americana, relata uma série de interferências da direita conservadora norte-americana em diversos ramos da sociedade. É a igreja interferindo violentamente na educação infantil (pois procura monopolizar o setor de educação no lar, quer por meio de publicações, quer por meio das igrejas comunitárias); são os grupos religiosos agindo prontamente nos meios políticos do país (financiando campanhas e a educação de advogados que, um dia, poderão compor a Suprema Corte do país); são fundações e pesquisa que funcionam apenas como fachada para determinadas igrejas. E, além disso tudo, há também grupos como The American Israel Public Affairs Commitee (AIPAC) que atuam sistematicamente em campanhas políticas, de forma que nenhum candidato a cargos importantes nos Estados Unidos se elege sem pedir a bênção à entidade (inclusive o presidente).

A AIPAC também exerce pressão sistemática sobre as universidades, difamando qualquer professor que se demonstre partidário da causa palestina. Esses professores são acusados de antissemitas e execrados publicamente. É a mesma tática utilizada pela esquerdinha brasileira que, quando perde uma discussão, trata logo de taxar o adversário de machista.

A questão é: estaria algum desses organismos pautando matérias para a revista Nature? Ou, pelo menos, financiando a pesquisa que a revista publicou. Essa segunda hipótese não é apenas plausível, como muito provável. Afinal, a pesquisa foi feita por nove pesquisadores, e envolveu deslocamento às regiões mais remotas do planeta. Deve ter custado muito dinheiro.

No entanto, cabe ressaltar, mais vergonhoso do que esse pesquisa foi o destaque dado pela Folha para e matéria. O título da matéria “Estudo vê elo entre fé em Deus e caráter” não é exatamente o que o estudo diz. E o subtítulo, “Experimento aponta que pessoas que creem em entiddes oniscientes e moralistas tendem a ser mais honestas”, também não é correto. O estudo, na verdade, aponta para a socialização e não para a honestidade, que seria uma forma de socialização mais específica. Vale dizer, a Folha pretende ser mais moralista do que o próprio estudo e seus patrocinadores.

Análise Política da Semana: Brasil, EUA e Argentina em debate

O programa será transmitido às 9h30 deste sábado, dia 13

Neste sábado estará de volta a Análise Política da Semana. A plenária do PCO tratará de temas como a perseguição ao ex-presidente Lula e a campanha contra ele por parte de toda a imprensa golpista; a situação na Síria; Argentina; eleições nos EUA onde o candidato democrata Bernie Sanders e suas propostas “socialistas” estão causando problemas para os democratas conservadores e a principal candidata Hillary Clinton; entre outros temas.

A plenária do partido acontece em São Paulo e é aberta a todos os interessados; e tem exibição ao vivo pela Causa Operária TV.

A plenária é o momento de debate político sobre os últimos e principais acontecimentos, no Brasil e no mundo. Nela, o companheiro Rui Costa Pimenta faz uma apresentação e tem a oportunidade de esclarecer dúvidas dos espectadores.

O programa é transmitido ao vivo pela Causa Operária TV, a partir das 9h30. Aqui disponibilizaremos o link da transmissão.

Bernie Sanders, “o machista”: como as campanhas de calúnia se parecem

internacional - dunne - bernie sanders o machista

 

No último domingo, 7 de fevereiro, o ex-presidente dos EUA Bill Clinton, marido da pré-candidata democrata Hillary Clinton, resolveu partir para o ataque contra Bernie Sanders, candidato à esquerda nas primárias do Partido Democrata. Bernie Sanders era dado como carta fora do baralho com insistência pela imprensa capitalista. Depois de quase empatar em Iowa, no entanto, mostrou que pode disputar com Hillary de verdade, e tornar-se o candidato democrata à presidência. Diante disso, Bill Clinton fez as seguintes declarações contra Sanders durante um evento da campanha de sua esposa:

“Ela [uma blogueira a favor de Hillary] e outras pessoas que entraram na internet para defender Hillary e explicar – apenas explicar – porque elas a apoiam foram objeto de assédio e de ataques que são literal e frequentemente profanos demais – para não falar do sexismo – para repetir aqui”.

É assim que se faz uma campanha de calúnias. A discussão política tem sido desfavorável para Hillary, a candidata de Wall Street. Com a crise econômica e política nos EUA, Sanders aparece com chances de vencer, expressando essas crises. No desespero, Bill e os pseudo-esquerdistas começam a atacar Bernie Sanders associando-o ao machismo, ao “sexismo”, por causa de comentários na internet feitos por terceiros.

Como costuma acontecer em campanhas de calúnia como essa, a acusação é feita por quem tem menos autoridade para fazê-la. De todos os políticos democratas a favor de Hillary Clinton no partido essas declarações foram feitas justamente por Bill Clinton, que abusou de uma subordinada sua na Casa Branca quando era presidente, envolvendo-a depois em um escândalo na imprensa e à superexposição.

É esse tipo de calúnia que a esquerda pequeno-burguesa repete nos Diretórios Acadêmicos e sindicatos País afora contra todos os seus adversários políticos. A utilização dessa calúnia pela candidata oficial do imperialismo norte-americano revela bem o caráter desse tipo de ataque: é um ataque direitista de quem não tem argumentos políticos.

A campanha suja contra Bernie Sanders deve continuar, pois sua candidatura, por si só e por contraste, demonstra o quanto Hillary está à direita. Para tentar obscurecer suas propostas de um salário mínimo, educação superior gratuita, impostos mais altos para os mais ricos etc, os pseudo-esquerdistas vão tentar evitar o debate com calúnias e outras baixarias do tipo.

França quer cassar nacionalidade de condenados por terrorismo

Nova legislação pode valer apenas para quem tenha duas nacionalidades, criando-se cidadãos de segunda classe

internacional - frança- cassação

Nesta quarta-feira, 10 de fevereiro, avançou no Parlamento francês uma nova legislação que poderá ser usada para tirar a cidadania francesa de condenados por terrorismo e facilitar a entrada de medidas do estado de emergência na Constituição do País. Depois dos ataques em Paris em novembro do ano passado, o governo francês aproveitou para impor um “estado de emergência”, aprovado pelos parlamentares e posteriormente prorrogado por um prazo maior.

Agora o governo do presidente François Hollande procura transformar o estado de emergência em leis permanentes, consolidando um estado policial na França, um estado de exceção. A medida dividiu a bancada do Partido Socialista (PS). As medidas foram aprovadas por 317 deputados, contra 199, com 51 abstenções. Entre os 199 deputados que votaram contra a nova legislação, 89 eram do PS. É uma divisão maior do que a ocorrida durante as votações dos novos pacotes de “austeridade”, aprovados em 2015. A nova legislação não teria sido aprovada sem os votos dos partidos de direita.

A proposta de tirar a cidadania francesa dos condenados por terrorismo é defendida pela Frente Nacional (FN), partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen. A extrema-direita tem avançado continuamente nas eleições, e só não ganhou nenhum governo regional em dezembro devido à retirada de candidatos do segundo turno pelo PS (segundo turno com mais de dois candidatos). Sob pressão da FN, o governo “socialista” de Hollande tem adotado medidas de extrema-direita para tentar combater eleitoralmente o partido de Le Pen, mas isso só tem fortalecido a extrema-direita ainda mais.

Como aconteceu com o 11 de setembro nos EUA, o governo francês está aproveitando os ataques terroristas para aprovar leis contra a população, retirando direitos e garantias contra o poder do Estado. Sob a alegação de que essas medidas seriam destinadas a combater o terrorismo, o Estado está se fortalecendo para manter toda a população sob vigilância, além de, a partir de agora, criar uma categoria de cidadãos de segunda classe, que podem ter sua cidadania cassada.