Arquivo do autor:Henrique Áreas de Araujo

Mais uma denúncia – Lula deve ser destruído

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Não boto a minha mão no fogo por Lula; mas muito menos pelas pessoas que o denunciam. O mesmo vale para o PT. As denúncias da operação Lava-Jato, as prisões de empresários que nunca foram exemplos de lisura, a cassação de políticos corruptos; tudo isso parece colocar o Brasil no melhor dos mundos. Não fosse o fato de que essas denúncias tivessem como autores pessoas sem escrúpulos, políticos mais corruptos ainda e uma imprensa tradicionalmente golpista, poderíamos até mesmo acreditar em uma moralização da política no Brasil.

Mas não se trata de moralização. Trata-se, sim, de uma implacável perseguição à esquerda brasileira. A origem é inquestionável; como sempre, os Estados Unidos da América e sua política de rapinagem. Estes exemplos traçam um caminho que leva ao Brasil: o golpe no Egito, o golpe na Ucrânia, o cerco à Rùssia, a interferência nos processos eleitorais de todos os países da América Latina, sem exceção.

Os governos de esquerda, na América do Sul, sofrem com a interferência dos norte-americanos. Cresce a pressão sobre a Venezuela. O golpe está sendo dado sobre ela, e a direita já venceu as eleições para o Congresso. Na Argentina, ocorreu o contrário: a esquerda perdeu as eleições presidenciais, mas continuou sendo maioria no Parlamento. Macri, no entanto, governa por meio de decretos, pilhando o país e a classe operária.

No Brasil, a situação não é muito diferente. Dilma Rousseff continua no poder. Ameaçada, é verdade; mas continua. Quanto tempo resistirá depende de seu partido. Ou reage ou deixa de existir. Este é o plano: varrer o PT do mapa político do país. Para isso, a direita investiu pesado na eleição de parlamentares opositores; investiu também em uma intensa propaganda política pela Internet, patrocinando grupos de reação (MBL, Revoltados online, etc.), cooptando a imprensa nacional; enfim, cercando o PT por todos os lados.

Parte dessa campanha é a Operação Lava-Jato e uma série de denúncias de corrupção. Por que essas denúncias surgiram apenas agora não é mistério: é golpe.

E a iminência do golpe assanha a direita; o PT, por sua vez, não reage. A esquerda pequeno-burguesa (PSTU, Psol e satélites) vive afirmando que a ideia de um golpe de Estado é fantasia. E, mesmo aqueles que enxergam a possibilidade do golpe, não consideram a hipótese de uma golpe militar seguido de uma feroz ditadura.

Mas o golpe está em marcha, e a ditadura já está colocada. A polícia militar do Estado de São Paulo atua como uma verdadeira Gestapo contra as manifestações de esquerda (e serve de proteção às da direita) e intensifica a matança na periferia das cidades. O Congresso vive criando leis para ampliar a repressão (por exemplo, diminuindo a maioridade penal). No Brasil, censura-se livros, jornais e revistas. Cresce o cerco aos partidos políticos (cláusula de barreira) e à liberdade de associação (torcidas de futebol, ensaios de escolas de samba).

Mas o pior é que o poder judiciário deixou de ser um árbitro dos outros dois poderes para se tornar um poder acima deles. E acima do povo, decidindo quem pode se candidatar e quem não pode; quem pode se eleger e quem não pode. O poder popular, a democracia, tornou-se uma simples fantasia de carnaval.

E tudo isso, acobertado por uma imprensa venal. O que falta para que efetivamente tenhamos uma ditadura? O impeachment e a cassação política de Lula e do PT. Depois disso, o chicote.

A verdadeira linguagem do cinema: “Os oito odiados” – A obra-prima de Tarantino

O oitavo filme de Quentin Tarantino supera o que vem sendo feito em Hollywood nos últimos anos

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O gênero faroeste, que fora o principal gênero do cinema norte-americano, andava, havia muito, fora de moda. Poucos filmes de foraoeste foram feitos nas três últimas décadas. Antigamente, até mesmo o cinema italiano – e os quadrinhos – produzia obras bastante interessantes a respeito do desbravamento e colonização do velho oeste americano.

Nos Estados Unidos, John Ford; na Itália, Sergio Leone. Seria agora, a vez de Tarantino? Levando em consideração o último filme dele, diríamos que sim. Para ressuscitar o gênero, era necessário que nada de novo fosse a ele acrescentado. Para recriar o gênero, era preciso que tudo fosse remodelado. O dilema estava entre ressuscitar o gênero e criar um gênero novo, derivado do antigo.

Tarantino fez a escolha certa: ressuscitou o gênero. Nesse oitavo filme do diretor, Os oito odiados, Tarantino trouxe de volta vários motivos dos filmes de faroeste: o caçador de recompensa, o carrasco, o xerife, o mexicano, o pistoleiro, o condenado e, sobretudo, o tiroteio.

Para que se ressuscite um gênero há muito esquecido é necessário que se apresente novidades, mostrando, com isso, que o gênero ainda tem possibilidades: coisas novas a dizer, temas a serem desenvolvidos, etc. Tentou-se fazer isso com o filme Os imperdoáveis. Mas, apesar de esse filme ter ganho o Oscar, pouco despertou o interesse para novas produções no gênero.

Tarantino procurou não apenas reviver o faroeste, como reviver o faroeste italiano. Seu filme começa como os de Sergio Leone: uma longa introdução, demorada, bonita e com a música de Ennio Moriconi. Uma imagem de um Cristo de madeira na neve: um arauto que já nos diz o que esperar do filme e o que esperar da trama.

Um terço do filme, uma hora de duração, passa-se em uma carruagem. Aqui, são apresentadas quatro pessoas. As outras quatro serão apresentadas depois, em uma hospedaria, onde todos se abrigam para enfrentar uma nevasca. Ali, passam-se as outras duas horas do filme. E, apesar de haver apenas dois cenários, o espectador não se sente, em momento algum, claustrofóbico; permanece, sempre, em tensão, a espera dos acontecimentos, acompanhando com atenção o desenvolvimento da trama.

E toda a trama se dá em torno de uma mulher, uma criminosa que está sendo levada a uma cidade para ser executada. E, isso, é tudo o que diremos sobre a trama, a qual recorre mais ao gênero policial, de investigação, do que ao gênero de faroeste.

A grande habilidade do diretor é saber filmar em pequenos espaços, sem que o espectador se importe com isso. Nenhum filme de Tarantino cansa; este, menos ainda.

Tarantino, como Woody Allen, preenche seus filmes com referências a outros e com referências a seus próprios filmes. Seu grande apego aos filmes B, à literatura de banca de jornal e aos gêneros menores faz com que ele se dedique ao faroeste, kung-fu, policial, sub-mundo, etc.; e também que recorra sempre ao humor negro, ao escatológico e à violência. Nesse sentido, os filmes de Tarantino são dedicados às pessoas mais humildes, aquelas que na época de decadência das grandes salas de cinema iam aos ciemas de bairros atrás de entretenimento barato: faroeste, kung-fu, e, posteriomente, o pornô.

Mas Os oito odiados procura explorar todas as possibiliddes do cinema: a direção de filmagem, a fotografia, a maquiagem e, mais do que tudo, a direção de atores. Um filme que se passa, durante três horas, em apenas dois ambientes necessita que os atores conduzam a trama. Tudo depende deles. E deles mais do que da fotografia e do próprio diretor, uma vez que cenário quase não há; iluminação e fotografia são apenas acessórios; e o diretor tem de deixar a coisa toda andar.

São de fato os atores que tornam a trama possível. Todos eles. Todos brilhantes. Mesmo o ator que interpreta o carrasco, sai-se muito bem imitando o ator austríaco dos dois filmes anteriores de Tarantino.

A personagem principal é representada por Samuel L. Jackson, presente em quase todos os filmes do diretor. Um escravo liberto, um negro alfabetizado que serve, no filme, como uma espécie de Sherlock Holmes.

Mas quem mais surpreendeu foi a atriz que interpretou a condenada: Jennifer Jason Lee. Ela sempre foi boa atriz, sempre competente. Mas, na compainha de grande atores e de um grande diretor, superou-se. E superou a todos.

O filme vale por muitas coisas. É um faroeste de tipo italiano: tenso e violento, digno de um Sergio Leone. Conta com uma trama muito bem escrita e desenvolvida, narrada mais pelos atores do que pelo próprio diretor. O resto é acessório, mas acessório preciso, usado porque era preciso ser usado. É cinema de primeira qualidade, pois tem uma grande história, contada com precisão, fazendo dos recursos que o cinema dispõe ferramentas para que ela seja bem contada.

Numa época em que o cinema vem lidando em massa com temas politicamente corretos; em que todo filme tem que ter uma cena de bullying  e uma consequente vigança; em que o cinema procura sempre encaixar uma cena de perseguição (quer de automóveis, quer de naves espaciais); em que o cinema é sempre a luta do bem contra o mal (com é que isso não cansa?), Os oito odiados, que recusa todos esses clichês inúteis, torna-se um dos melhores filmes dos últimos anos.

São Paulo: muitos incêndios, nenhuma explicação

O patrimônio cultural vem sendo destruído na cidade

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Um incêndio atingiu nesta quarta-feira (3) a Cinemateca Brasileira e destruiu rolos de filmes antigos armazenados no local. Foram cerca de 500 títulos queimados, entre eles curtas-metragens e cinejornais. A cinemateca se localiza na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, e conta com 44 mil títulos em sua coleção. O fogo destruiu um dos quatro galpões onde são armazenados filmes antigos, que utilizavam materiais diferentes na sua produção.

Este já é o quinto caso de incêndios em instituições públicas no estado em cerca de cinco anos. Além da Cinemateca, foram destruídos partes do Museu da Língua Portuguesa, Instituto Butantan, Memorial da América Latina e o Liceu de Artes e Ofícios. Com excessão da própria Cinemateca, ligada ao governo federal, os outros casos de incêndio aconteceram em órgãos ligados ao governo estadual tucano.

O primeiro foi em maio de 2010, quando o Instituto Butantan perdeu um dos maiores acervos de espécies de repteis do mundo e maior do Brasil. Em seguida, em 2013 foi a vez do Memorial da América Latina que perdeu um auditório e até hoje não foi reaberto. O Liceu também perdeu quase todo o seu acervo de quadros, esculturas, móveis antigos e réplicas de gesso no fogo. O museu da Língua Portuguesa foi o mais recente desastre, ocorrido no final de 2015 que destruiu dois andares inteiros do prédio.

É estranho, para dizer o mínimo, que tantos órgãos culturais tenham pegado fogo em tão pouco tempo. Todas essas tragédias têm em comum o descaso com o patrimônio cultural e científico da população. Os grandes banqueiros e capitalistas exigem e pressionam os governos a investirem cada vez menos em setores como saúde, educação e cultura. Para os capitalistas, é preciso que o dinheiro dos trabalhadores seja desviado para seus próprios bolsos.

A Campanha a favor de Alckmin: tudo melhora no governo às vésperas das eleições

Imprensa golpista ajuda Alckmin a maquiar os índices do IDESP

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Está gostoso, Geraldo?

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O trio merenda: Capez, Alckmin e Nogueira.

Nessa quarta-feira, dia 5 de fevereiro, saiu o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (IDESP), que leva em consideração os índices do Saresp mais o fluxo (aprovação e reprovação) das escolas. Ou seja, uma manipulação dos números para maquiar o caos da educação paulista.

Os resultados mostram uma tendência já observada em outros anos. Uma melhora insignificante  nos anos iniciais do fundamental e uma estagnação gigantesca nas etapas seguintes. No 5.º ano do fundamental, a média do Estado foi de 212,7 em Português e 223,6 em Matemática, um aumento de 4,4% e 3,2%, respectivamente, um aumento pífio frente a uma educação sucateada e, provavelmente, também um falso aumento.

O patamar considerado adequado para as disciplinas é de 200 e 225. Já os alunos do 9º ano aumentou 2,8%, em Português, e 4,9%, mas estão “abaixo do básico”, ou seja, não dominam plenamente os conteúdos. O mesmo ocorreu no 3º ano do ensino médio, no qual, por exemplo, os adolescentes não conseguem interpretar gráficos e imagens.

Mas o governador e a venal imprensa capitalista vê isso como um avanço para a educação e promete que até 2030 o Brasil chegará nos patamares dos países desenvolvidos. Mas como avançar se não há investimento real na educação?

A defasagem do piso salarial dos profissionais da educação é de 75%, só no ano de 2015 foram fechadas mais de 3.000 salas de aula e nestes ano os números iniciais já contabilizam mais de mil salas. O ano de 2015 terminou com o governo Geraldo Alckmin sendo derrotado na sua tentativa de fechar até mil escolas do ensino básico por conta de uma grande mobilização de professores, estudantes, pais e funcionários, com a “reorganização” ocorreria a demissão de mais de 50 mil professores.

No começo de 2016 foi noticiada a máfia da merenda escolar, ma qual o PSDB desviou milhões. Quem encabeça o esquema são o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, e o deputado federal Duarte Nogueira (PSDB), ex-secretário da Agricultura e atual chefe da Secretaria de Logística e Transportes, figuras de proa do governo Alckmin.

Ano de eleições municipais onde tudo é inflacionado pela imprensa golpista que blinda os governos do PSDB com suas estatísticas. Onde os retrocessos viram avanços por meio das manipulações dos números.

Militares torturaram Frei Tito, denuncia Procuradoria

Frei teria se suicidado pelas sequelas deixadas pela tortura sofrida durante a ditadura militar

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O Ministério Público Federal denunciou dois militares responsáveis pela tortura de Frei Tito de Alencar. Homero César Machado, capitão da artilharia do Exército na época e Maurício Lopes Lima, então capitão de infantaria, ambos denunciados por chefiar equipes de interrogatório da Operação Bandeirantes (criado pelo II Exército, foi órgão que reuniu as três forças militares para organizar a repressão e a tortura dos opositores à ditadura, passando a se chamar DÓI-CODI, mais tarde).

A Procuradoria da República requere a Justiça que reconheça o abuso de poder cometido pelos soldados, que sendo um crime contra a humanidade isto se qualifica como crime sem direito de anistia, que os envolvidos tenham as aposentadorias cortadas e perca as medalhas e condecorações, caso sejam condenados.

O frade católico brasileiro tinha assumido a direção da Juventude Estudantil Católica em 1963, após isso se mudou para São Paulo para estudar filosofia na USP (Universidade de São Paulo). Em outubro de 1968 foi preso por participar do 30º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), após ser fichado pela polícia começou a ser perseguido.

Foi preso em novembro de 1969 em São Paulo sob a denúncia de estar apoiando Carlos Marighella, também perseguido na época pelos militares por integrar a organização ANL (Ação Libertadora Nacional) uma guerrilha que lutava contra a implantação do regime militar no país.

Após ter sido mantido nos porões do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e depois transferido para o presídio Tiradentes, Tito foi levado para a sede da Operação Bandeirante. Durante todo esse período compreendido entre 17 a 27 de fevereiro de 1970, Tito foi torturado com diversas pancadas em sua cabeça, queimaduras pelo corpo, choques elétricos (sendo principalmente na língua) tudo isso preso no pau de arara de cabeça para baixo. Não suportando as torturas tentou se suicidar, sendo socorrido e retornado ao presídio.

Incluído na lista de presos políticos para a troca com o embaixador suíço que tinha sido sequestrado, o frei foi expulso do Brasil, passando pelo Chile, Itália, finalmente se instalando na França sendo acolhido pelos católicos franceses, pouco tempo depois não suportando o trauma das torturas sofridas comete suicídio novamente enforcando-se numa árvore, em setembro de 1974.